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Rejeitada, "...Baby One More Time" mudou a história do pop com Britney Spears

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Britney Spears em cena do clipe "...Baby One More Time" Imagem: Reprodução

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

24/10/2018 04h00

Max Martin acordou no meio da noite com uma frase e uma melodia na cabeça. Cambaleando, levantou-se da cama, procurou por seu gravador, apertou "rec" e cantarolou : "Hit me baby one more time". Vinte anos depois, já sabemos como "...Baby One More Time" se tornou uma das canções que ajudaram a mudar a história da música pop na voz de Britney Spears. Lançada em 23 de outubro de 1998, a faixa somou números impressionantes e dominou o lugar mais alto das paradas no mundo inteiro.

Os números de hoje comprovam o sucesso da canção, que abriu portas para a ascensão de uma vertente mais dançante do pop, que, em 1998, era dominado por baladas nas vozes de potentes cantoras. Com Britney, "...Baby One More Time" mostrava uma possibilidade diferente ao gênero, com uma voz mais sussurrada e um tom que agradava aos adolescentes.

No entanto, Max Martin teve algumas portas fechadas antes de emplacar uma canção sua no topo das paradas. O compositor sueco sabia do potencial de sua música e a ofereceu primeiro para o grupo de R&B TLC, que não quis usar o "hit me" no refrão. Hoje também badalado, o produtor Simon Cowell mostrou certo interesse na música para o grupo Five, mas pediu que Max a reescrevesse. No fim da contas, sem uma grande oferta da indústria, "...Baby One Morte Time" acabou nas mãos de uma iniciante que havia assinado com a gravadora Jive: Britney Spears.

Kevork Djansezian/Getty Images
O compositor Max Martin, compositor de "...Baby One More Time" Imagem: Kevork Djansezian/Getty Images

"Eu acho Max um gênio. Tudo se uniu perfeitamente e fez sentido", disse a cantora ao The Guardian neste ano. Nos anos seguintes, Max escreveu 22 canções que estiveram no topo da Billboard, como "I Want It That Way", do Backstreet Boys, e "It's My Life", do Bon Jovi.

Com a música gravada, Britney e sua equipe começaram a pensar no clipe, que acabou sendo gravado em uma escola de Venice, nos Estados Unidos, que também foi cenário do filme "Grease". A ideia de incorporar elementos de uma adolescente entediada com o colegial, sensualidade e música foi a fórmula perfeita para a explosão do hit.

"Todas as roupas foram compradas no supermercado. Nada que foi usado ali custou mais que US$ 17 cada uma. É algo real. Provavelmente isso faz parte do charme", afirmou Nigel Dick, diretor do vídeo, ao site da MTV em 2009.

Naturalmente, "...Baby One More Time" foi alvo de ataques, principalmente pela imagem infantil que Britney passa no vídeo, além do exagero de conotação sexual em suas expressões. No entanto, também é possível fazer a leitura de uma popstar no controle da situação, comandando suas atitudes e sem se importar em exibir sua sensualidade.

Inclusive, de acordo com a NME, a ideia dos uniformes de colegial havia partido da própria Britney, que refutou as calças jeans e camisetas propostas originalmente por Nick.

Diante de algumas rejeições e muita hesitação sobre o potencial daquela música, ainda mais com aquela iniciante de voz sensual, "...Baby One More Time" não foi só determinante para as carreiras de Britney e Max, mas ajudou a moldar o pop do início dos anos 2000.

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