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Atriz de "The Handmaid's Tale" diz que série a levou a dividir seu momento #MeToo

George Kraychyk/Hulu
Madeline Brewer (centro) em cena de "The Handmaid's Tale" Imagem: George Kraychyk/Hulu

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

30/08/2018 12h58Atualizada em 30/08/2018 13h43

Uma das séries de mais sucesso atualmente, "The Handmaid's Tale" trata de assuntos bem atuais ao retratar uma sociedade em que mulheres literalmente não têm direitos. Mas a realidade se misturou ainda mais com a ficção durante as gravações da segunda temporada, que ocorreram na mesma época em que atrizes e outras profissionais de Hollywood começaram a dividir com o mundo histórias de assédio sexual, abuso e estupro usando a hashtag #MeToo (“eu também”).

“Janine tem sua própria história ‘Me Too’ na primeira temporada”, lembra a atriz Madeline Brewer, 26, que está no Brasil para o lançamento da segunda temporada da série no Paramount Channel, que ocorre no domingo (2).

Inspirada no livro "O Conto da Aia", de Margaret Atwood, "The Handmaid's Tale" se passa em um futuro próximo em que um golpe de estado transforma os Estados Unidos em uma ditadura fundamentalista cristã, com o nome de Gilead. Na trama, Brewer interpreta Janine, uma das mulheres férteis usadas como aias —espécie de reprodutoras para a classe dominante em uma sociedade em que a maioria da população se tornou infértil.

Ainda no início da trama, quando Janine está em um centro de treinamento com outras aias, ela é obrigada a contar e assumir a culpa de um estupro que sofreu no passado.

Francisco Cepeda/AgNews
Madeline Brewer em São Paulo Imagem: Francisco Cepeda/AgNews

“Isso me deu confiança para dividir a minha própria história de ‘Me Too’”, continuou a atriz, que citou em entrevistas que tinha aprendido a conviver com algo que aconteceu em seu passado, mas não falou publicamente sobre os detalhes do caso. “Senti que seria desonesto com Janine e a série se eu não contasse do meu próprio episódio, mesmo que não em detalhes. Para honrá-la, eu precisava falar da minha própria história, isso me empoderou”.

No entanto, as discussões sobre abusos em Hollywood não impactaram diretamente os rumos da trama. “Pessoalmente tenho muito amor por todas as mulheres que contaram suas histórias no movimento ‘Me Too’ e ‘Time’s Up’. Durante a produção da segunda temporada, era um assunto que estava na nossa cabeça, mas tentamos deixar no segundo plano das nossas mentes e usar como motor para honrar a história e as personagens”, conta.

Ainda assim, para ela, o fato de a série tratar de temas tão atuais, como misoginia, ataques a minorias e aos direitos das mulheres, torna o trabalho um pouco mais difícil. “Trabalhar na série enquanto tantas coisas estão acontecendo, sentir que o que está acontecendo na política é precursor do que está na série que estamos fazendo, é exaustivo”, diz.

Atualidade

Indicada a 16 Emmys pela segunda temporada, que já foi exibida nos EUA, e vencedora de oito prêmios no ano passado, "The Handmaid's Tale" se tornou também um fenômeno entre o público, que se apropriou dos trajes vermelhos usados pelas aias inclusive como forma de protesto contra atos do governo de Donald Trump. Para a atriz, isso se explica pelo fato de que a produção trata de temas que ainda continuam muito importantes, mesmos mais de 30 anos depois do lançamento do livro de Atwood.

"Ainda é relevante porque ainda não superamos essas coisas. Não chegamos a nos tornar Gilead, mas não nos afastamos dela totalmente. Acho que hoje a história ganhou uma outra vida por causa da maneira como as pessoas se enxergam nela. O entretenimento é uma forma de nos distrairmos, mas nós pedimos algo dos nossos espectadores. Eles precisam se engajar, pensar, sentir e se possível agir", acredita.

"Num dia você vê June (protagonista da série, interpretada por Elizabeth Moss) sendo separada da sua filha e no dia seguinte vê na TV que crianças estão sendo separação de seus pais nas fronteiras. É uma oportunidade de aprender. A gente vê, a gente sente e a gente entende que aquilo não pode acontecer. Você vê aquilo e sente empatia. O que acho que a série está fazendo é forçar as pessoas a enxergarem. Quando não aprendemos com a história, estamos fadados a repetir", completa.

Reprodução/Entertainment Weekly
Cena da segunda temporada de "The Handmaid's Tale" Imagem: Reprodução/Entertainment Weekly

Mais violência

Quanto à segunda temporada, que recebeu críticas nos EUA por ser excessivamente violenta, Brewer admite que vai ser mais difícil de assistir.

"Com certeza é mais sombria, mais poderosa, mais difícil de ver. Mas esperamos dos nossos espectadores que sintam, pensem, questionem o que estão vendo", diz.

"Os roteiristas queriam se manter fiéis a essa ideia do livro de que esses atos vis cometidos contra as mulheres aconteceram em algum lugar do mundo, foi assim que Margaret escreveu em 1985. Eu sei que eles têm contato com integrante da ONU e sabem quais são as agressões que estão acontecendo contra as mulheres no mundo e trazem isso para a série. É por isso que é tão difícil assistir à segunda temporada, porque é muito relevante, parece que é algo que esta acontecendo na sala da sua casa", acredita.

"Dito isso, há algo mais leve também. Especialmente com Janine. Ela traz um pouco de luz e otimismo. Mesmo nos piores momentos, a série traz uma ideia de esperança, de que a gente deve perseverar".

A segunda temporada de "The Handmaid's Tale" estreia no Paramount  Channel no domingo (2), às 21h. O canal estará com sinal aberto nas operadoras Oi TV, Sky e Vivo de sexta até 9 de setembro.