Em prévia do Rock in Rio, Scorpions mostra com quantas baladas se faz um bom show
Habitué no Brasil --esta é a nona passagem pelo país--, o Scorpions apresentou na noite de ontem em São Paulo, no Allianz Parque, no festival Rockfest, uma prévia do que será o show de encerramento do dia dedicado ao heavy metal no Rock in Rio, em 4 de outubro.
O público pode esperar por uma banda septuagenária energética, consistente e que continua dando conta do ofício. Méritos de quem soube tratar bem a saúde e o repertório: todas as grandes músicas lançadas pela banda entre o fim dos anos 1970 e início dos 1990 estão no setlist.
Início em marcha lenta
Em São Paulo, o show com jeito de coletânea começou devagar. Não exatamente pela escolha do primeiro número, a recente Going Out with a Bang, mas pelo volume do som que saia dos alto-falantes do estádio. Pouca intensidade e sem brilho. O problema foi resolvido totalmente apenas a partir da terceira faixa, a clássica The Zoo, quando as guitarras de Matthias Jabs e Rudolf Schenker enfim acordaram. Não chegou a comprometer o todo.
Baladas conquistaram
A essência sonora do Scorpions é o peso. Junto do UFO e do Judas Priest, o grupo tem importância central no surgimento da sonoridade clássica metal. Ao vivo, a pegada agressiva persiste. Mas, ao menos em São Paulo, com público de cerca de 20 mil pessoas — o anel superior do Allianz estava fechado —, as músicas que mais conseguiram atiçar a plateia, morna na maior parte do tempo, foram as baladas: Send me an Angel, Wind of Change e Still Loving You.
Pra não dizer que não falei dos rocks
Em que pese o gosto paulistano por baladas, justiça seja feita a Rock You Like a Hurricane, que encerrou o show em alta voltagem e ecoando coros. Big City Nights, Blackout e The Zoo também mostraram seu poderio de fogo. Fãs do Scorpions dos anos 1970 também não puderam reclamar com a inclusão do ótimo medley Top of the Bill/Steamrock Fever/Speedy's Coming/Catch Your Train, emendado após a instrumental Coast to Coast, em que o vocalista Klaus Meine também arranha a guitarra.
Garoto setentão
O clichê de roqueiro que não envelhece ganha outra dimensão quando aplicado ao guitarrista Rudolf Schenker. Diferentemente de Jabs, mais discreto, e Klaus Meine, que possui os mesmos 71 anos e é mais paradão, Schenker parece ter um formigueiro nos pés -além de 30 anos a menos. De cabelos curtos descoloridos e óculos escuros aerodinâmicos, ele capricha nos riffs e solos e também na aeróbica com a guitarra. É um garotão, com aparência de guitarrista de new metal, que não cansa de correr.
Guitarra com fumaça
Vai ao Rock in Rio? Você pode esperar então por pirotecnia de arena. Primeiro durante o solo de bateria do ex-Motörhead Mikkey Dee, que nesse momento é içado por cabos em uma plataforma a cerca de seis metros do chão. O número, conduzido pelo bumbo duplo, é feito nos ares. Na sequência, Schenker surge com uma espécie de lança-chamas acoplado na guitarra, mas que em vez de fogo expele apenas fumaça "gelo seco". O telão, que em Make it Real exibiu uma bandeira brasileira tremulante, completa o combo com animações e luzes.
18 Comentários
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Sou mais o David Coverdale sem voz, até mudo, fazendo mímica, do que ouvir essa música pobre brasileira com Anitta, sertanojos, Pablo Vittar, etc.
Ouço as músicas do rock in Rio nas vitrolas dos brega e ou zona boemia . Hoje são bregas tais hits...