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Sex Education: 7 coisas para aprender com a segunda temporada

Otis (Asa Butterfield) e Eric (Ncuti Gatwa) em Sex Education - Divulgação/Netflix
Otis (Asa Butterfield) e Eric (Ncuti Gatwa) em Sex Education Imagem: Divulgação/Netflix

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

24/01/2020 04h00

ATENÇÃO: O texto abaixo tem spoilers sobre a segunda temporada de Sex Education. Não leia se não quiser saber o que acontece.

A segunda temporada de Sex Education está entre nós desde o último dia 17, com novas desventuras sexuais e amorosas para Otis (Asa Butterfield) e seus amigos. Em oito episódios, o novo ano da série da Netflix consegue ser até mais divertido do que o primeiro, tratando de assuntos sérios e atuais com leveza e bom-humor.

Os novos capítulos também estão cheios de lições - que vão além de como fazer a chuca. Por isso, listamos abaixo sete coisas que podemos aprender com a produção e podem ser úteis também para você, leitor. Quer contar o que aprendeu com Sex Education? Deixe nos comentários!

As pessoas ainda sabem pouco como ISTs se espalham

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

A segunda temporada da série começa com a retomada das aulas no colégio Moordale, em meio ao que parece (mas só parece) ser um surto de clamídia, uma infecção sexualmente transmissível. O pânico que se estabelece entre os estudantes reflete bem o quanto ainda somos mal informados sobre como ISTs são transmitidas: Alguns alunos usam máscaras sobre a boca para evitar a contaminação, sendo que a clamídia é transmitida apenas pelo contato sexual ou entre mãe e filho, na hora do parto. A trama, que bem poderia se repetir por aqui, mostra o quão importante é a educação sexual (sem trocadilhos).

Você pode não ter muito em comum com outras mulheres, mas todas têm uma história de assédio para contar

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

Um dos momentos mais emocionantes da segunda temporada de Sex Education acontece no sétimo episódio, quando Aimee (Aimee Lou Wood), na detenção com Maeve (Emma Mackey), Ola (Patricia Allison), Lily (Tanya Reynolds), Olivia (Simone Ashley) e Viv (Chinenye Ezeudu), se abre sobre o abuso sexual que sofreu no ônibus, quando um desconhecido se masturbou e ejaculou na sua perna. Todas as outras garotas, então, compartilham suas próprias histórias de abuso: uma foi perseguida enquanto voltava para casa, uma foi apalpada enquanto descia do metrô, e outra foi, ainda criança, alvo de um homem que resolveu exibir seu pênis em uma piscina pública.

São experiências com as quais, infelizmente, toda mulher pode se identificar, e que volta e meia aparecem nas conversas com amigas próximas. Mas o grande poder da cena está em mostrar que, por mais diferentes que você e outra mulher possam ser, há experiências que nos unem -e você não precisa ser amiga dela para ter empatia e se solidarizar com o que ela passou.

No fim das contas, as seis garotas se reúnem para ajudar Aimee a superar o receio de andar no ônibus e se sentam com ela no caminho para a escola. É um desfecho lindo, que define bem o conceito de uma das palavras da moda: a sororidade.

Tem muita gente enfrentando problemas mais difíceis do que você imagina

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

Essa é daquelas coisas que a gente até sabe, mas acaba esquecendo no dia a dia: Você nunca tem total conhecimento dos problemas que o outro enfrentou para estar onde está. O melhor exemplo disso é Maeve: por trás da fachada durona, há uma garota que sempre precisou tomar conta de si sem qualquer rede de apoio, e que de repente se vê forçada a cuidar da mãe, uma dependente química em recuperação, e da irmã mais nova. Em um contratempo, ela quase perde uma competição importante para o seu futuro acadêmico porque a mãe, de última hora, pediu para que ela ficasse com a irmã, algo que seria improvável acontecer com seus colegas vindos de famílias estruturadas e de classe média, como Otis.

