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De volta ao funk, Deize Tigrona diz que pausou carreira após depressão

Lucas Hirai/Batekoo
Imagem: Lucas Hirai/Batekoo

Do UOL, em São Paulo

03/01/2020 10h19

Deize Tigrona, uma das responsáveis por colocar a mulher no mundo do funk há cerca de 20 anos, está de volta ao universo musical com o single Vagabundo, lançado em dezembro, cerca de dez anos após viver momentos conturbados em sua vida.

A artista teve que fazer uma pausa na carreira em 2009, quando foi diagnosticada com depressão. "Eu parei porque estava me sentindo mal e soube que era depressão. Se eu não parasse, alguém ou alguma coisa ia me parar, o mundo artístico estava me sugando. Em 2009, eu estava com duas músicas estouradas na Europa, tinha uma turnê de seis meses para fazer e simplesmente não fui", revelou ela em entrevista ao jornal O Globo.

Durante o período de tratamento, Deize contou que chegou a trabalhar como gari no Rio de Janeiro. "Voltei a estudar, porque eu só tinha até a quinta série e, nesse meio tempo, cursei até o primeiro ano. Fiz prova para a Comlurb e quando entrei, em 2014, fui logo trabalhar de gari no Leme. Achei muito pesado, a vassoura era quatro vezes maior que a de casa. E teve uma coisa bem punk no Carnaval. O bloco Mulheres de Chico desfilou no Leme, eu estava varrendo o calçadão e algumas pessoas me olharam e me reconheceram".

Depois da ajuda de uma série de pessoas e de ver o funk crescendo, ela conseguiu se recuperar e pediu licença da Comlurb. Hoje, aos 40 anos, a ex-empregada doméstica mantém a ousadia e colocou na letra de Vagabundo uma série de versos explícitos sobre sexo. Tudo para mostrar "o que realmente acontece".

"Quando eu falo de sexo, é sobre o que acontece realmente, sobre o que pode ser bom ou o que pode ser ruim. Sobre as pessoas que incomodam de tal forma que você acha que vai acontecer um estupro, ou sobre aquelas que você vai amar para a vida toda. E quando eu saio de casa para curtir um funk, é para dançar. As pessoas que curtem funk sabem o que estão ouvindo e querem dançar de quatro, como está nas letras dos funks. Para alguns homens, isso é obsceno; para a gente, é arte".

Deize aproveitou para elogiar as funkeiras Anitta e Ludmilla, símbolos do ritmo atualmente e que ganham cada vez mais espaço Brasil afora.

"[Elas] são necessárias porque hoje em dia o funk não envolve só a favela, envolve outras coisas. Elas estão num outro patamar, que é o do capital. Hoje em dia os produtores investem no funk, na minha época não existia isso. Eu e a Tati Quebra Barraco fomos totalmente precursoras em insistir nisso. Porque hoje Anitta e Ludmilla podem até cantar pop, mas elas dançam como se fosse funk", opinou ao veículo.

Quanto ao futuro do ritmo, Deize disse estar tranquila e confiante que novas caras ainda vão surgir e fazer tanto sucesso quanto Anitta e Ludmilla.

"Antes, o funk era uma coisa só de favela, hoje ele faz girar o capital, ele não vai acabar. Da mesma forma que existe hoje uma Anitta, amanhã pode vir outra pessoa que se inspirou no funk para ser artista".

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