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"Obra de Van Damme não será esquecida", diz integrante do Choque de Cultura

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Humoristas do "Choque de Cultura" do canal da "TV Quase" Imagem: Reprodução

Matias Maxx

Colaboração para o UOL, do Rio

22/10/2018 04h00

Achou que o "Choque de Cultura" não ia virar livro? Achou errado, otário! No próximo dia 5, chega às livrarias "Choque de Cultura: 79 Filmes para Ver Enquanto Dirige" (Record, 240 pág., R$ 37,90), que entrou na lista de mais vendidos da Amazon assim que entrou na pré-venda.

Cada resenha vem com um subtítulo do tipo "Todo mundo odeia Cristo", sobre "A Paixão de Cristo"; "Tortura policial para toda família", acerca de "Tropa de Elite"; e "Exploração infantil purinha", de "Karate Kid". Mas será que os jovens fãs do grupo conhecem os filmes resenhados?

Raul Chequer, que faz Maurílio dos Anjos, o proprietário da Kombi branca mais cult do YouTube, responde: "Não faço ideia como é a 'Sessão da Tarde' de hoje nem sei se as pessoas ainda assistem, mas às vezes é até um estímulo para eles verem 'A Lagoa Azul'".

Estamos aí pra não deixar a obra do Van Damme cair no esquecimento.

Daniel Furlan, o Renan da Towner azul bebê.

Além das críticas, assinadas individualmente pelos apresentadores, o livro também inclui um "glossário fundamental do cinema mundial" assinado por Maurílio, que trabalha com transporte de cinema, um recado final obviamente assinado por Renan e as ilustrações feitas pelo filho dele, que, na verdade, são do músico capixaba Fabio Mozine.

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Capa de "Choque de Cultura: 79 Filmes para Ver Enquanto Dirige" Imagem: Reprodução
Não faltam nem as máximas incorretas de Rogerinho do Ingá: "Depois da invenção do WhatsApp, o trânsito não é mais desculpa pra nada"; ou "A buzina é uma arma educativa que deve ser mais usada".

Embora a redação final de cada um dos textos fique a cargo do redator/ator que interpreta o personagem em questão, o trabalho é uma criação coletiva, realizado pelas mesmas oito cabeças que compõem o núcleo criativo do "Choque de Cultura" na web.

Além dos roteiristas e atores Chequer, Furlan, Caito Mainer e Leandro Ramos, participam também Juliano Enrico, David Benicá, Pedro Leite e o diretor Fernando Fraiha.

O "Choque" é mais uma das várias realizações da galera da TV Quase, responsável pelos bem-sucedidos programas "Falha de Cobertura", cuja edição mais recente foi no UOL; "Último Programa do Mundo", que começou na antiga MTV e hoje está na Fox, e a animação "O Irmão do Jorel", exibida no Cartoon.

O que pouca gente sabe é que o nome do canal vem da revista independente "Quase", que circulou entre 2002 e 2009, da qual Daniel Furlan, Raul Chequer e Juliano Enrico fizeram parte.

"Acima de tudo, a gente é roteirista, né? Muitas ideias daquela época ainda fazem parte, outras foram pro lixo. Aprendemos a trampar com humor na revista, depois vieram outras paradas no audiovisual", explica Raul.

"A gente foi pirando cada vez mais no humor absurdo. Daí encontramos com o Caito, o Leandro e o Pedro, que piram pacas nesse tipo de humor absurdo. Leandro e Caito fizeram o 'Larica Total', Pedro era roteirista na MTV, um cara foda", completa.

Programa na Globo

Se nas primeiras temporadas do "Choque de Cultura" os roteiristas não conheciam muito bem os personagens e até onde eles poderiam ir, a realização do livro, às vésperas da estreia na Globo, deu a chance fundamentar o universo dos personagens. 

Sempre rolando de rir, vamos conhecendo melhor a história de vida deles: como Rogerinho do Ingá aprendeu a pilotar de ré, as circunstâncias que levaram Julinho a morar com a avó e a terna sensação de Renan ao segurar o filho Renanzinho pela primeira vez. 

"O livro foi quando a gente conseguiu parar pra pensar mais sobre esses caras e o que eles pensam, mas tivemos o cuidado de não repetir as mesmas piadas no livro e na temporada da Globo, apesar de alguns temas serem recorrentes", diz Chequer.

"Tem piada no livro e na televisão sobre 'Crepúsculo' e maquiagem, mas não é a mesma piada, para não ficar uma parada repetida", exemplifica.

Chequer contou ainda como o grupo se adaptou para a TV aberta em um horário de classificação livre. "A única coisa que não rola nesse horário é palavrão descarado."

No final das contas, a gente descobriu que a classificação indicativa é muito bizarra porque você não pode falar piroca, mas vale genitália ou pênis. Coisas que na boca do Renan ficam mais engraçadas do que um palavrão.
 
O estilo tacanho e grosseiro dos quatro apresentadores faz sucesso e mimetiza o comportamento irredutível e polarizado das discussões travadas nas mesmas redes sociais.

"Eles estão em um programa de debate, só que eles não dialogam, não conversam. Eles se comunicam através de máximas, cada um tem certeza absoluta do que acredita e, em geral, é uma parada muito absurda e estúpida. Eles nunca estão interessados em escutar, estão mais preocupados em estarem certos", diz Chequer.

Para Daniel Furlan, o sucesso é uma surpresa: "Na verdade, a gente não sabe muito bem por que deu certo. Acho que as pessoas veem conhecidos ali, sim."

Porque quem não sabe debater é sempre o outro, nunca a gente.

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