É, mais uma vez, uma lição de empatia da série -e um lembrete para nos segurarmos antes de julgar alguém.

É ok expressar sua raiva sendo mulher

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

Pense no tanto de mocinhos do cinema e da TV que aparecem expressando sua raiva em cena. Há vários, e ninguém questiona o caráter ou a sanidade mental deles por isso. Personagens femininas, por outro lado, raramente recebem o mesmo tratamento, sendo rotuladas como "loucas", "dramáticas" ou "desagradáveis" quando agem da mesma forma (assim como acontece na vida real). Mas Sex Education joga esse estereótipo pela janela com uma cena catártica, em que Aimee, Ola, Maeve, Olivia, Lily e Viv quebram um carro em um ferro velho após compartilharem suas experiências com o abuso sexual. Ninguém está falando para fazer o mesmo -o que importa, aqui, é a mensagem: você pode, sim, sentir raiva e dar vazão a ela.

O trauma de ter sofrido um abuso pode demorar para passar

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Imagem: Divulgação/Netflix

Assédio e abuso sexual ainda são tabus, e as vítimas são frequentemente desacreditadas por aqueles que as cercam. Quando não são tratadas como mentirosas, muitas têm suas dores minimizadas; e apesar de movimentos como o #MeToo estarem ganhando projeção ao redor do mundo, pouco se fala sobre as marcas deixadas por esses crimes. Por isso mesmo, Sex Education faz um grande serviço ao retratar a jornada de Aimee após o abuso. A personagem, que a princípio tenta esquecer logo do assunto, se vê incapaz de subir no ônibus de novo, e recusa os contatos de seu namorado, Steve. Ela passa um bom tempo assim antes de começar sua recuperação, com a ajuda das colegas.

A história de Aimee é relevante para entendermos que cada um lida com os traumas de uma forma e que não há nada errado em tomar o seu próprio tempo para se recuperar. Mas vale lembrar que é igualmente importante buscar ajuda de um profissional especializado, como um terapeuta e um psicólogo (ponto que não foi abordado pela série, mas pode ser explorado em temporadas futuras).

Tudo bem deixar de lado algo que não te faz mais feliz e tentar coisas novas

Divulgação/Netflix
Imagem: Divulgação/Netflix

É difícil deixar algo com o qual você está acostumado há muito tempo. A perspectiva de trocar o certo pelo duvidoso dá medo, mesmo que o "certo" seja apenas uma zona de conforto que te faz profundamente infeliz. E é encorajador ver uma trama em que dois personagens passam por jornadas para darem uma chance ao novo, cada um a sua maneira. De um lado, há Maureen Groff (Samantha Spiro), que pede o divórcio de Michael (Alistair Petrie), o diretor da escola, pois não aguenta mais um casamento sem afeto, e começa a se redescobrir. Do outro, está Jackson (Kedar Williams-Stirling), que, infeliz com a natação, se machuca propositalmente para não treinar mais e não ter que falar para suas mães que não deseja mais praticar o esporte. Ele decide dar uma chance à atuação ao interpretar Romeu na peça da escola, e se encontra. O arco do personagem, vale notar, também é um alerta importante sobre pressão e competitividade e os efeitos desses dois elementos na saúde mental.

Todo mundo MESMO tem inseguranças de sexo e relacionamento

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Imagem: Divulgação/Netflix

Com tanta gente bonita e bem resolvida nas redes sociais, é fácil se sentir um ET por não estar sempre com a autoestima nas alturas, não ter o que seria o "corpo perfeito" e cultivar gostos que fogem do convencional. Mas dúvidas, inseguranças e sentimentos de inadequação são absolutamente comuns, e Sex Education faz um ótimo trabalho ao mostrar que ninguém está sozinho nisso. Afinal, se até Jean (Gillian Anderson), que é terapeuta sexual, sofreu com um coração partido e foi pega de surpresa por uma gravidez, quem somos nós para não ter nenhuma noia? Não precisa se sentir culpado nem estranho por isso.

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