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Novo "Halloween" é um ótimo filme de terror dos anos 70 e 80

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Michael Myers cada vez mais assustador no novo "Halloween" Imagem: Divulgação

Lello Lopes

Do UOL, em São Paulo

21/10/2018 04h00

Uma breve referência a "De Volta para o Futuro" no novo "Halloween" não é por acaso. O filme, que estreia no Brasil na próxima quinta-feira (25), é uma viagem ao tempo, uma volta ao que de melhor o cinemão de terror produziu nos anos 70 e 80. Em tempos do chamado pós-terror, com filmes cada vez mais densos, um descomprometido slasher de boa qualidade é uma "novidade" muito bem-vinda.

Principais sucessos do pós-terror, "A Bruxa", "Corra!", "Um Lugar Silencioso" e "Hereditário" são excelentes, ultrapassando a barreira dos filmes de gênero (e conseguindo, em geral, números robustos nas bilheterias), mas não satisfazem quem vai ao cinema para ver o sangue pingando na tela. 

"Halloween" abraça esse público, pegando no colo os clichês que marcaram o terror de 30 ou 40 anos atrás. Aí temos adolescentes assassinados, empalamento, perseguição na floresta, cabeça explodindo e tudo o mais que Michael Myers, um dos maiores ícones da cultura pop, pode fazer.

O diretor David Gordon Green, também um dos roteiristas do filme, é hábil em construir um clima tenso, pontuado com a incrível trilha sonora assinada por John Carpenter, diretor do longa original, de 1978. A trama também toma a esperta decisão de ignorar tudo o que aconteceu depois do filme que abriu a franquia. 

Assim, reencontramos Laurie Strode, defendida com amor por Jamie Lee Curtis, 40 anos depois dos incidentes que marcaram a sua vida. O confronto com Myers levou Laurie para lá da fronteira da paranoia, a isolando da família. Quando o assassino consegue fugir da prisão e voltar à pequena Haddonfield, Laurie terá a chance que sempre esperou para fazer o acerto de contas.

Em meio a sustinhos e sustões, vemos Myers em grande forma, em quase uma reverência ao gênero que, ao lado de Leatherface, Jason Voorhees, Freddy Krueger e Chucky, ajudou a construir. 

O filme só derrapa quando tenta dar uma dimensão mais profunda aos traumas vividos por Laurie e como isso influenciou na criação de sua filha (Judy Greer). Mas o jogo de gato e rato, com os papéis de caça e caçador sendo invertidos a todo momento, mantém a tensão necessária até o final.

Assim, Green consegue mostrar que, com respeito ao personagem e, principalmente, ao legado dele no imaginário popular, você consegue trazer de volta do mundo dos mortos uma história que já parecia enterrada. O que não aconteceu nas tentativas de ressuscitar Freddy e Jason nos remakes de "A Hora do Pesadelo" e "Sexta-Feira 13" neste século. 

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