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John Cho se transformou no ator asiático número 1 de Hollywood

John Cho em cena de "Buscando...", do diretor Aneesh Chaganty - Reprodução
John Cho em cena de "Buscando...", do diretor Aneesh Chaganty Imagem: Reprodução

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

19/09/2018 04h00

Quem assistiu ao drama “Columbus” (2007), do cineasta sul-coreano Kogonada, provavelmente reconheceu um rosto familiar na figura do protagonista, um tradutor interpretado com sutileza e competência por John Cho. O drama pode não ter recebido a devida atenção, mas, com ele, o ator teve a chance de estrelar sua primeira grande produção no cinema americano, o ótimo suspense “Buscando...”, que estreia nesta quinta-feira (20) nos cinemas.

No longa, Cho, 46, vive um americano típico de classe média, um pai viúvo que tenta desvendar o misterioso desaparecimento da filha adolescente. Misturando desespero e resiliência em mais uma competente atuação dramática, ele brilha mais uma vez.

Na esteira do sucesso de "Podres de Ricos”, que deu grande visibilidade à comunidade asiático-americana, John Cho já vem sendo considerado o ator asiático número 1 da atualidade, uma espécie de “sucessor” indireto de Jackie Chan, ao menos no carisma e popularidade.

“Se esse é o título, fico feliz em aceitá-lo, mas meu objetivo não é que apenas uma pessoa carregue esse manto. Espero que estejamos no caminho de ver muito mais atores aparecendo”, disse Cho em entrevista ao site "Star2".

Em franca ascendência, o ator deixou para trás o tempo em que era obrigado a conviver com uma avalanche de ofertas esporádicas em papéis quase sempre estereotipados. Daqui para frente, você deve começar a vê-lo com mais frequência nas telas, incluindo no longa "Tigertail", de Alan Yang, que estreia na Netflix no ano que vem.

Nascido em Seul, na Coreia do Sul, Jack Cho se mudou com a família para os Estados Unidos aos seis anos de idade, no fim dos anos 1970. Foi uma época difícil e de isolamento social. Na infância e adolescência, passadas na conservadora Glendale (Califórnia), ele se acostumou a ser o único asiático das turmas.

A carreira de ator demorou alguns anos para engrenar, depois que se formou em literatura da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e começou a trabalhar em uma companhia de teatro. O primeiro trabalho de grande repercussão foi em “American Pie”. Seu personagem, o abobalhado John, ficou marcado por popularizar na cultura pop o termo “Milf”.

Anos mais tarde, Cho estrelou a franquia “Madrugada Muito Louca”, ao lado de Kal Penn, e ao longo dos anos fez pontas em diversas séries de TV, como “Grey's Anatomy”, “American Dad!”, "How I Met Your Mother" e “30 Rock”.

O reconhecimento fora do mundo da comédia veio apenas com “Star Trek” (2009), na pele do carismático Hikaru Sulu. A atuação lhe rendeu prêmio e serviu como passaporte para voos mais altos.

O ator John Cho - Brendon Thorne/Getty Images for Paramount Pictures - Brendon Thorne/Getty Images for Paramount Pictures
O ator John Cho
Imagem: Brendon Thorne/Getty Images for Paramount Pictures

Defensor da diversidade

Conhecido por encampar o discurso da diversidade, Cho já saiu a público para denunciar o racismo no cinema americano. Por causa disso, ele passou a aceitar apenas papéis que não perpetuem estereótipos. Por exemplo: na comédia “O Grande Mentiroso” (2002), recusou fazer sotaque asiático para um personagem, um diretor escolar.

A decisão ousada serviu como afirmação pessoal e acabou acatada pelo diretor Shawn Levy, hoje produtor da “Stranger Things”. "Eu não queria fazer esse papel em uma comédia infanto-juvenil, porque eu não quero jovens rindo de um sotaque inadvertidamente", disse Cho, um crítico de Hollywood.

Segundo ele, o cinema e o universo do entretenimento têm o péssimo hábito de apenas seguir tendências, e não de liderar os debates sobre temas importantes e socialmente relevantes. Ele entende, que sua projeção é simbolicamente necessária em tempos de extremismo e Donald Trump.

Vale lembrar que, antes de brilhar em "Buscando...", John Cho já havia ganhado as manchetes como o pioneiro asiático a viver um par romântico em uma série dos Estados Unidos, a sitcom “Selfie” (2014), uma experiência descrita como “revolucionária”.

"Os asiáticos são insignificantes nas narrativas. Eles são policiais, ou garçonetes, ou o que quer que seja. Você sempre os vê em segundo plano. Então, estando na posição que estou, é um marco", disse ele disse jornal “Toronto Star”.

“Ainda acho que subestimamos muito o público americano e o público mundial. O público sabe lidar bem com isso [ter asiáticos como protagonistas]. Eles não pensam muito nisso. São as pessoas que investem dinheiro no entretenimento que estão preocupadas em não influenciar padrões comprovados no passado.”