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Robyn "sumiu" por oito anos, mas disco "Honey" faz a espera valer a pena

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

26/10/2018 13h32

Em "Missing U", primeiro single do disco "Honey", Robyn materializa dolorosamente a sensação de sentir falta de alguém. "Baby, é tão real para mim, agora que acabou/ O espaço onde você costumava estar/ Sua cabeça no meu ombro", canta nos primeiros versos, enquanto um sintetizador pulsante chama o ouvinte para dançar.

É uma sensação comum para os fãs da cantora, que celebram a forma como Robyn injeta melancolia em seus hinos de pista de dança. "Perder alguém é a coisa que mais te desestabiliza", diz ela à revista "Entertainment Weekly". "Você fica nas mãos de seu pesar, e descobre coisas sobre si mesma que é impossível descobrir de outro jeito".

Lançado oficialmente nesta sexta-feira (26), "Honey" é o primeiro álbum completo de Robyn em oito anos. Nesse tempo, a sueca liberou dois EPs colaborativos e fez shows isolados desde o lançamento de "Body Talk", em 2010. Mas o novo álbum faz a espera valer a pena.

"Honey" é uma viagem emocional em forma de música, um disco que corajosamente investe em uma jornada de luto, desespero e recuperação. As doídas primeiras faixas culminam em "Because It's in the Music", que empresta noções da disco music para criar uma melodramática e deliciosa balada de separação amorosa.

A porção mais experimental do álbum vem com "Baby Forgive Me" se dissolvendo inesperadamente na sucessora, "Send to Robin Immediately", e desaguando na faixa título, "Honey". De repente, o mundo pop de Robyn entra em espiral e é possível ouvir influências da ambient music e dos momentos mais melancólicos de Moby, enquanto a cantora versa sobre a recuperação de um grande baque emocional.

"Between the Lines", "Beach 2k20" e "Ever Again" fecham o disco com um tom leve e sexy, trazendo baixo marcante e percussão tropical que não faziam parte do repertório de Robyn até este álbum. O mais bacana de "Honey" é perceber como cada uma das fases diferentes do disco vive dentro da outra, em uma coesão musical que é indiscutivelmente uma das grandes qualidades de Robyn. Independente do sentimento específico que ela expressa em cada faixa, o mesmo coração musical bate por trás delas.

A história por trás do disco

Conhecer a história por trás do disco ajuda a entender a obra. "Honey" é fruto de um período sombrio que começou com o fim do namoro de Robyn com Max Vitali, diretor do clipe de "Call Your Girlfriend", um de seus maiores hits. Pouco depois, veio a morte de Christian Falk, um produtor com quem Robyn trabalhava desde o seu disco de estreia, em 1995, alguém que ela definia como um mentor e amigo.

Anos marcados por isolamento e dificuldade criativa se seguiram, mas Robyn diz que está "fora da escuridão" atualmente. "Eu não gosto de ouvir que eu retornei. Eu me tornei outra pessoa, ou algo assim. Quando tudo aconteceu, eu senti que muitas coisas nas quais eu acreditava não eram mais verdadeiras", diz a cantora à "Entertainment Weekly".

"Body Talk" é a chave para entender Robyn e sua influência. É impressionante notar como a reputação do disco fez com que a cantora continuasse relevante mesmo após oito anos de silêncio. Os hits "Dancing on My Own" e "Call Your Girlfriend", por exemplo, se tornaram onipresentes no cenário pop, favoritos dos artistas cover do YouTube e de programas de calouros.

Ajuda que toda uma geração influenciada por Robyn tenha dominado a música pop internacional nestes oito anos: Carly Rae Jepsen, dona do hit "Call Me Maybe", é fã confessa; Lorde, a garota-prodígio neozelandesa que surgiu com "Royals", empresta de Robyn a percepção da música pop como o cenário perfeito para remoer e superar feridas; Dua Lipa, Foxes, Selena Gomez... é fácil encontrar pedaços de Robyn nos sucessos de cada uma delas.

A história de Robyn é a história de uma voz única, que moldou o cenário pop. Calada por tanto tempo, ela volta transformada e essencial.

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