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Rock in Rio: Brown diz que garrafadas o tornaram 'conhecido no mundo todo'

Carlinhos Brown participa do Programa Pânico, da rádio Jovem Pan - Reprodução/Jovem Pan
Carlinhos Brown participa do Programa Pânico, da rádio Jovem Pan Imagem: Reprodução/Jovem Pan

Colaboração para o UOL

14/02/2020 15h22

Um dos nomes mais marcantes do Carnaval brasileiro está preparado para a folia em 2020. Mas antes de puxar o trio elétrico, o cantor, compositor e jurado do programa "The Voice Kids", da TV Globo, Carlinhos Brown, participou hoje do Programa Pânico, da Rádio Jovem Pan. Durante a conversa, ele celebrou os 35 anos do Axé Music, repercutiu o Carnaval como espaço politizado e relembrou o marcante momento em que levou garrafadas durante show no Rock in Rio.

As cenas de Carlinhos Brown sendo hostilizado no Rock in Rio 2001 marcaram a carreira do artista e são algumas das mais emblemáticas da história do festival. Uma situação que, segundo ele, foi proposital.

"Eu provoquei aquilo. Eu precisava provocar aquilo. [...]. O rock fala sobre atitude. E eu estava no lugar certo. Sim, com minhas deficiências, mas eu queria usar aquela saia, aquele cocar, foi um choque cultural. E o que os roqueiros fizeram? Fizeram que eu ficasse conhecido no mundo inteiro", revelou.

O músico, que tem participação em alguns álbuns de bandas de rock (como o "Roots", lançado pelo Sepultura em 1996), disse que provocou o público como forma de alerta e para fazer um protesto: "Era para trazer uma conotação de que ninguém pode se prender a um estilo. De que este não é um país de um estilo só. É um país de diversidade e compreensão. E eu dizia naquele momento 'eu jogo amor, não jogo nada nas pessoas'. Porque aquilo condizia com o discurso de Medina [Roberto Medina, idealizador do festival], de um mundo melhor. E um mundo melhor precisa ser comunicado, às vezes, de forma diferente. Às vezes pela dor. Então, eu estava pronto para aquilo", encerrou.

Carnaval

Para ele, os protestos e o uso da data para alertar sobre questões sociais são ações que fazem parte da festa popular: "A política cultural não-partidária permite que as Escolas de Samba e os centros comunitários cheguem no carnaval e lancem seu clamor. Porque é um lugar onde é proibido proibir. Então, elas se expressam através disso [...] O carnaval é um ambiente forte de discussão. Nele as pessoas estão dançando, mas assimilam coisas quando veem uma Escola de Samba, um grupo afro ou uma reportagem", disse.

Brown também falou sobre as polêmicas do uso de fantasias representando grupos considerados minorias no carnaval. O artista não vê problema que, por exemplo, foliões apareçam fantasiados de índios: "Por que as pessoas não podem expressar o que elas querem? O Carnaval é essa permissividade de você poder chegar ali e ser o que quiser. Tem homem que descobre que é gay no Carnaval porque se veste de mulher e se sente bem ali [...] Mas mais do que a fantasia de índio, precisamos trazer para a realidade o que os índios estão precisando. E nos atentar ao fato de que, em mais de 500 anos de Brasil, todos nós já temos um sangue de tudo, inclusive de índio. E essa miscigenação aflora no Carnaval", opinou.