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Como é ver um show da Cypress Hill em 2018?

Ronald Rios

Colaboração para o UOL

11/10/2018 09h17

O Cypress Hill foi um grupo que quando eu conheci, ainda adolescente, já tinha quase 10 anos de corre. O pico de popularidade da banda já havia rolado, nos discos "Cypress Hill" (1991) e "Black Subway" (1993). Mas eles sempre conseguiram continuar tocando bastante pelo mundo todo e às vezes pode até demorar um pouquinho; mas sempre tem música nova. Esse ano mesmo, depois de 8 anos sem lançar nenhum disco, o Cypress volta com "Elephants on Acid", disco meio doidão que pouco lembra os dias mais gloriosos do quarteto, mas isso é o que menos importa na hora da festa. Repertório eles têm.

O show abre apenas com o DJ Mix Master Mike quebrando tudo. Ele toca coisa velha misturada com coisa nova, fazendo vários malabarismos em todos os seus equipamentos, tocando sua estação toda como um instrumento novo. Dos toca-discos à sua disparadora de samples, tudo funciona para ele experimentar. É uma aula mesmo, em termos de set, transições e interação com equipamentos que deixavam ele livre pra criar uma colcha de retalhos de barulhos ao vivo. É realmente um show à parte e eu pensei até por um momento "orra, se não tiver Cypress, eu tava tranquilo vendo o Mix Master Mike hein?".

Mas aí o grupo se formou com força total e de repente estávamos em 93. B-Real é a definição de MC: mestre de cerimônias. Fala com a plateia, se movimenta como se a lombar dele fosse boa ainda - nesse caso, qual é o segredo? Algo medicinal? -, fala com a plateia, puro carisma.

Hit atrás de hit, com eventuais pausas pras músicas do último disco, que geravam uma resposta mais fria da plateia, o Cypress foi ganhando a noite. B-Real é festeiro e uma festa ele deu. Com Bobo na percussão - os beats ganham muito mais vida com ele acompanhando o que o DJ Mix Master Mike está soltando na agulha - e Sen Dog na contenção soltando rimas que a maioria do público (em média, caras mais velhos vestindo as roupas da moda do Hip Hop de 92, como figurantes do GTA San Andreas) ouviu quando tinha todos os cabelo ainda; não tinha como ser uma noite melhor de escapismo da realidade cabulosa do país.

Por fim, a gente só queria se divertir por 90 minutos. E o Cypress entregou a festa pra gente encarar o resto da semana renovado.

Podem voltar mais vezes, Cypress. Façam uma residência ali na Augusta, todo fim de semana, tipo a Britney Spears em Las Vegas. Eu vou colar, conte comigo. Se rolar um acesso ao backstage, meu amigo B-Real, saiba que eu ando com uma dor nas costas... você não teria nada para isso por acaso?

Ademais, viagem no tempo altamente recomendada. Se o Cypress colar na sua cidade, VÁ! É como viver em dias mais simples. E a gente precisa disso.

Errata: o texto foi atualizado
11/10/2018 às 09h47
Diferentemente do informado na versão inicial do texto, foi o DJ Mix Master Mike quem se apresentou com o Cypress Hill, e não o DJ Muggs. O conteúdo foi corrigido.

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