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Assistente de Adriana Varejão, Jeane Terra abre exposição no Rio

Jeane Terra, artista plástica mineira radicada no Rio de Janeiro - Divulgação
Jeane Terra, artista plástica mineira radicada no Rio de Janeiro Imagem: Divulgação

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

30/09/2018 07h52

A artista plástica mineira radicada no Rio de Janeiro, Jeane Terra, lançou o projeto "Inventário", como parte da "Arte Importa", mostra que ocupou a Cidade das Artes, no sábado (29), com debates, performances, exposições e dança, tudo de graça.

Com 12 anos de carreira, nove deles como assistente de Adriana Varejão, uma das mais proeminentes artistas plásticas do Brasil, Jeane apresenta pela primeira vez o projeto que traz esculturas, projeções, mosaicos e instalações.

Nascida em Belo Horizonte, Jeane descobriu suas habilidades como artista plástica ainda criança, no ateliê do pai, que esculpia como hobby. Já adulta veio para o Rio estudar teatro, TV e cinema e chegou a trabalhar como atriz.

"Quando trabalhava como atriz também fiz cenários, comecei também a pintar, então fui estudar na EAV [Escola de Artes Visuais] do Parque Lage. Fiz uma viagem com Charles Watson, meu grande mentor que me deu uma bolsa", contou a artista sobre o professor da EAV, onde também estudou Adriana Varejão.

Nesse período Jeane ainda se dividia entre os trabalhos e a vida no Rio e BH mas, há dez anos, depois de perder a mãe para um câncer de mama e dois meses depois a irmã, a sobrinha e o cunhado em um acidente, decidiu se mudar de vez para o Rio.

Pouco antes da mudança, já havia conhecido Adriana e quando aportou de vez em solo carioca, recebeu o convite para trabalhar com a artista. "Tudo o que a vida me tirou também proporcionou com esses grandes encontros. A Adriana é como uma irmã para mim e o Charles foi um pai, um cara que me deu um presente de descobertas"?, disse Jeane, que se divide em seu trabalho autoral com o da artista.

"O dia a dia com a Adriana é muito interessante porque me alimenta intelectualmente. Nossas discussões são muito interessantes, o comportar diante do mercado, o quão sério é essa coisa de viver como artista, ainda mais uma pessoa do nível dela", explicou.

Em "Inventário", a artista mostra de forma delicada como expurgou a dor das perdas da família como por exemplo na obra "Escombro". Em uma ampulheta com o pó triturado por ela do que sobrou da casa em que ela viveu na infância ela projeta a imagem dessa casa.

"Meu trabalho é muito autorreferencial. São todas essas vivências que atravessei e elaboro em meu trabalho. É uma forma de continuar a viver os processos. Tiro de mim e passo para o trabalho", explicou.

Jeane diz não temer usar sua arte como, além de forma de expressão, uma maneira de provocar reflexão. "A arte tem dever histórico de provocar e provocando somos provocados. A gente não pode se calar. O que vão ler daqui cem anos sobre história está retratado no trabalho do artista [hoje]. O artista de hoje não pode se omitir", conclui.

A mostra "Inventário"? fica na Cidade das Artes (Avenida das Américas, 5.300, Barra da Tijuca), até sábado (6) e depois segue para a Galeria AB (Avenida das Américas, 3.301, Barra) até dia 29 de outubro.

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