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Festival do Rio supera crise com doações e vira símbolo de resistência

O Troféu Corcovado é um dos símbolos do Festival do Rio - Divulgação/ André Maceira
O Troféu Corcovado é um dos símbolos do Festival do Rio Imagem: Divulgação/ André Maceira

Rafael Godinho

Do UOL, no Rio

09/12/2019 13h41

Resumo da notícia

  • O Festival do Rio começa hoje após superar a perda de patrocínio da Petrobras e BNDES
  • Após quase ser cancelada, a mostra arrecadou R$ 600 mil com financiamento coletivo
  • Até o dia 14 deste mês, serão exibidas 200 produções, sendo 85 nacionais

O Festival do Rio chega à sua 21ª edição após quase deixar de acontecer neste ano. O festival de cinema teve de recorrer a um financiamento coletivo para arrecadar fundos, após a perda de dois grandes patrocinadores, a Petrobras e o BNDES. "Essas duas saídas tiveram um impacto muito grande", lamenta Ilda Santiago, uma das diretoras do festival, que começa hoje com a exibição de Adoráveis Mulheres, dirigido por Greta Gerwig, no Cine Odeon, no centro do Rio.

Ao contrário dos anos anteriores, desta vez, o festival não terá uma festa de abertura. A comoção do público, produtores, artistas e empresários levantou cerca de R$ 600 mil em crowdfunding (financiamento coletivo).

Ilda comemora o esforço após achar que o festival, considerado um dos maiores da América Latina, seria cancelado.

"No momento que a gente fez o comunicado dizendo que nós não víamos uma viabilidade concreta financeira para o festival ser realizado, nós não tínhamos as condições mínimas para que ele acontecesse. Foi uma luta muito grande, mas ele está de pé."

Paralelamente à luta por manter o festival vivo, o evento acontece uma semana após cartazes de filmes históricos do cinema nacional serem retirados das paredes dos escritórios da Ancine, por determinação da nova direção. O Secretário de Cultura do governo Jair Bolsonaro (sem partido), Roberto Alvim, nomeou o pastor Edilásio Santana Barra Júnior, como superintendente de Desenvolvimento Econômico da Ancine (Agência Nacional do Cinema). O caso gerou revolta na classe e a diretora manda seu recado.

Espero que essa resistência do Festival do Rio seja uma mensagem grande para os governantes da importância da cultura para uma cidade, o turismo e a imagem do país. É um grande teste para as empresas verem a necessidade do público de que o festival aconteça, simbolizando a importância dele para fomento da cultura.

Ilda Santiago, uma das diretoras do Festival do Rio

O Festival do Rio, que vai de hoje até o dia 14, exibirá 200 produções, 85 delas nacionais - Divulgação/ Rogerio Resende
O Festival do Rio, que vai de hoje até o dia 14, exibirá 200 produções, 85 delas nacionais
Imagem: Divulgação/ Rogerio Resende

Menos filmes estrangeiros na mostra

Neste ano, o Festival do Rio teve que fazer adaptações. Nos tempos áureos, chegou a ter 300 filmes estrangeiros na programação, com a presença de estrelas internacionais em seu tapete vermelho. Atualmente, o número de produções gringas caiu para 110 e os artistas trazidos foram custeados com a ajuda das próprias produtoras.

"Estamos fazendo um Festival do Rio com todos os elementos que ele tem, só que de maneira reduzida. O evento teve que se readequar à demanda do público e da indústria", pontua Ilda, que acredita ver uma mudança em todos os setores da cultura com o atual governo.

"Todos os eventos culturais vão ter que repensar o seu lugar e como ele se posiciona em relação ao público, às empresas e cidades. Cada um dos estados, precisa entender a importância da arte e da cultura para o desenvolvimento local", opina.

A mostra contou também patrocinadores e leis de incentivo do Ministério da Cidadania, do governo do Rio e da prefeitura, mas o socorro do público, por meio do crowdfunding, foi fundamental para a mostra.

Otimista, Ilda deseja que a "fase ruim" passe logo e espera que em 2020 o cenário seja diferente. "Queremos que a 21ª Edição do Festival do Rio seja um momento de celebração e alegria para a cidade, abrindo o verão. Esperamos que no ano que vem tenhamos um momento melhor na indústria do audiovisual", sonha.

O Festival do Rio vai até o dia 14 de dezembro. Ao todo são 200 produções em cartaz, sendo 85 nacionais (a programação completa pode ser acessada no site da mostra).

"Nós temos um catálogo bem variado de filmes no festival, nas mais diversas temáticas. Mesmo com as reduções, conseguimos manter a qualidade do evento e a presença do público é fundamental para a nossa existência", conclui Ilda.

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