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Em entrevista inédita, Kurt Cobain critica rappers brancos e misoginia

Kurt Cobain, líder do Nirvana - Reprodução
Kurt Cobain, líder do Nirvana Imagem: Reprodução

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

22/11/2018 14h16

Uma entrevista conduzida por um jornalista amador com o frontman do Nirvana, Kurt Cobain, veio à tona após quase três décadas na gaveta. A conversa entre Cobain e Robert Lorusso, que hoje trabalha como professor de física em Londres, no Reino Unido, aconteceu em 1991, pouco antes do lançamento do disco "Nevermind".

Em um dos trechos mais francos da entrevista, Cobain fala sobre sua admiração pelo rap como gênero musical, mas critica as letras misóginas de alguns sucessos do estilo, e especialmente a inserção de artistas brancos nele. As informações são da emissora canadense CTV.

"Sou fã de rap, mas a maioria é tão misógina que nem consigo lidar com isso. Eu respeito e amo porque é uma das únicas formas originais de música que foram introduzidas recentemente, mas ver um homem branco fazendo rap é como assistir a um homem branco dançando. Nós não sabemos dançar, e não sabemos fazer rap", alfineta o cantor.

Cobain também fala sobre o primeiro contrato do Nirvana com uma gravadora, e como ele não foi muito vantajoso para os membros da banda. "No fim, só ficamos com uns US$ 20 mil para comprar instrumentos e outros equipamentos. Eu nem tenho onde morar agora", diz ele.

As muitas reservas de Cobain quanto à fama que sua banda estava prestes a ganhar já eram evidentes na entrevista. "Eu estou um pouco cansado de responder sempre as mesmas perguntas. É compreensível, porque eles não sabem muito da nossa história, então sempre perguntam as mesmas coisas", comenta.

Perguntado sobre o futuro, o vocalista dá uma resposta caracteristicamente enigmática: "Qualquer coisa. Eu não sei. Jogar televisões da janela, comer peixe no jantar, extintores de incêndio, fogos de artifício", brinca.