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Sertanejo Kauan lembra travessia para EUA: "Emagreci 15 kg, vi gente morta"

Matheus (esq) e Kauan no "Conversa com Bial" - Divulgação
Matheus (esq) e Kauan no "Conversa com Bial" Imagem: Divulgação

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

08/05/2019 07h28

Matheus e Kauan falaram sobre a trajetória de vida no "Conversa com Bial" de ontem (7). Kauan recordou quando, ainda adolescente e desiludido, decidiu ir para os Estados Unidos, passando perrengues na travessia.

"Tinha 17 anos e queria experiências novas. Com os problemas que encarei na música, tinha desistido. Resolvi em três dias, comprei passagem, minha mãe não queria deixar de forma alguma. Fui por Panamá, Guatemala e México antes de conseguir entrar nos Estados Unidos", recorda, contando as dificuldades que encontrou.

"Em uma casa que cabiam 50 pessoas, tinham 200. Era muito louco, nem sei se hoje em dia é assim. Caminhei no deserto e passei do lado de gente morta, animais. Liso e sem nada, emagreci 15 kg na trajetória. Chegou um momento que pensei que não podia mais caminhar e eles te deixam pelo caminho, tem que esperar a polícia chegar para te levar de volta", relata.

Dona Sirlene, mãe da dupla, conta que ficou com o coração na mão. "Ele cismou que queria ir para lá, nada convenceu ele a ficar. Ofereci um carro, não adiantou. Essa aventura dele quase me mata de tanta preocupação", afirma, recordando a ligação dos coiotes, como são chamados os responsáveis por fazer a travessia ilegal, pedindo dinheiro.

"Depois de uma semana, nada de ele se comunicar, de eu saber o que estava acontecendo. Ligaram, a quantia era alta, tive que me 'virar nos 30'. Ele ficou 26 dias na travessia, foi só tensão na minha vida. Teve um dia que eles me ligaram e me mostraram que ele estava passando fome, foi muito pesado. Eu pedi para falar com ele para saber se ele estava vivo", emociona-se.

Mais novo, Matheus lembra dessa época. "Ele deixava todo mundo doido, demorou bem mais tempo para chegar. O pessoal ligava lá em casa, falando em espanhol, pedindo mais dinheiro para liberar ele para outro ponto. Lá, pediam mais ainda".

Chegando nos Estados Unidos, Kauan se virou. "Fui para Atlanta, onde tinha parentes, comecei a trabalhar em obra mesmo, com meu primo. A galera viu que eu cantava e comecei a fazer shows em barzinhos brasileiros. Voltei [para o Brasil] mais liso do que fui e vi que queria uma história nova na música".

BBB

A família poderia ter ficado conhecida há bem mais tempo que a dupla, caso o tio, Vicente Aleixo, tivesse sido selecionado para o "Big Brother Brasil", seu sonho. "Quis desde que eu era jovem, na primeira edição [2002]. Inclusive já me inscrevi de novo. Já fiz vídeo no carro, no cavalo, ninguém nunca quis ver", diverte-se Vicente, que acompanhava a conversa na plateia.

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