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Advogado de Weinstein critica atrizes que denunciaram produtor: "Não são vítimas"

Weinstein será julgado por duas acusações de abuso - Eduardo Munoz Alvarez/AFP
Weinstein será julgado por duas acusações de abuso Imagem: Eduardo Munoz Alvarez/AFP

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

19/10/2018 15h47

O advogado do produtor Harvey Weinstein participou de uma mesa redonda de profissionais da área nesta quinta-feira (19) sobre as consequências legais do movimento #MeToo. Em sua fala, Ben Brafman criticou as atrizes que denunciaram o seu cliente por assédio sexual.

A reunião, que aconteceu em Nova York, foi repercutida pelo "The Hollywood Reporter". "Rose McGowan, que dá a si mesma o crédito de ter 'começado o movimento #MeToo', não é uma testemunha confiável. Essa é a minha opinião, e a opinião de qualquer oficial da polícia que já teve que lidar com ela. Ela mentiu repetidas vezes, mais recentemente quando encontraram drogas com ela em um avião", comentou Brafman.

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O advogado se refere ao caso ocorrido em Virginia, nos EUA, onde uma quantidade pequena de uma substância ilícita foi encontrada na carteira de McGowan, uma das atrizes que denunciou Weinstein por abuso sexual. Ela alega que as drogas foram plantadas em seus pertences por agentes a serviço do executivo.

"Gwyneth Paltrow, enquanto isso, reclamou de uma cantada inapropriada do Sr. Weinstein mais de 25 anos atrás", continuou o advogado. "Depois disso, ela fez mais uma dúzia de filmes com ele. Ela ganhou centenas de milhões de dólares com ele. Ela o convidou para discursar em seus eventos, o apresentou como um mentor, um tio, um amigo próximo".

As acusações de Paltrow e McGowan não estão entre as incluídas no processo criminal ao qual Weinstein responde em Nova York, mas o advogado disse que elas são exemplos do "tipo de coisa com a qual ele tem que lidar".

"Desde que entrei no caso, comecei a olhar para os documentos, e parece que sempre há um momento de 'meu Deus, eu acho que essa mulher mentiu, ou se aproveitou do momento para denunciá-lo agora'. É fácil atingi-lo agora. É fácil elevar um comportamento verbalmente ofensivo a uma arena de ato criminoso, o que não é a mesma coisa", disse o advogado.

Greg Chiarello, um advogado de causas trabalhistas que também participava da reunião, se encarregou de refutar os argumentos de Brafman. Ele defendeu especialmente Paltrow, dizendo que ela não entrou com processo criminal contra Weinstein e quis apenas revelar a sua história, porque ela era consistente com o que aconteceu com outras mulheres.

"O movimento #MeToo não é sobre focar no que é criminoso ou não. Fazer isso cria um pensamento que, se a conduta não for criminosa, nós não deveríamos nos importar com ela, ou ela não deveria ter consequências", comentou Chiarello.

O caso contra Weinstein segue em curso, tratando de acusações da assistente de produção Mimi Haleyi e de uma segunda mulher, cujo nome não foi liberado para a imprensa. Brafman pede o descarte do caso contra o seu cliente, alegando que as relações foram consensuais.

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