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CCXP: como é trazer um astro do cinema? Às vezes, nem sócio sabe da vinda

Tom Holland e Jake Gyllenhaal se abraçam em painel da CCXP - Iwi Onodera/UOL
Tom Holland e Jake Gyllenhaal se abraçam em painel da CCXP Imagem: Iwi Onodera/UOL

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

02/12/2019 04h00

A edição de 2019 da CCXP, que começa na próxima quinta, promete ser a mais grandiosa da história, com expectativa de mais de 270 mil pessoas nos quatro dias de evento na São Paulo Expo. O que já podemos adiantar: além dos convidados anunciados, como Gal Gadot, Ryan Reynolds e o elenco de Star Wars, haverá aparições surpresas, assim como ocorreu no ano passado com os astros Tom Holland e Jake Gyllenhaal.

Nada foi divulgado oficialmente, mas, segundo o UOL apurou, existe a chance de Emily Blunt e Dwayne "The Rock" Johnson, que estão no ainda inédito Jungle Cruise: A Maldição nos Confins da Selva, virarem os "easter eggs" da Disney. Ivan Costa, sócio e cofundador da versão brasileira da Comic Con, não confirma, mas indica que, sim, se não forem eles as surpresas, provavelmente outros serão.

"É aquela história. O fato de você saber um segredo também é um segredo. Mas com certeza haverá surpresas. As de 2018 foram um sucesso", comemora ele, antes de admitir que, muitas vezes, é impossível saber quem subirá ao palco em um painel concorrido como o da Sony. Estúdios, produtoras e a própria CCXP guardam a sete chaves os nomes dos convidados de última hora. O mistério faz parte da experiência.

"É tudo tão departamentalizado que chega ao ponto de que, às vezes, nem nós, sócios, conseguimos saber tudo. Ano passado, eu sabia que o Tom Holland viria. Aí, estou no painel da Sony e, de repente, entra o Jake Gyllenhaal no palco. Meu assistente falou: 'Você não avisou que o Jake viria'. Minha resposta foi: 'Mas eu não sabia!'.

Ivan Costa, colecionador de quadrinhos e ex-executivo de Marketing, um dos criadores da CCXP - Reprodução/Facebook
Ivan Costa, colecionador de quadrinhos e ex-executivo de Marketing, um dos criadores da CCXP
Imagem: Reprodução/Facebook

Como se traz um astro de Hollywood para a CCXP?

De três formas. A primeira é o artista vir por conta própria. A segunda, quando nós o convidamos. Isso acontece principalmente com quadrinistas. No terceiro caso, o convite vem direto do expositor, do estúdio. É o caso dos astros de cinema. Eles não são convidados da CCXP, são da Disney, da Netflix, da Sony. São eles que definem quem vem, que arcam com o cachê e despesas do ator. Nossa parte é garantir a infraestrutura para ele. Por exemplo: vamos projetar um trailer inédito? Então precisamos do melhor projetor, também do melhor camarim.

Como se define quem virá de surpresa, fora da programação?

É decidido em acordo com o estúdio. Temos uma discussão e trabalhamos a curadoria, para sabermos como fazer, o que é mais legal para cada ator fazer. Nem sempre sabemos de tudo. No caso do ano passado, com Tom Holland, conversamos sobre se haveria um anúncio ou se seria aparição de surpresa. Definimos como surpresa. E foi muito legal, apesar de eu não ter ficado sabendo sobre o Jake (risos). Já tínhamos feito aparições assim com diretores, produtores, mas não com grandes astros. O resultado do público foi o melhor possível. Continuaremos fazendo isso.

Jason Momoa posa com fãs na CCXP 2014 - Divulgação
Jason Momoa posa com fãs na CCXP 2014
Imagem: Divulgação

Falando em astros, quem deu mais trabalho na história da CCXP? O Will Smith, que em 2017 resolveu andar disfarçado no meio do público?

Sempre cito o Jason Momoa, que foi convidado na primeira edição. A gente estava aprendendo com o evento, vendo como funcionava. E o Jason é um cara que faz o que quer. Ficamos tentando pilotá-lo dentro do evento, mas não dava muito certo.

Em alguns momentos, ele simplesmente saia correndo pelo pavilhão. A gente falava para ele: "Cara, não corre no pavilhão! As pessoas podem correr atrás de você e causar um acidente." Ele causou muito. Mas foi um convidado que guardamos um carinho, porque foi na primeira edição. Ele foi gentilíssimo com os fãs e ajudou a construir a reputação do evento.

Este ano, pela primeira vez desde a primeira edição em 2014, a CCXP começará com ingressos esgotados. Ou seja, teremos muitas filas em estandes e, principalmente, em painéis de grandes estúdios. Existe plano para lidar com isso?

A experiência do visitante é uma preocupação constante. Temos reuniões infinitas sobre isso. Inclusive ouvindo sugestões de fãs. Mas algumas coisas são impossíveis de escapar. A questão da fila, por exemplo, só pode ser administrada até certo ponto.

Às vezes, dentro do evento, todos querem fazer a mesma coisa ao mesmo tempo, e não temos o que fazer. Tem gente que dorme na fila para assistir painéis no auditório Thunder, o nosso principal, que tem 3.500 lugares. Nem todos conseguem entrar.

Joel Edgerton e Will Smith cumprimentam público na CCXP 2017, em São Paulo - Mariana Pekin/UOL
Joel Edgerton e Will Smith cumprimentam público na CCXP 2017, em São Paulo
Imagem: Mariana Pekin/UOL

As pessoas costumam ficar no auditório para emendar um painel no outro. Não seria melhor esvaziar e dar mais chance para outros entrarem?

Não, porque, na prática, isso significaria reduzir o tempo útil do auditório em pelo menos um terço. Perdemos tempo fazendo todo mundo sair e entrar, e ter uma estrutura daquele tamanho sendo subaproveitada é um pecado. Usamos esse sistema desde a primeira edição, que é o mesmo que se usa lá fora.

O que tentamos fazer é criar condições para as pessoas que ficam na fila terem o máximo de conforto. Quem dorme na fila, por exemplo, é colocado em uma área coberta, com banheiro, lanchonete, segurança. Tudo limpo. E também com atividades de entretenimento nesse espaço

Mas sempre há gente que reclama. Isso não é um problema?

Tem muita gente que diz: "poxa, não consegui entrar no auditório para ver tal ator". Tudo bem, mas desde a segunda edição temos algo que não existe lá fora. Montamos um tapete vermelho do lado de fora, por onde os atores passam antes do painel. Ou seja, quem não consegue entrar pode ao menos dar um tchauzinho para ele.

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