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Cortella contesta "meritocracia" e diz que foi criticado por gostar de funk

Mario Sérgio Cortella dá entrevista para o programa Pânico - Reprodução/YouTube
Mario Sérgio Cortella dá entrevista para o programa Pânico Imagem: Reprodução/YouTube

Colaboração para o UOL

16/10/2019 16h07

O filósofo, professor e escritor Mario Sérgio Cortella foi o convidado de hoje do programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Dentre diversos temas, Cortella falou sobre as redes sociais e seus "múltiplos caminhos", além de abordar a polêmica envolvendo a chamada "meritocracia".

"Nessa hora humildade intelectual é importante. Meritocracia é um tema que só tem presença válida quando todos partem do mesmo ponto de igualdade. Caso todos partam do mesmo lugar, ok", disse o filósofo antes de usar a própria história de vida como exemplo.

"Eu estudei em escola estadual, lá na Rua da Consolação, em São Paulo. Éramos em quatro amigos mais próximos. Eu, filho de uma professora e de um diretor de banco. Um colega meu que trabalhava no bar em frente e ficava a noite toda servindo e depois limpando, o outro que morava sozinho, se sustentava, e tinha acabado de chegar em São Paulo... E por último, um que tinha feito ensino supletivo para poder estar no ensino médio. Os professores eram os mesmos, as provas eram as mesmas, os critérios de avaliação eram os mesmos! Quem se saia melhor? O filho da professora com o diretor - que tinha pais escolarizados, que conseguia estudar e tinha tempo... Mas se o critério no ponto de chegada fosse o mesmo, sem que houvesse igualdade no ponto de partida, não haveria mérito nenhum no Cortella", completou.

"Eu não fiz nada mais do que aproveitar as condições que eu tinha. E os outros ficaram para trás, mas não porque eram vagabundos. Isso significa que o mérito tem que ser avaliado quando a gente tem igualdade na hora da partida."

Cortella, que tem mais de seis milhões de seguidores somando todas as redes sociais, afirmou gostar do alcance das redes, mas pediu cuidado com o mundo digital. "Tudo pode ser muito raso. Peço que não tenham pânico ao mundo digital e nem idolatria e adoração a esse mundo", alertou antes de revelar um fato inusitado pelo qual passou recentemente.

"Eu sei que aumentou imensamente a minha audiência. Mas muitas vezes ela pode ser superficial. Na semana passada, por exemplo, eu fiquei nos trending topics porque ao ser perguntado sobre meu estilo preferido de música, respondi que ouvia de tudo, que gosto muito de funk norte-americano e ouço um ou outro funk brasileiro. Disse que até gostava de alguns. Bom... [...] Fiquei a semana inteira ouvindo que eu elogiei o funk brasileiro e, dessa forma, estava destruindo a família brasileira. Eram uns 500 comentários dizendo que eu não sabia o que era morar ao lado de um pancadão!" disse.

"A única coisa que eu pensava em fazer, e que eu não fiz porque seria inútil, era pedir para ouvirem a entrevista. Ouçam e vejam que eu disse outra coisa. Portanto essa mistificação tem algumas desvantagens, mas também tem suas vantagens. Agora, por exemplo, através disso [notoriedade nas redes] eu tenho um curso online", encerrou.

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