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Emicida critica seus críticos na nova música "Inácio da Catingueira"

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

18/09/2018 14h36

A nova música de Emicida, "Inácio da Catingueira", lançada nesta terça-feira (18), relembra a história de um negro escravizado na Paraíba que ganhou a sua liberdade após debater suas ideias durante oito dias com o proprietário rural Romano Caluete. Ninguém sabe se a história, ocorrida por volta de 1870, é verdade mas Emicida decidiu compará-la com a sua própria história.

Por meio das rinhas de MCs, Emicida venceu discussões usando apenas a palavra, também responsável por libertá-lo. Emicida, no entanto, se questiona se o Brasil está realmente pronto para ver os negros livres.

Na letra, Lobão é um dos alvos dos versos de Emicida. Em um dos versos, ele canta: "Com um Nike pra cada merda que o Lobão diz / E eles diz que sou comunista / Cês num precisa de palco, precisa de analista" (sic).

"O frustrante quando você luta contra essas estruturas é que por mais que você alcance sua liberdade individual, no coletivo seus irmãos estão todos acorrentados. E a maior coisa que você pode ter, que é a sua liberdade, acaba se tornando uma coisa menor porque quando você olha no entorno as correntes estão em todo mundo menos em você. Aí você se sente mal por isso também, tá ligado?", escreveu Emicida em um comunicado divulgado à imprensa.

A faixa tem instrumental de seu parceiro de longa data, o DJ Duh. A faixa ganhou ainda um lyric vídeo dirigido por André Maciel, artista plástico, ilustrador e fundador do estúdio Black Madre Atelier.

Confira a letra da faixa a seguir:

Eles vão fazer de tudo para que você reaja.

Se você responder a um palavrão com outro palavrão, eles só vão ouvir o seu.

Ouse responder a um soco com outro, eles vão dizer: "Ó lá, o neguinho perdeu a cabeça, eu disse que ele não servia para isso."

O inimigo e seus lacáio vem com tudo, joga sujo, e você não pode simplesmente reagir com a mesma baixeza.

A gente ganha mostrando em campo, correndo, marcando, nosso povo precisa de gol, de virar o jogo, não de polêmica.

E alcançamos a vitória fazendo isso em campo, não batendo boca fora dele.

Ganhamos se o mundo se convencer de duas coisas: Que você é um bom cavalheiro e um ótimo jogador.

Zica, vai lá!

Laboratório Fantasma 2018

Atraio câmeras, takes, tipo tragédias

Efêmera fama era fake e esses comédias

Focado num padrão, tipo o DEIC, com inveja

De quem vem sem patrão, sem padrinho, sem média

Vim classe, black tie, check tio

Adubo e o rap sai no finesse igual Black Rio

No impasse, as track vai, muleque viu

Tudo que um black faz dá estresse – compete frio

De rima epidêmica à tese acadêmica

Nome da década, cada passo, uma polêmica

Dos cabeça de escravo, até a militância anêmica

Minha trajetória é real, a de vocês é cênica

Cínica, cômica, qué alvoroço

Precisa dos preto fudido com grilhão no pescoço

Pois o gueto só é real se tiver roendo osso

Cadê os neguim que devia tá no fundo do poço?

E eu, sô patente alta, bigode grosso

A favela no peito e o condomínio no bolso

Excelência em pauta, longe do fosso (entendeu)

As mente incauta num digere o caroço

Mas foda-se, desci pra pista

Com um Nike pra cada merda que o Lobão diz

E eles diz que sou comunista

Cês num precisa de palco, precisa de analista

Eu vim da Rinha e sem talco, berço dos terrorista

Mandando bronca, tô pra destronca

Tombei tantos que quase viro Emicida Conká!

Se eles arma bloqueio a gente saca, pra desmontar

Por que eu num respondi os otários? Digo agora, bom, tá:

Num país onde os politico diz o que diz

Essas porra de diss, pra mim é igual Bee Gees

Fofinho, querendo confete

No fim das conta é a mema merda

Só o sistema brincando de marionete

Baguio não tá manso

Nóiz contra nóiz, num é nada mais

Que adiantar o trabalho dos ganso

Que mete alerta vermelho se o gueto tem avanço

Ternos de 15 mil? É sério tio? Já pego ranço

Debates no Face? Eu num faço questão

Com uma mixtape, fiz minha primeira revolução

Nas cabeça igual lace, prestenção

Só no Fashion Week nóiz empregou uma preta pra cada textão

Verdade por si só repele

Dom meus drama vira som, saca? Tipo Adele

Cês vem com estilo da Veja, ideia MBL

Se sua banca se vale disso, foda-se ela e eles

Eu jogo na calma, a vida apruma

Camuflado na noite igual puma

Passando a visão graúna

Quem diz que eu vendi minha alma

Descende de quem dizia que eu nem tinha uma

Me chama de arrogante

Porque a vitória de um semelhante pus verme

É um barato humilhante

Quer dar minha cabeça pro seu senhor pôr na estante?

Esqueça! Cês vai morrer coadjuvante

Que aqui é "Ready to Rumble", fi

Gentil, mas com uma metranca na manga

Tipo Bumblebee

Vivendo confortável e pã

Pensando: qual capitão do mato vai caçar like com meu nome amanhã?