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"Máquinas Mortais": o que esperar do novo filme do Peter Jackson?

Divulgação
Cena do filme "Máquinas Mortais" Imagem: Divulgação

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

07/12/2018 07h24

Peter Jackson está animado com sua nova aventura, "Máquinas Mortais", baseada na obra homônima de Philip Reeve. "Quando leio um livro fantástico quero sempre ver [sua versão] em filme", disse o cineasta durante painel na CCXP 2018 (Comic Con Experience), quando apareceu em uma transmissão ao vivo via satélite nesta quinta-feira (6).

Isso todos sabemos. O cineasta adaptou nas últimas décadas a trilogia de "O Senhor dos Anéis", e transformou em três filmes o livro "O Hobbit". Maior referência em J.R.R. Tolkien nos cinemas, o diretor serve como produtor e roteirista (além de fazer a maior propaganda) para "Máquinas Mortais".

O projeto tem como diretor o novato Christian Rivers, seu braço direito no departamento de arte de "King Kong" (2005) e que ganhou a confiança do vencedor do Oscar para pegar um lugar na cadeira de cineasta. O teor continua épico, do jeito que Jackson gosta, e o grande risco do filme é conseguir abraçar toda a complexidade do seu mote central.

O novo projeto apresenta um mundo destruído, em que cidades literalmente engolem outras cidades. Este "darwinismo municipal" é representado com primor no filme, em efeitos visuais impressionantes e momentos de tensão que lembram os clássicos de Jackson..

Um trecho exclusivo de 25 minutos de "Máquinas Mortais" foi exibido na CCXP, mostrando como Londres acaba digerindo uma cidade pequena. A perseguição em escala gigante é carregada de emoção, e é interessante como Jackson e Rivers adaptaram a ideia genial do escritor Philip Reeve. Por outro lado, as cenas seguintes quebram totalmente o ritmo contagiante do que foi visto, dando outro tom para o projeto.

Os protagonistas são Hera Hilmar (a jovem Hester Shaw) e Hugo Weaving (que vive o poderoso Thaddeus Valentina). A garota quer se vingar do líder da comunidade de Londres por ter matado sua mãe, e este fica assustado quando descobre que seu segredo pode ser revelado. E, por enquanto, tudo ainda é muito misterioso -- o que é ótimo.

Robert Sheehan vive Tom, um garoto cuja família era fanática por história e que estudou tudo o que aconteceu na guerra que mexeu com as estruturas do mundo. Ele passa por objetos recolhidos durante as batalhas entre as cidades, e alguns easter eggs aparecem, como os Minions e um iPhone.

A sacada inesperada vai na contramão do trecho, parado e tedioso em comparação ao momento anterior, em que Londres devorou uma cidade menor. Porém, assim que seu líder vira um alvo de Hester, os momentos de tensão voltam e ele começa a perseguir a menina dentro das maquinarias da cidade sobre rodas.

Eles escapam de garras afiadas, explosões e enormes peças metálicas caindo. A cena toda é muito bonita e dá para entender por que Christian Rivers foi tão elogiado pelos efeitos visuais de "King Kong". No final do vídeo, Tom é traído pelo seu líder e cai em um fosso com Hester.

"Vocês vão ver algo inédito", garantiu Jackson durante o painel. "O enredo se passa no futuro, daqui a três mil anos, em que cidades andam sobre rodas e os personagens são muito interessantes. É bom para ir ao cinema pelo menos duas vezes".

"O maior desafio do filme foi dar personalidade para as cidades, que funcionam como personagens", explica o diretor Philip Reeve, que ainda falou das construções dos próprios protagonistas do filme. "É o nosso mundo, não é preto ou branco, há muita complexidade. Nós quisemos ser fiéis ao que Philip escreveu, e a questão do filme é ver a relação entre Hester e Thaddeus."

Outro fator importante de "Máquinas Mortais" é que o filme tem pitadas de steampunk, ainda tímido em Hollywood mas popular nas graphic novels e nos games. O design das cidades e até a caracterização dos personagens são muito bem construídas, parecendo um jogo de videogame sendo exibido diretamente nas telonas.

Com uma história interessante e ao mesmo tempo perigosa pela complexidade, "Máquinas Mortais" chega aos cinemas brasileiros em 10 de janeiro de 2019.