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Secretário de Cultura nega chantagem a diretor de instituto do Theatro Municipal

Secretário de Municipal de Cultura André Sturm, durante coletiva de imprensa sobre a nova gestão do Teatro Municipal, na prefeitura - Ricardo Bastos/Foto Arena/Estadão Conteúdo
Secretário de Municipal de Cultura André Sturm, durante coletiva de imprensa sobre a nova gestão do Teatro Municipal, na prefeitura Imagem: Ricardo Bastos/Foto Arena/Estadão Conteúdo

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

14/11/2018 21h50

Acusado de chantagear Jimmy Keller, diretor financeiro e de operações do Instituto Odeon, que gerencia as atividades do Theatro Municipal de São Paulo, o secretário de Cultura André Sturm afirma ao UOL que em nenhum momento tentou coagir o funcionário, já que ele não tem poder de aprovar ou desaprovar prestações de contas apresentadas à Prefeitura de São Paulo.

Em um áudio de conversa divulgado pela pela rádio CBN, gravado sem consentimento do secretário, Sturm diz que Keller deve romper amigavelmente o contrato, sem precisar recorrer à Justiça, o que já teria sido acordado anteriormente.

"Se eu não quisesse fazer amigável eu já tinha feito litigioso. Se eu tenho razão ou não, pode discutir na Justiça. Mas se eu quisesse fazer o litigioso, eu já poderia ter feito. Eu estou tentando construir uma saída que eu considero melhor. Que é na boa, fofinho”, afirma o secretário no áudio.

“Desentendimento, questões, isso fica meio subjetivo. Mas se quiser litigiar, a gente é fácil de litigiar", completou Sturm na gravação. "Agora, eu não vou dizer obviamente que está tudo certo antes de vocês concordarem em sair. Não vou ficar me apegando a picuinha. Tenho mais o que fazer na vida."

No entendimento da cúpula do instituto, André Sturm estaria com essa fala condicionando a aprovação de prestação de contas à saída do Odeon do Theatro Municipal de São Paulo. A secretaria de Cultura, por sua vez, frisa sua insatisfação com a gestão.

Em entrevista ao jornal "Estado de São Paulo", Carlos Gradim, diretor-presidente do Odeon, explica que, em um primeiro momento, após deliberação interna, o próprio instituto Odeon optou por romper o contrato no fim de outubro, mas havia uma condição.

"Mas informamos que só faríamos isso depois de resolvermos todas as pendências jurídicas. Mensalmente, por exemplo, enviamos prestações de contas que nunca foram aprovadas ou negadas. Sem resolver questões como essas, não haveria distrato”, afirma ao periódico.

“Mas hoje pela manhã, como essas questões não haviam sido resolvidas, eu me recusei a assinar o distrato. E recebemos em seguida uma notificação que não nos informa do fim do contrato, mas, sim, sugere essa possibilidade tendo em vista o que eles consideram irregularidades na nossa gestão.”

Público chega ao Teatro Municipal de São Paulo neste sábado (19) para assistir a Ópera La Traviata, que abre a programação da Virada Cultural - Henrique Barreto/Futura Press - Henrique Barreto/Futura Press
Público chega ao Teatro Municipal de São Paulo neste sábado (19) para assistir a Ópera La Traviata, que abre a programação da Virada Culturall
Imagem: Henrique Barreto/Futura Press

Críticas

Ao UOL Sturm diz faltar eficiência e transparência ao instituto, que desde início havia se comprometido a romper de forma amigável e bilateral o acordo, firmado por meio de Termo de Colaboração. Em nota, a secretaria confirmou que o instituto foi formalmente notificado sobre a rescisão nesta quarta (14).

“No dia 31 de outubro, a rescisão bilateral até 14 de novembro havia sido formalizada, após longo de um período de conversas. E eles simplesmente chegaram agora e afirmaram que não queriam mais", desabafa o secretário, em entrevista por telefone.

"Ontem chamei o Jimmy, uma pessoa que eu tinha confiança, mas não tenho mais, porque a conversa da nossa última reunião tinha ficado esquisita. Perguntei o que está acontecendo. E ele disse que não sabia de nada. É uma sucessão de falhas que nos preocupa profundamente, porque envolve muito dinheiro, gente e responsabilidade."

O secretário afirma, no entanto, que não pretende tomar providências sobre mais este vazamento de áudio, que classifica de "golpe baixo". "Entrar numa reunião que a pessoa busca entendimento e ser gravado escondido? Já fui alvo dessas gravações algumas vezes. É algo muito baixo. Não me arrependo de nada que falei."

Histórico

O Instituto Odeon assumiu a administração do Municipal no último mês de setembro, com contrato até 2021. O acordo previa repasses na ordem de R$ 600 milhões, que seriam usados para administrar o teatro e pagar salários de cerca 400 integrantes do corpo artístico.

A escolha pelo instituto, feita por meio de chamamento público da Secretaria de Cultura, foi cercada de polêmicas. O Odeon havia ficado em segundo lugar no edital de licitação, atrás do Instituto Casa da Ópera, mas o Tribunal de Contas do Município determinou a apuração de irregularidades na classificação, e a Casa da Ópera acabou desclassificada.

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