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"Bolsonaro está destruindo o planeta", diz Roger Waters em Veneza

Roger Waters chega ao Festival de Veneza, na Itália, para promover o filmes Us + Them - Ernesto Ruscio/Getty Images
Roger Waters chega ao Festival de Veneza, na Itália, para promover o filmes Us + Them
Imagem: Ernesto Ruscio/Getty Images

Bruno Ghetti

Colaboração para o UOL, em Veneza

06/09/2019 10h27

Pouco menos de um ano após causar polêmica no Brasil, quando em um concerto se mostrou publicamente contrário a Jair Bolsonaro, então candidato, Roger Waters voltou a se pronunciar contra o presidente brasileiro.

Na tarde desta sexta, no Festival de Veneza, onde apresenta fora de competição o longa Us + Them, Waters falou que o populismo torna Bolsonaro uma figura tão aceita no Brasil e que, como Donald Trump, "Bolsonaro está destruindo o planeta".

Quando esteve no Brasil em outubro do ano passado, Waters desagradou parte dos admiradores ao fazer um protesto contra Jair Bolsonaro - um telão elencava o então candidato a presidência ao lado de líderes mundiais, como Donald Trump, dos EUA, e Vladimir Putin, da Rússia, como um dos representantes do neofascismo do mundo.

"Estivemos no Brasil durante as eleições, não havia possibilidade de não entrar no assunto", diz Sean Evans, que assina a direção de Us + Them junto de Waters. "É parte da tática de Bolsonaro e de Trump de convencer classes mais desfavorecidas de que eles são seus ídolos, e as pessoas acabam acreditando [...] Teria sido impossível para ele não abordar o assunto"

O longa é um registro de um concerto da mais recente turnê do músico, Us + Them, em 2017, em Amsterdã. O fio condutor da apresentação é uma defesa dos refugiados que deixam seus países em desespero, em busca de sobrevivência em outros locais. Mas, ao longo do concerto, músicas, falas e um enorme telão ampliam o discurso, defendendo outras pautas progressistas.

Na tela, algumas figuras abstratas dividem espaço com outras bastante concretas, expondo situações de conflito. Militares prontos para o ataque também são figuras recorrentes. A mensagem é bastante clara: Waters é contra o neoliberalismo e a favor da defesa de grupos minoritários e historicamente oprimidos. Questões envolvendo raça, sexualidade, ecologia e gênero também entram na discussão.

A rigor, não combina muito com a pauta dos apoiadores de Bolsonaro, mas muitos dos fãs que estavam no show do Allianz Parque, em outubro, torceram o nariz para o músico. Seria possível ser fã de Waters e, ao mesmo tempo, apoiar um líder como Bolsonaro?

"Talvez não [compreendam minha mensagem], possivelmente não", diz Waters. "Infelizmente o populismo é forte no Brasil, na Europa, América Central... É causado pela disparidade econômica de quem tem todo o poder no mundo, que ataca quem distribui riqueza e poder."

"Ele está destruindo o planeta, como Donald Trump, Boris Johnson. [Seus apoiadores] Precisam de educação."

O músico aproveitou para elogiar Lula e dizer que sua prisão é injustificável. "É um herói monumental no Brasil, por todas as razões", disse Waters, que tentou agendar visitas ao ex-presidente em Curitiba, mas que jamais conseguiu permissão.

Com alguns sucessos como Wish You Were Here, Another Brick in The Wall e a faixa-título, o show é um espetáculo tanto para fãs e não iniciados à obra do ex-Pink Floyd.

"Todos que virem o filme vão reconhecer que tem ali um elemento político e humanitário. Eu acredito muito nos direitos humanos", diz o cantor.

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