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"Crepúsculo" comemora 10 anos no cinema: qual é o legado da saga?

Edward Cullen (Robert Pattinson), de "A Saga Crepúsculo" - Divulgação
Edward Cullen (Robert Pattinson), de "A Saga Crepúsculo" Imagem: Divulgação

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

21/11/2018 12h28

Um vampiro cintilante, um lobisomem simpático e uma garota humana se envolvem em um triângulo amoroso. Esta receita simples de sucesso fez de "Crepúsculo", de Stephenie Meyer, um fenômeno editorial quando foi lançado nas livrarias -- exatamente dez anos atrás, em 21 de novembro de 2008, o best-seller chegava aos cinemas para repetir o sucesso.

A versão cinematográfica de "Crepúsculo", dirigida por Catherine Hardwicke ("Aos Treze"), foi feita por menos de US$ 40 milhões e arrecadou mais de US$ 390 milhões ao redor do mundo. Estes números só fariam crescer nas quatro continuações, lançadas até 2012.

A popularidade de "Crepúsculo", especialmente entre garotas na flor da adolescência, fez com que a rejeição à saga também viesse com força. O resultado é uma rica história de uma década de amor e ódio, críticas e elogios, análises sérias e fofocas.

Nesta data marcante, no entanto, vale perguntar: depois de tudo isso, de todo esse dinheiro e essa polêmica, qual é o real legado de "Crepúsculo" para a cultura pop e para o cinema?

Cena de "Crepúsculo" (2008) - Cascade Sotheby's International Realty - Cascade Sotheby's International Realty
Cena de "Crepúsculo" (2008)
Imagem: Cascade Sotheby's International Realty

Sucesso difícil de replicar

Se os milhões de "Harry Potter" já haviam levado estúdios de Hollywood a tentar começar franquias inspiradas em sagas literárias infantojuvenis, "Crepúsculo" intensificou esta corrida e o número de fracassos gerado por ela.

Uma multidão de adaptações literárias do gênero YA (Young adult, ou "jovem adulto", em referência ao público alvo dos livros) invadiu os multiplexes. A maioria contava com criaturas sobrenaturais e as heroínas ou, mais raramente, heróis humanos apaixonados por elas.

Hollywood tentou fisgar os fãs de "Crepúsculo" com os feiticeiros de "Dezesseis Luas" (2013), os anjos e demônios de "Os Instrumentos Mortais" (2013), o playboy amaldiçoado de "A Fera" (2011), e a alienígena de "A Hospedeira" (2013, inspirada em outra obra de Meyer), entre vários outros.

Todos estes títulos acabaram afundando nas bilheterias. Apesar de todas as críticas lançadas contra "Crepúsculo" (muitas delas merecidas), a vantagem de sua adaptação cinematográfica sobre as outras era que a diretora, Catherine Hardwicke, sabia exatamente o tipo de filme que estava fazendo.

O "Crepúsculo" de 2008 não foge do seu apelo trash, exibindo com orgulho tanto as cenas românticas mais melosas quanto os efeitos especiais toscos dos momentos de ação. Ao abraçar o nicho em que se encontra, e não tentar fugir para o centro e criar mais um espetáculo hollywoodiano, o filme ganha pontos por charme e se torna compulsivamente "assistível".

Catherine Hardwicke, Kristen Stewart e Stephenie Meyer no set de "Crepúsculo" - Divulgação - Divulgação
Catherine Hardwicke, Kristen Stewart e Stephenie Meyer no set de "Crepúsculo"
Imagem: Divulgação

O dilema do YA

Por causa de tantos fracassos, e apesar de alguns sucessos (vide "Jogos Vorazes"), a relação de Hollywood com os livros e sagas YA se tornou amarga e hesitante nos últimos anos. Enquanto isso, no mercado editorial, o gênero evoluiu.

boom provocado por "Crepúsculo", que reforçou e complementou um incentivo para o lançamento de livros infantojuvenis iniciado por "Harry Potter" no mercado editorial, aos poucos deu espaço para autores hábeis e histórias inteligentes, que discutem temas importantes com adolescentes sem subestimar suas inteligências.

São livros como "The Sacred Lies of Minnow Bly", de Stephanie Oakes. Ainda inédito no Brasil, ele discute deficiências físicas, encarceramento juvenil, cultos religiosos e muito mais. Recentemente, se transformou na série "Sacred Lies", distribuída pelo Facebook Watch.

Histórias LGBTQ+ também entraram com força no cânone de YA. De "Com Amor, Simon" a "O Mau Exemplo de Cameron Post", elas depois ganharam os cinemas com produções mais modestas. Também este ano uma adaptação de "O Ódio que Você Semeia" voltou a afirmar a importância social do gênero. 

Cena de "Crepúsculo" (2008) - Divulgação - Divulgação
Cena de "Crepúsculo" (2008)
Imagem: Divulgação

Kristen & Rob

O outro legado óbvio de "Crepúsculo" é a popularidade de seus dois astros principais. Nem Kristen Stewart, nem Robert Pattinson eram novatos na atuação quando conseguiram os papéis de Bella Swan e Edward Cullen, respectivamente, no filme.

Stewart havia colecionado elogios por suas atuações em "O Quarto do Pânico" (2001), com Jodie Foster, "O Silêncio de Melinda" (2004) e "Na Natureza Selvagem" (2007). Já Pattinson havia feito fama como Cedrigo Diggory em "Harry Potter e o Cálice de Fogo" (2005)

As escolhas que ambos fizeram nas carreiras desde então surpreenderam muita gente. Ambos procuraram fugir dos blockbusters e encontraram aclamação por seus papéis em filmes independentes.

Stewart foi a primeira atriz americana a vencer um César (o Oscar francês), por "Acima das Nuvens" (2014). Pattinson povoou especulações de Oscar por sua performance em "Bom Comportamento" (2017), embora a indicação não tenha saído.

Os intérpretes de Bella e Edward foram parar mais longe de "Crepúsculo" do que a maioria dos fãs poderia esperar. Suas trajetórias únicas garantem que a saga criada por Meyer dificilmente será esquecida.