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Criadoras de "Making a Murderer": "Não importa se Steven é inocente ou não"

Cena do documentário "Making a Murderer" mostra Steven Avery como prisioneiro do estado de Michigan após ser condenado pela morte de Teresa Halbach - Divulgação/Netflix
Cena do documentário "Making a Murderer" mostra Steven Avery como prisioneiro do estado de Michigan após ser condenado pela morte de Teresa Halbach Imagem: Divulgação/Netflix

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

19/10/2018 10h28

Moira Demos e Laura Ricciardi, a dupla de cineastas que criou e dirigiu "Making a Murderer", concedeu entrevista ao site "NME" para falar sobre a segunda temporada da série, que estreou na Netflix nesta sexta-feira (19).

Para Demos, a questão da série não é sobre a inocência ou culpabilidade de Steven Avery e Brendan Dassey, os dois vendedores de ferro velho do interior de Wisconsin, nos EUA, que foram condenados pelo assassinato da fotógrafa Teresa Halbach em 2005.

"Nós não acreditamos que a nossa série te dê respostas. Acreditamos que deixamos as pessoas cheias de perguntas", brinca a cineasta. "Escolhemos a história de Steven porque ela é única: ele foi inocentado de um crime após teste de DNA, e depois foi preso novamente. Entre 1985 [sua primeira prisão] e 2005, muitos avanços ocorreram na justiça americana. Muitas pessoas achavam que condenações equivocadas eram coisas do passado. Pudemos testar isso".

A documentarista se refere à condenação de Avery por estupro em 1985. Após passar dezoito anos na cadeia, o americano foi inocentado por um teste de DNA, que apontou para outro suspeito, ignorado pela polícia durante a investigação original.

"Nossas câmeras em 'Making a Murderer' estavam apontadas para a promotoria. Não importa se Steven é inocente ou culpado. O resultado do julgamento não mudaria a nossa história. Nossa história era: Como o acusado foi tratado? Não acho que nosso ponto é provar sua inocência", completa Demos.

"Eu entendo que as pessoas podem sair da série achando que sabem tudo o que há para saber sobre o julgamento, mas a realidade é que é impossível incluir tudo", acrescenta Ricciardi. "Nunca pensamos: 'As pessoas podem ver isso e decidir se ele é inocente ou não'. O peso de provar a culpa de Steven está com a promotoria".

"Se a promotoria falha em provar a culpa de alguém acima de qualquer suspeita, não significa que essa pessoa é inocente. O que queríamos mostrar com essa série é o quão complexo é esse sistema e essa moralidade. Da próxima vez que você ver um acusado ser inocentado, não ache que você sabe a história toda. Nessa segunda temporada, mergulhamos na vida de alguém que já foi condenado, que serve sua sentença e a contesta ao mesmo tempo", continua.

As duas cineastas ainda se recusam a responder se "Making a Murderer" terá uma terceira parte. "A única resposta que podemos dar é: talvez", brinca Demos.