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Marília Gabriela, Antonio Fagundes e mais famosos que gravaram discos

Zanone Fraissat/Folhapress
Marília Gabriela e Antonio Fagundes, que já se aventuraram na música Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

31/08/2018 04h04

Se hoje a regra entre famosos é “atacar de DJ”, no passado artistas e celebridades tinham como prática atacar em outra frente musical, ainda mais desafiadora, na de cantor(a). Capitalizar a fama investindo em uma carreira paralela é uma estratégia antiga e ainda hoje corriqueira no mundo entretenimento. 

No Brasil, o fenômeno geralmente acontece com a televisão servindo de trampolim. Quando a grana não é curta, o produtor está empolgadão e os ventos, soprando a favor, muitos conseguem lançar discos completos de estúdio.

Mudar de área é um desafio e tanto para qualquer um, e, muito em função disso, a maioria desses trabalhos costuma patinar em termos de qualidade, mas há boas e surpreendentes exceções.

Veja abaixo como se saíram 13 nomes que se arriscaram como cantores e lançaram álbuns. Um aviso: excluímos EPs, compactos e discos de poesia e/ou declamações. Artistas que começaram na música antes ou simultaneamente às artes cênicas também foram ignorados.

Hebe Camargo - “Sou Eu” (1960)

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Imagem: Reprodução

Você levou um susto quando ela começou a cantar e lançar discos nos anos 1990? A história é antiga. Muitos não se lembram, mas Hebe foi uma cantora “de carreira” nos anos 1960. Pioneira na televisão brasileira, ela lançou seis discos nos anos 1960.

O melhor deles é o primeiro, “Sou Eu”. Há composições originais, “modernas” para a época e com influência da bossa nova, do doo-wop e das baladas do jazz. Hebe é acompanhada pela orquestra de Francisco Moraes e o conjunto e coro de Mário Gennari Filho.

É bom?
Dê uma chance à rainha da TV brasileira. Tudo no disco é redondinho, da bela capa aos arranjos e à interpretação classuda. Ela sabia cantar.

Destaques
“Lua Escura” e “Melodia Italiana” e “Hino ao Amor” (versão de Édith Piaf).

Marília Pera - “Feiticeira” (1975)

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Imagem: Reprodução

São 13 músicas que seguem o roteiro do espetáculo musical homônimo, um dos maiores fracassos da carreira de Marília Pêra. O álbum foi produzido por Guto Graça Mello e Nelson Motta e conta com músicas de Jorge Mautner, Geraldo Azevedo, Eduardo Dussek, Alceu Valença, entre outros. Ganhou reedição após a morte da atriz.

Curiosidade: o grupo de rock progressivo Vimana, formado pelos ainda desconhecidos Lobão, Lulu Santos e Ritchie, tocou na pesada “Avô do Jabor”.

É bom?
Sim. Alinhada ao rock e à MPB dos anos 1970, a produção é de primeira. Talentosa, Marília Pêra era uma ótima cantora.

Destaques
“Dança da Feiticeira”, “Bem-Te-Vi” e “Canção para Inglês Ver”.

Pelé e Sérgio Mendes - “Pelé” (1977)

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O rei do futebol já pisou diversas vezes no campo da música, chegando a gravar com Elis Regina. Um disco completo de estúdio, no entanto, ele nunca chegou a lançar. Pelé se dava infinitamente melhor com a bola.

O mais próximo disso é “Pelé”, trilha sonora do documentário homônimo sobre o atleta, composta e assinada por Sérgio Mendes. A sonoridade mistura bossa nova com música tropical brasileira. O jogador canta em músicas como “Meu Mundo É uma Bola” e “Cidade Grande”.

É bom?
É. Tem Instrumental com selo Sérgio Mendes de qualidade e um Pelé de vocal singelo, que não compromete. 

Destaques
“Meu Mundo É uma Bola”, “Cidade Grande” e “Alma Latina”.

Mário Gomes - "Mario Gomes" (1977)

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Eternamente lembrado pela “polêmica” da cenoura, o galã que hoje investe no ramo da comida de rua vivia o auge em 1977, época da novela “Duas Vidas”.

Surfando no sucesso, ele assinou contrato com a Som Livre e tentou na carreira paralela de cantor, que não durou muito. Hoje item de colecionador, o LP "Mario Gomes" foi produzido por Guto Graça Mello com arranjos de Lincoln Olivetti. Este mês, foi relançado em CD.

É bom?
O instrumental é ótimo, lembrando o dos melhores discos de Vanusa e Belchior, mas o vocal não ajuda.

Destaques
“Um Alô” e “Diga Jimmy”.

Marília Gabriela - “Marília Gabriela” (1982)

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Imagem: Reprodução

A apresentadora/entrevistadora mais versátil da televisão brasileira gravou não apenas um, mas três discos de estúdio, sempre com o apoio de uma grande gravadora.

O mais interessante é o primeiro, de 1982, que ganhou especial na TV Globo e foi produzido por Lincoln Olivetti e Gilson Peranzzetta. Há faixas de Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano, Milton, Marina Lima, Gonzaguinha. O estilo é “easy listen”, próximo ao de cantoras da MPB da época, como Angela Ro Ro, e da própria Rita Lee.

É bom?
Marília é uma cantora limitada, mas que consegue compensar a falta de técnica com boa interpretação.

