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Chefe da Disney fala sobre Gunn, freio em "Star Wars" e X-Men no Universo Marvel

O CEO da Disney, Bob Iger - Getty Images
O CEO da Disney, Bob Iger Imagem: Getty Images

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

20/09/2018 10h05

Bob Iger, o CEO da Disney, deu rara entrevista ao "The Hollywood Reporter" sobre o ano movimentado da empresa --o executivo quebrou o silêncio sobre as demissões de Roseanne Barr e James Gunn, falou sobre as turbulências do #MeToo dentro da empresa, refletiu sobre a aquisição da Fox (e da franquia "X-Men"), e abordou o futuro de "Star Wars".

Iger não fugiu de sua responsabilidade nas decisões de demitir Roseanne Barr e James Gunn. "É uma mistura de escolhas que eu fiz e que eu apoiei. No caso de Roseanne, creio que foi uma decisão unânime dos executivos da Disney. Já quanto a Gunn, a decisão foi apresentada a mim e eu a apoiei. Não tive motivos para me arrepender disso", contou.

Barr foi dispensada da ABC, emissora de TV aberta da Disney, e de sua série "Roseanne" quando direcionou um tuíte com ofensas racistas a uma ex-oficial do governo Barack Obama. Enquanto isso, Gunn foi retirado da direção de "Guardiões da Galáxia Vol. 3", da Marvel, após o ressurgimento de tuíte antigos em que fazia piadas com temas como pedofilia e estupro.

O executivo também falou sobre a saída de John Lasseter, acusado de assédio sexual, da liderança da Pixar. "É crítico que nós, como líderes nesta indústria, criemos ambientes seguros para pessoas que foram vítimas de abuso se sintam seguras para denunciá-lo. Este pode parecer um momento difícil, mas já havia passado da hora de abordarmos isso na nossa indústria", disse.

"O que estamos tentando fazer, na Disney, é ter certeza que há apenas um procedimento para lidar com esse tipo de denúncia. Ter certeza que esse procedimento não muda dependendo do quão alto ou baixo a pessoa denunciada e a pessoa que denunciou estão na hierarquia de poder da empresa", comentou ainda. "Em segundo lugar, queremos comunicar sempre aos nossos funcionários que, se eles sofreram isso ou testemunharam isso, eles podem e devem denunciar".

Droides e mutantes

O executivo também refletiu sobre sua estratégia para a saga "Star Wars", dando a entender que a agenda de lançamentos deve sofrer uma "desaceleração". Iger admitiu o seu erro em dar "conteúdo demais, rápido demais" para o público, sem fazer referência direta a "Han Solo: Uma História Star Wars", lançado neste ano, que foi uma grande decepção nas bilheterias para a Disney.

"Os fãs podem esperar que pisemos um pouco no freio com 'Star Wars', mas isso não significa que vamos parar de fazer filmes. J.J. Abrams está trabalhando no 'Episódio 9', e temos vários outros talentos trabalhando em seus próprios filmes. Fomos propositalmente vagos sobre isso. Estamos em um estágio em que vamos decidir o futuro após o filme de J.J.", disse.

Iger também abordou o futuro de uma nova saga que tem sobre o seu comando - "X-Men", que veio para a Disney junto com a aquisição do estúdio Fox. O executivo confirmou que os mutantes serão transferidos para a supervisão de Kevin Feige, chefe da Marvel Studios, e devem se juntar ao universo cinematográfico oficial da editora.

"É a decisão que mais faz sentido", comentou. "Eu quero ser cuidadoso aqui, porque não sei exatamente o que prometemos à Fox. No entanto, é óbvio que não teremos propriedades da Marvel sob nossa jurisdição que permanecerão separadas umas das outras. Não precisa haver duas Marvels".

"Além disso, Kevin tem algumas ideias de como incorporar personagens ao universo estendido", continuou. "Quem sabe o que pode acontecer?".