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Nelson Sargento, aos 95, se torna o mais velho a cantar no Rock in Rio

Nelson Sargento nos bastidores do Rock in Rio - Leonardo Rodrigues/UOL
Nelson Sargento nos bastidores do Rock in Rio Imagem: Leonardo Rodrigues/UOL

Leonardo Rodrigues

Do UOL, no Rio de Janeiro

03/10/2019 21h52

Uma entidade do samba bateu hoje o recorde de artista mais velho a se apresentar no Rock in Rio. Convidado do show Roda de Samba A Festa da Raça, Nelson Sargento, 95 anos, subiu ao palco e, sentado, cantou quatro clássicos: Agoniza mas Não Morre, Disfarça e Chora, Falso Amor Sincero e O Sol Nascerá.

Grande tributo ao gênero, com homenagens a vários compositores, o show contou com um Nelson animado, chamando a plateia ao lado do violonista Paulão Sete Cordas, vestido a caráter de verde e rosa e um discreto cachecol. No último número, de Cartola, o público que de início não percebeu de quem se tratava correu em direção ao palco lotando o local.

Antes do show, o UOL bateu um papo com Nelson Sargento, que comentou o feito de ter virado o decano do festival, confessou-se emocionado com a homenagem e, apesar disso, disse não se considerar nenhuma lenda. Para ele, o protagonista é o samba, e assim deve ser.

UOL - Como é ser o artista mais velho a se apresentar na história do Rock in Rio?

Nelson Sargento - Mas onde está a velhice neste país? Não está sobrando velho? (risos) Mas é um momento realmente muito importante pra mim. 95 anos. Desses, tenho mais de 40 aninhos seguidos. Na verdade, tudo começou quando tinha 40 anos de idade, quando fiz um show chamado Rosas de Ouro. Ali realmente virei profissional e permaneço assim até hoje.

Como está se sentindo com a homenagem do show Roda da Samba Festa a Festa da Raça?

Estou me sentindo no paraíso, bem, com todas as pessoas que aqui estão, pelos aplausos que me deram. É realmente um momento deslumbrante na vida de um ator. Aliás, ator não. Cantor. Ah, cantor não. Intérprete.

Nelson Sargento de apresenta no Rock in Rio

UOL Entretenimento

Essa roda está apresentando o samba para muita gente.

Mas o samba está sempre presente. Onde vai e vem pessoas. Poucas, muitas, uma multidão, o samba está lá.

O senhor ainda fica nervoso antes do show?

Todo artista fica nervoso na hora de chegar ao palco. Não adianta dizer que não fica, mas fica. Tem que saber controlar. Embora por mais tempo que você esteja fazendo isso, dez, 15 anos, mas você sempre tem aquele nervosismo bom.

O senhor se sente uma lenda, como tanto te chamam?

Não. Toda pessoa que faz samba, o compositor, e canta samba, em qualquer lugar. É importante. Isso de esse bom ou esse não? Isso não existe. Embora essas coisas [criar lenda] quem faz é o público. É ele que diz, que ciclano é melhor, fulano é pior. Mas entre nós não existe.

Por que o samba não morre?

Há coisas que começam bem e daqui a pouco começam a cair. Mas, pô, se antes era bom por que não melhorou? O samba é bom sempre. Não cai nunca. Ele agoniza, mas não morre.

Quais compositores atuais você admira?

Todo compositor que lida com samba respeita o outro. Pode até não respeitar, mas samba é aquilo que a pessoa faz independentemente de que a música vai virar. Eu faço um samba e mostro para você, e se você não gostar, eu não vou jogar ele fora. Vou mostrar esse samba para dez. Desses dez, nove podem gostar.

É pior viver hoje no Brasil ou há 50 anos?

Depende do modo que você vê. Se você conseguir se equalizar e entender o que está acontecendo no país, você vive. Se você não entende, você vai ficar sempre na agressividade, até entender.

E o Brasil hoje?

O país tem um grande personagem, um personagem que se chama samba. É isso.