Destaques
“Éramos Três” e “Sampa”.

Gilberto Barros - “Me Faz um Carinho” (1988)

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Imagem: Reprodução

O apresentador tem dois discos. O mais famoso é este aqui ao lado, graças à insólita capa, estrelada por ele e o filho, que tinha dois anos. Quase todas as músicas homenageiam o garoto.

Foi lançado quando Barros dava os primeiros passos na carreira de apresentador na Rádio Globo. Tem participação de Sérgio Reis, Moacyr Franco e títulos como "Você Já Abraçou Seu Filho Hoje?", "Um Mundo Melhor Pro Meu Filho" e "Meu Filho Estranho";

É bom?
Nem um pouco. Mistura música infantil, sertanejo e clima de churrascaria de segunda.

Destaques
Nenhum ou todo o disco, dependendo do nível de zoeira presente no seu sangue.

Isabel Fillardis no grupo As Sublimes - “As Sublimes” (1993)

Repordução
Imagem: Repordução

Amada pelo papel da doce Ritinha na novela “Renascer”, Isabel foi levada aos estúdios pelo produtor Alexandre Agra, que a viu cantando em um estádio fotográfico. A ideia era formar uma girl band ao estilo R&B americano, anos antes de o Fat Family explorar com êxito esse formato.

O trio foi batizado de “As Sublimes” (referência às Supremes de Diana Ross) e gravou dois discos completos. O primeiro, homônimo, fez algum barulho. O trio se desfez cinco anos depois.

É bom?
Médio. Isabel sabe cantar e tem carisma, mas as Sublimes careciam de personalidade e um nome melhor.

Destaques: "Boneca de Fogo" e "Tyson Free".

Antonio Fagundes - “Tributo a João Pacífico” (1998)

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Autor de “Cabocla Tereza”, João Pacífico é autor de dezenas de clássicos da música caipira, mas nunca teve o devido reconhecimento. Para acabar com essa injustiça, Fagundes resolveu interceder. Segundo ele, a ideia de gravar um disco surgiu durante as gravações da novela “Rei do Gado”.

Pacífico chegou a participar do projeto ajudando a escolher o repertório, mas morreu um dia antes do lançamento da gravadora Som Livre.

É bom?
Curte a combinação moda e baladas? Pode funcionar. Fagundes soa como se estivesse na varanda do seu sítio recitando letras de Jota Mineiro, mas ele não faz feio.

Destaques
"Cabocla Tereza" e "História de um Prego".

Ana Maria Braga - “Sou Eu” (2003)

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Traz 15 faixas, com nove textos recitados. Segundo a apresentadora, o disco foi lançado por que muitos fãs insistiam para que ela gravasse suas famosas mensagens de inspiração usadas no programa “Mais Você”.

O projeto foi patrocinado pela gravadora BMG e traz participações de Fábio Jr, Zezé di Camargo Luciano, Leonardo e Xandy, além de textos de Marina Colasanti e Carlos Heitor Cony.

É bom?
Nem um pouco. Há gosto todo o tipo de autoajuda, mas soa como uma mistura de transmissão de rádio brega e correio elegante.

Destaques
Nenhum.

Roberto Justus - “Só Entre Nós” (2008)

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O Donald Trump brasileiro se arrisca em 12 faixas cantadas em inglês, clássicos do repertório "tiozão" internacional com participações de Paulo Ricardo, Agnaldo Rayol e Justus Fischer. Teve tiragem limitada da Sony BMG: apenas 2.000 cópias.

Trata-se de um fascinante mergulho no universo das festas de conselho de firma. Anos mais tarde, o publicitário fez um exercício de reflexão e admitiu não gostar do disco. Segundo ele, por ser perfeccionista.

É bom?
Justus sabe empreender (e demitir), mas cantar é outra história. Soa mal mesmo para quem não vive sem um crooner e não resiste a um galanteio.

Destaques
“I've Got You Under My Skin” e Can't Take My Eyes Off You” são escutáveis.

Maguila - "Vida de Campeão" (2009)

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Inspirado em composições de sambistas como Zeca Pagodinho, Almir Guineto e Arlindo Cruz, Maguila lançou “Vida de Campeão” após participar do programa do apresentador Raul Gil.

“O pessoal gostou da minha voz e me chamou para gravar o CD", contou ao UOL, na época, o ex-pugilista, que reverteu a renda do trabalho a sua própria ONG, o projeto Amanhã Melhor, que ensina boxe a crianças carentes.

É bom?
Não exatamente. Mas, apesar de Maguila desafiar os critérios dicção, é inegável que sua voz casa bem com o estilo.

Destaques
“Vida de Campeão” e “Minha Sogra Parece Sapatão”.

Susana Vieira - “Brasil Encena” (2010)

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Convidada pelo produtor musical Samuel Patroti, Susaninha aceitou no ato, mesmo tendo feito pouco antes uma cirurgia nas cordas vocais. para retirada de um pólipo da garganta.

Conta com regravações da MPB e de músicas de novelas em que atuou. A atriz precisou fazer aula de cantos e estreou o projeto ao vivo no “Domingão do Faustão”, em uma participação mais lembrada pelo peitinho que pagou em rede nacional do que exatamente pela música.

É bom?
Não. Falta tudo: afinação, ânimo, sincronia com o instrumental.

Destaque
O momento em que "Per Amore", a última música, chega ao fim.