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Weezer explica por que shows no Brasil serão cheios de nostalgia

Divulgação
Imagem: Divulgação

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

26/09/2019 04h00

Take On Me, Africa, Happy Together, Paranoid, Lithium...Não. Não é o setlist de uma banda genérica tocando covers em um bar qualquer. São versões que o Weezer fez para seu penúltimo álbum e provavelmente estarão nos dois próximos shows que a banda de Rivers Cuomo fará no Brasil: o primeiro hoje em São Paulo (Itaipava de Som a Sol - Ginásio do Ibirapuera, às 21h30) e depois no sábado, no Rio de Janeiro (Rock in Rio - Palco Mundo, às 22h20).

Desde que lançou sua versão de Africa - um pedido que nasceu no Twitter - , cover da banda Toto, o Weezer viu ali uma oportunidade para revisitar outras canções dos anos 70, 80 e 90 com novas roupagens que culminaram no The Teal Album (2019), com dez covers que o quarteto gravou, incluindo aquelas que abrem esse texto. Frequentemente esses covers entram no repertório da banda, então não se assuste se o show do quarteto tocar nessa veia nostálgica por aqui.

"E a resposta que veio com ela foi tão absurdamente positiva que não precisamos nem pensar muito para nos dar conta de que seria uma boa ideia fazer um álbum com outros covers", disse o guitarrista Brian Bell, que conversou com o UOL, por telefone, direto de sua casa, em Los Angeles. Então prepare-se pra um show típico do Weezer, mas com uma pegada nostálgica também.

Brian Bell, guitarrista do Weezer, durante show no Coachella - Kevin Winter/Getty Images
Brian Bell, guitarrista do Weezer, durante show no Coachella
Imagem: Kevin Winter/Getty Images

UOL - Vocês vieram para cá em 2005 para apenas um show em Curitiba.

Brian Bell - Foi isso mesmo. Lembro que era uma casa pequena e claro, estava lotada. Muita energia rolando. Agora vamos tocar no Rock in Rio e temos também um show em São Paulo. Também temos alguns shows na América do Sul, como Peru e Chile. Infelizmente não tocaremos na Argentina. Mas estou muito feliz em voltar até aí. Às vezes parece tão perto. Estamos conectados por terra como continente, mas estamos distantes.

O que lembra do show em Curitiba?

Tinha o amigo do nosso baixista que morava no Brasil e ele dirigiu centenas de quilômetros para nos levar um verdadeiro sintetizador Moog. Foi muito louco. Mas, sabe? Ele fazia todos os barulhinhos que usávamos na música, mas de verdade. Nós realmente ficamos felizes com aquilo. No geral, foi quase um bate e volta. Lembro só da fila da imigração ser muito longa (risos). Se pudermos diminuir isso dessa vez será ótimo. Também fiz um amigo chamado Rodrigo e estamos em contato até hoje.

No Rock in Rio vocês tocarão com Foo Fighters e Tenacious D. Vocês são próximos?

Eu amo tocar com esses caras. Amo assistir eles. Definitivamente temos um sentimento de reunião. Fizemos uma turnê inteira pelos Estados Unidos com eles e é muito legal que possamos nos reencontrar mais uma vez agora na América do Sul. É algo muito incrível.

O setlist de vocês tem algumas covers do Teal Album, disco que nasceu no mesmo ano do Black Album. Como foi gravar dois discos tão próximos?

Esse tipo de coisa simplesmente funciona ou não. Uma coisa é certa: não foi planejado dessa maneira. Nós ainda estávamos trabalhando no Black Album e aí surgiu toda a história com a música Africa. E nós a gravamos. E a resposta que veio com ela foi tão absurdamente positiva que não precisamos nem pensar muito para nos dar conta de que seria uma boa ideia fazer um álbum com outros covers.

E foi um processo difícil ter que recriar canções que já são sucesso?

A questão seria "fazer justiça" por essas músicas. Dar algo novo, mas não muito diferente. Escolher as músicas foi um grande passo. Também foi bom trabalhar com nosso produtor e encontrar os métodos para gravar as músicas. Somos uma banda muito metódica. Se algo funciona, nós continuamos daquele jeito. Gostamos de Africa e continuamos fazendo aquilo em um álbum completo.

O cover de Africa nasceu de um único pedido no Twitter. Vocês já devem ter ouvido pedidos de fãs, de produtores, de gravadoras...Mas como foi responder um chamado de uma rede social?

Não é diferente do seria se fosse uma demanda de outro lugar. Mas foi interessante porque eu senti uma conexão imediata com a pessoa que mandou o pedido, que é uma garota de 14 ou 15 anos de Cleveland. E eu pensei: "olha, isso pode funcionar". Às vezes você não ouve as sugestões de todo mundo, mas neste caso foi diferente. Aquilo definitivamente pareceu certo. Eu pude ver que aquela era uma música que todos adoravam. Quase um hino. E tudo o que importava é que nós trabalhássemos duro para fazer justiça por ela.
Foi uma grande oportunidade para mim. O Patrick [Wilson] me pediu para tocar o teclado e eu sabia que era algo muito complicado. Esses caras [Toto] são músicos de ponta de estúdio que trabalharam com Michael Jackson em Thriller.

O que acharam quando vocês colocaram a ideia em ação?

Muitas pessoas acharam que seria algum tipo de brincadeira. Isso não é uma piada. É algo difícil de ser feito. Eu sou músico e dei o meu melhor.

Tem alguma música das covers que você tem como predileta?

Cara, eu adorava Sweet Dreams (Are Made of These) e lembro de todas as horas que passei assistindo MTV e ouvindo essas músicas. É alucinante pensar que estou revivendo elas fazendo um disco.

Imagino que tenha sido diferente revisitar as canções que conheceu como ouvinte agora como músico.

E tem um fator que é, eu nunca pensei como essas músicas foram compostas e pude me envolver nisso. Até então nunca havia nem cogitado aprender a tocar essas canções. E quando pude mergulhar lá descobri que eram super interessantes. Muitas faixas dessa época têm estruturas bem pouco ortodoxas. Foi um processo revelador que me abriu a cabeça. Muitas músicas eram um grande teste de padrões, porque elas eram bem pop, mas estavam quebrando várias regras e sendo inovadores.

Sempre achamos que são canções pop inofensivas.

É isso. E depois nos damos conta de que elas são muito mais "estranhas" e eu nunca percebi isso. Todas elas possuem algo único. E esse é um dos elementos principais para tornar uma canção um hit. O que ela tem de especial que é diferente de todo o resto que você já ouviu?

Uma coisa é recriá-las no estúdio. Como fizeram essa entrada delas no repertório dos shows?

Tem a reação do público que é bem diferente e variável, que é parte da experiência que não temos quando estamos em estúdio. É uma percepção diferente. Muitas coisas somem da música quando as pessoas estão cantando junto. Então não adianta tentar reproduzir tudo ao vivo. Você escolhe o que é mais importante e mais familiar para as pessoas que querem ver a banda tocando.

No estúdio você pode gravar tudo o que quiser e experimentar os detalhes, coisas que as pessoas nem notam quando ouvem a primeira vez. Ao vivo você não tem tempo para isso. Pode até acontecer de você errar alguma coisa. O importante é você não perder muitas dessas notas importantes.

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