PUBLICIDADE
Topo

Mark Wahlberg não consegue segurar a ação no ótimo "22 Milhas"

Mark Walhberg em "22 Milhas" - Reprodução
Mark Walhberg em "22 Milhas"
Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

21/09/2018 04h00

"22 Milhas" consegue ser tão interessante que coloca seu protagonista, Mark Wahlberg, como uma peça secundária na trama. O filme, que estreou nos cinemas nesta quinta-feira (20), mostra que, mesmo se esforçando em tentar apresentar algo a mais, o astro novamente não segura as pontas em um longa de ação.

O filme traz o diretor Peter Berg em sua melhor forma. Seguindo a linha do excelente "O Reino" (2007), o cineasta apresenta um grupo especial de elite do governo norte-americano que precisa enfrentar uma nova ameaça em um país estrangeiro.

Sem economizar no sangue e nas cenas violentas, Berg conta em 95 minutos uma história cativante que vai prender o espectador nas poltronas do cinema. Mas nem assim Mark Wahlberg acerta o ponto.

Lauren Cohan em cena de "22 Milhas" - Divulgação/Murray Close - Divulgação/Murray Close
Lauren Cohan em cena de "22 Milhas"
Imagem: Divulgação/Murray Close

O ator é James Silva, um agente com transtornos psicológicos que faz a linha "genial e chato". O personagem é interessante e abre possibilidades que poucas vezes vemos em um filme do gênero. Mas Wahlberg é raso, forçado e consegue transformar qualquer cena dramática em algo "debochado".

De resto, o filme funciona -- e muito bem, por sinal. Ronda Rousey (campeã do UFC) faz uma participação especial no filme, que é carregado por Lauren Cohan (a Maggie, de "The Walking Dead"). Outro destaque vai para Iko Uwais, esse sim uma promessa dos filmes de luta que mostra toda sua habilidade nas artes marciais e é responsável pelo maior mistério de "22 Milhas".

Mira em Schwarzenegger e acerta em....

Wahlberg começou a descolar alguns papéis em filmes de ação no final da década de 1990. Após passar por "O Corruptor" (1999), "O Planeta dos Macacos" (2001) e "Quatro Irmãos" (2005), o ator teve papel fundamental no excelente "Os Infiltrados" (2006), que rendeu ao cineasta Martin Scorsese seu único Oscar na carreira, e ganhou o estrelato com "Transformers: A Era da Extinção" (2014), que deu mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias.

Fazendo também a linha de "fortão que tem uma veia cômica", o astro se divertiu em "Ted" (2012) e "Dose Dupla" (2013), provando que consegue ser útil em filmes engraçados, apesar de nunca roubar completamente a cena.

Não que Wahlberg seja um péssimo ator, mas não é possível enquadrá-lo no mesmo patamar que grandes astros de filmes de ação, desde Arnold Schwarzenegger até Dwayne Johnson.

The Rock não é um mestre na atuação, mas compensa com o carisma. Seus filmes têm excelentes performances nas bilheterias mundiais e os estúdios de Hollywood sabem que ele passa confiança para seu público fiel, mais ou menos o que Tom Hanks aparenta ser o "americano perfeito". Ele é forte, vence obstáculos, é simpático e não tem vergonha de ser brega.

É justamente nessa que linha que os astros dos anos 80 e 90 fizeram história e ainda são lembrados hoje. Esses atores brincam com a própria imagem por terem criado um vínculo com seus fãs. Independentemente do que eles façam atualmente, como você não vai querer ver o quinto filme de "Rambo" ou mais um "O Exterminador do Futuro?".

Mark Wahlberg pode ser aquele atacante reserva de confiança, mas não foi feito para ser titular.