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Toneladas de LED, canhões de luz e chaminés: visitamos o palco de Roger Waters

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

09/10/2018 04h00

De volta ao Brasil após seis anos, agora com a turnê "Us + Them", Roger Waters se apresentará em um cenário de 14 metros de altura, 70 de largura e 18 de profundidade, frente a um gigantesco telão de LED em alta definição, onde serão exibidos vídeos e animações exclusivas para cada umas 22 músicas executadas pelo ex-Pink Floyd.

O UOL visitou com exclusividade essa estrutura grandiosa, que primeiro foi montada no estacionamento do Credicard Hall, em São Paulo, para ensaios técnicos de luz, vídeo e cenografia. Apenas essa primeira fase de montagem durou oito dias. Depois disso, em dois dias, a estrutura foi desmontada e remontada no Allianz Parque, local dos shows desta terça (9) e quarta (10).

"Como temos apresentações em sete cidades este ano, número recorde, decidimos fazer essa montagem aqui antes, como se fosse um grande ensaio, para todo mundo entender como é a montagem, o cronograma e como será a entrada e saída do equipamento nos shows", explica ao UOL Luiz Oscar Niemeyer, dirigente da produtora T4F (Time For Fun).

Os números do palco são tão superlativos quanto o espetáculo promovido por Roger Waters: 25 carretas foram alocadas para transportar as cerca de cem toneladas de estrutura --parte dela chegou de navio ao país via porto de Santos. Ao todo, o processo de transporte e montagem envolveu a mão de obra de 1.500 funcionários.

"No total, para agilizar a questão de logística, houve a opção por trazer quatro kits de palco. É como se fossem quatro palcos iguais, que serão montados e desmontados aos poucos. O grande teste é feito aqui em São Paulo. O ensaio vale para todas as cidades da turnê", explica Niemeyer.

Depois de passar por São Paulo, Roger Waters se apresenta em Brasília (13, no estádio Mané Garrincha), Salvador (17, arena Fonte Nova), Belo Horizonte (21, Mineirão), Rio (24, Maracanã), Curitiba (27, estádio Couto Pereira) e Porto Alegre (30, estádio Beira-Rio). É a mais longa turnê do artista no país, desde 2002.

Além do telão gigante, o maior já montado pela T4F, o palco de Waters conta com mais de 200 refletores e canhões de luz e laser, que proporcionarão um espetáculo de cores e sensações. Em certo momento do show, quatro unidades de luz criarão sobre a plateia, em três dimensões, o prisma da capa do álbum "The Dark Side of the Moon", que será atravessado por vários raios simulando o efeito da imagem criada pelo designer George Hardie.

Se em sua última passagem pelo Brasil, Roger Waters homenageou o álbum "The Wall", a turnê de lançamento do disco solo "Is  this  the  Life  We  Really  Want?" tem como estrela "Animals" (1977), um dos trabalhos mais queridos pelos fãs do Pink  Floyd, inspirado no clássico "A Revolução Dos Bichos", de George Orwell.

Durante a faixa "Dogs", a Usina Termelétrica de Battersea, que aparece na capa do disco, será erguida digitalmente no telão, com direito a quatro chaminés de mais de dez metros de altura, que subirão cenograficamente sobre o palco e, com efeito LED, soltarão fumaça. Em "Pigs", o famoso porco voador do disco surgirá em versão graúda, com seis metros de largura e dez de comprimento.

As cores políticas da apresentação incluirão mensagens contra Donald Trump e outros líderes ligados à direita. Ou seja, se a tradição for mantida, é provável que o presidente Michel Temer (MDB) e o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sejam alvo de mensagens do músico, que, na atual turnê, pode ser resumida no bordão "Resistir" --está prevista uma chuva de papel cor-de-rosa com a palavra impressa.

Divulgação
Nove meninas e quatro meninos foram selecionados para participar de show de Roger Waters Imagem: Divulgação

Coral de juvenil

Repetindo turnês passadas, durante "Another Brick In The Wall", Roger Waters convidará 12 jovens de 12 a 14 anos para cantar o refrão da segunda parte da música. Desta vez, o coral será formado por alunos do Centro da Criança e do Adolescente Nossa Senhora do Carmo, que selecionou um grupo morador do bairro Bela Vista, região central de São Paulo.

Sob supervisão do time de Waters, eles tiveram aula de música, coreografia e inglês. O encontro com o cantor ocorrerá no dia do show. "Anunciamos o convite e selecionamos a partir da própria disponibilidade e vontade deles em participar. Tínhamos um número grande, que depois caiu para 20 e depois para 12 jovens. Haverá um na reserva, caso haja algum problema com alguém em cima da hora", diz ao UOL Jaqueline Paixão, diretora do centro.

Exceção feita à apresentação desta terça em São Paulo, há ingressos disponíveis para todos os outros sete shows de Roger Waters no Brasil.

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