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Divertida e eletrizante, "Killing Eve" é uma das melhores séries do ano

Sandra Oh e Jodie Comer em cena de "Killing Eve" - Reprodução
Sandra Oh e Jodie Comer em cena de "Killing Eve"
Imagem: Reprodução

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

12/11/2018 04h00

“Killing Eve”, recém-chegada ao Brasil pelo Globoplay, traz uma história mais do que conhecida: a do espião que vive um jogo de gato e rato com um fora da lei. Mas o que torna a série da BBC America uma das melhores do ano é a forma como ela subverte deliciosamente os clichês do gênero, colocando duas mulheres como protagonistas de uma trama deliciosa recheada de puro sarcasmo britânico.

Em uma ponta, está Eve Polastri (Sandra Oh, em seu retorno à TV pós-“Grey’s Anatomy”). Ela tem um trabalho burocrático no MI5, a agência de inteligência britânica, que fica muito mais interessante quando ela se convence de que há uma perigosa assassina em série realizando ataques por toda a Europa. Sua teoria é sumariamente descartada por seu chefe, só para ser logo depois confirmada por uma experiente oficial (Fiona Shaw), que a recruta.

A assassina em questão é Vilanelle (Jodie Comer), uma psicopata estranhamente aficionada por roupas de grife. Ela se diverte (e muito) com seu trabalho, executado sempre de forma, digamos, criativa -- um prendedor de cabelos se mostra mais do que letal em certo momento da série.

Ao longo dos oito episódios da série, a tensão entre Eve e Vilanelle só cresce, beirando o sexual. As duas se veem cada vez mais obcecadas pela outra – Eve assume como sua missão prender Vilanelle, que por sua vez passa se exibir demais para a agente, colocando a si mesma em risco.

A caçada que se desenrola é eletrizante, com uma boa dose de reviravoltas. E ela nunca se torna pesada ou enfadonha, graças ao humor ácido trazido pela criadora Phoebe Waller-Bridge, da elogiadíssima “Fleabag”. Ele está lá em todos os episódios, seja em tiradas espirituosas sobre a vida no escritório ou na peça que Vilanelle prega em seu chefe, fingindo-se de morta em um espalhafatoso vestido rosa.

A maior qualidade de “Killing Eve”, no entanto, está em suas protagonistas, que fazem valer cada minuto da série. Sandra Oh cria uma Eve brilhante e insegura, com a qual é muito fácil se identificar – ela é obstinada, mas não tem respostas prontas e nem sempre sabe que caminho seguir. Já Jodie Comer é fascinante como Vilanelle, igualmente engraçada e assustadora. A atriz parece estar se divertindo à beça no papel da vilã, que vai ganhando complexidade conforme a trama avança.

“Killing Eve” é irresistível. E o melhor: já está renovada para uma segunda temporada.