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Enfrentando dificuldades, Festival do Rio aposta em clássicos restaurados

Abertura do Festival do Rio foi realizada na noite dessa quinta-feira (1) - Davi Campana/Divulgação
Abertura do Festival do Rio foi realizada na noite dessa quinta-feira (1) Imagem: Davi Campana/Divulgação

Carlos Helí de Almeida

Colaboração para o UOL, no Rio

02/11/2018 07h53

A abertura da 20ª edição do Festival do Rio, na noite desta quinta-feira (1º), no Cine Odeon, foi marcada por figurinos e discursos mais sóbrios, mas não menos potentes. A informalidade da plateia, abrilhantada pela presença de atrizes como Betty Faria e Julia Lemmertz, refletiu o momento atravessado pelo evento que, abalado pela fuga de patrocinadores, “esteve na eminência de não acontecer”, como lembrou Walkíria Barbosa, codiretora da mostra.

Pelo segundo ano consecutivo, a Prefeitura do Rio, um de seus principais apoiadores, deixou de patrocinar a maratona carioca, um dos mais importantes eventos do calendário cultural brasileiro. Apesar de todas as dificuldades, o festival, previsto originalmente para o mês de outubro e adiado em função desta indefinição financeira, conseguiu montar uma programação com cerca de 200 títulos de 60 países, que ficará em cartaz até o dia 11.

"Quero dedicar este festival a todos os artistas de todas as áreas da cultura que vêm fazendo coisas maravilhosas por esse país. Cultura é capital para o desenvolvimento, gera emprego, paga impostos. Cultura é a arma mais importante de uma nação", discursou Walkíria, sem fazer mencionar qualquer órgão público.

Ao lado dela, Ilda Santiago, codiretora do festival, ressaltou a importância da contribuição de distribuidores, produtores, realizadores e consulados na realização do evento. Foram eles que tornaram possível a vinda de cineastas como o francês Olivier Assayas, que virá ao Rio apresentar “Vidas Duplas”, seu mais novo longa-metragem, estrelado por Juliette Binoche e Guillaume Canet. Ou a expressiva quantidade de títulos brasileiros – 64, entre longas e curtas –  a mostra Première Brasil, o carro-chefe da programação.

Cerimônia de abertura do festival aconteceu no Cine Odeon - Davi Campana/Divulgação - Davi Campana/Divulgação
Cerimônia de abertura do festival aconteceu no Cine Odeon
Imagem: Davi Campana/Divulgação

"Este foi um ano de enormes desafios, profundas reflexões. De fato, houve momentos em que pensamos em recuar, em jogar a toalha, mas seguramos nas mãos dos amigos parceiros e acreditamos neles", contou Ilda. "Não são apenas 20 anos de festival, são 20 anos de cinema brasileiro, 20 anos acreditando na cidade, no estado, no país. O que entregamos hoje à cidade, é resultado de um esforço enorme. Vamos fazer desses 10 dias uma celebração de encontro concreto de todos nós".

Entre os trunfos da edição deste ano está a exibição de quatro clássicos do cinema brasileiro com cópias restauradas: "Rio 40 Graus" (1955) e "Rio Zona Norte" (1957), ambos de Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), "Pixote – A Lei do Mais Fraco" (1981), de Hector Babenco (1946-2016), e "Central do Brasil" (1998), de Walter Salles.

"Quando fazemos a seleção de filmes, é difícil encontrar as ligações entre eles. Mas, quando vi esses clássicos juntos, percebi o quanto eles ainda falam, infelizmente, do que ainda somos. Eles falam do quanto nós, brasileiros, somos românticos, que acreditamos em muitas coisas, mas que também tropeçamos. São profundamente modernos, contemporâneos. Seria muito bom a gente começar a pensar pra frente, para que esses filmes sejam parte de nosso passado e não o futuro", analisou Ilda.

A cerimônia prosseguiu com exibição do thriller "As Viúvas", de Steve McQueen ("12 Anos de Escravidão"), protagonizado pela americana Viola Davis, vencedora do Oscar por seu desempenho no drama "Um Limite Entre Nós" (2017). O filme descreve a revanche de quatro mulheres de Chicago contra as dívidas deixadas pelos maridos, criminosos mortos durante uma operação da polícia.

"Esse é um festival muito importante, porque é um evento da democracia, da diversidade. Desde o nascedouro, ele entendeu todas as diferenças e procurou abraçar tudo o que acontece no Brasil e no mundo. E continuaremos a ser assim, independentemente de qualquer coisa, qualquer obstáculo, porque juntos, somos fortes", exaltou Walkíria Barbosa.