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Kendrick Lamar veio ao Brasil em seu auge, e no palco ele é hipnotizante

Ronald Rios

Colaboração para o UOL

08/04/2019 04h00

Vamos contextualizar: o ano é 2019 e eu vi o maior MC da atualidade ao vivo. Isso tem sido raro.

Vários artistas de rap gringo vieram pro Brasil nos últimos anos. Seja superstar ou underground/old school, a gente viu muita gente boa. Com um asterisco: raríssimos no seu auge. Todos vieram uns anos depois de serem os donos da bola. Não que vieram capengas - alguns sim -, mas o Nas não veio no "Illmatic", o Snoop Dogg não veio no "Doggystyle" e o Eminem não veio no "Marshall Mathers LP". O 2Pac ainda tem chance de vir via hologramas, mas também chegaria atrasado pro seu momento mais glorioso na carreira.

Mas ontem milhares de jovens puderam ver no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, o incontestável "top dawg" do rap internacional no seu auge depois duma sequência de álbuns que são, sem menor exagero, clássicos do gênero.

Ver Kendrick jovem, ainda na busca por superar a si mesmo, muito conectado com a plateia e ciente da importância e grandeza de seu nome, é uma experiência realmente extraordinária.

Kendrick no palco é hipnotizante. É um homem jovem, rápido, confiante e bonito, alterna entre furioso e sorridente, com muita disposição movendo-se pra cá e pra lá. Notei que ele brinca com as próprias rimas, muitas vezes variando velocidade ou voz das versões originais. Por vezes fazia o mesmo com algumas letras - é realmente um barato ver um artista tão confortável sobre seu material assim no palco. Na frente de milhares de pessoas.

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Ele joga com a plateia, tem conversas autênticas mesmo. Fala que um fã acaba de gritar pedindo uma música do "Section 80", seu álbum pré-"Aftermath" (gravadora do Dr. Dre): "Não, mas aí é longe demais". E fica sempre em êxtase quando vê o povo puxando as antigas com entusiasmo.

Eu não consigo nem cantar junto. Só olho e agradeço. É um luxo. Fico tentando memorizar cada momento pra eternidade.

O show é baseado boa parte no último disco solo de Kendrick, "DAMN", de 2017. Ele ainda contempla alguns hits dos primeiros discos dele pela "Aftermath", "Good Kid M.A.A.D City" e "To Pimp a Butterfly". O setlist é idêntico ao que Kendrick vem fazendo há tempos. Uma noite sem surpresas, mas com um roteiro perfeito desses, tá tranquilo.

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