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Alcoolismo e depressão: John Goodman revela o que a gente não vê no cinema

Tristan Fewings/Getty Images
Imagem: Tristan Fewings/Getty Images

Osmar Portilho

Colaboração para o UOL

29/08/2018 04h00

John Goodman certamente é um dos atores mais requisitados e reconhecidos de Hollywood. Ele é creditado em mais de cem filmes em sua biografia, desde a popular adaptação de "Os Flintstones", de 1994, até o cultuado "O Grande Lebowski", de 1998. Nos Estados Unidos, o rosto é ainda mais conhecido pela carreira na TV, principalmente pela sitcom "Roseanne". Goodman foi Dan Conner, marido da protagonista, durante toda a primeira fase do programa, entre 1988 e 1997, e reviveu seu personagem com a volta da série em 2018 até seu cancelamento abrupto.

"Meu coração ficou partido, mas eu pensei 'OK, faz parte do showbiz e eu vou deixar essa passar", disse ele em uma longa entrevista dada ao jornal The Times, do Reino Unido.

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Roseanne Barr e John Goodman em cena da sitcom "Roseanne" Imagem: Divulgação

Envolvido em tantas produções enormes na TV e no cinema, John Goodman automaticamente nos remete aos personagens engraçados das produções ou ao menos um alívio cômico em algum drama. Neste artigo, o ator se desfaz um pouco deste personagem para revelar um lado pessoal mais frágil e pouco condizente com a imagem que temos nas telas.

"Eu passei por um período [após o cancelamento], cerca de um mês, em que eu estava muito, muito deprimido. Eu sou depressivo de qualquer maneira, então eu uso qualquer desculpa para me colocar para baixo. Mas aquilo teve um grande impacto em mim, muito mais do que eu gostaria de admitir", explicou.

"Roseanne" teve um retorno de sucesso ao canal ABC e já tinha uma nova temporada renovada, mas um tuíte racista da protagonista Roseanne Barr a fez se demitida do programa.

Goodman diz que Roseanne é "uma amiga de trabalho" e a defende. "Eu fiquei surpreso com a resposta do canal, e acho que é tudo isso que devo dizer sobre o caso. Eu sei de fato que ela não é racista", explicou.

"The Conners" e alcoolismo

"Roseanne" teve nove temporadas entre 1988 e 1997 e mais uma em 2018. Para não jogar esse legado pelo ralo, a ABC concordou em fazer um spin-off, uma continuação chamada "The Conners" para retratar a família sem sua protagonista.

"Eu acho que ele [Dan] estará depressivo e triste porque sua mulher morreu. Ainda não se sabe", continuou.

Enquanto o personagem não se ergue na TV, Goodman segue se sustentando do lado de cá. Acompanhada de sua depressão, segundo ele, veio o alcoolismo em uma batalha que durou até 2007.

Alberto E. Rodriguez/Getty Images
John Goodman (centro) com sua mulher, Ana Beth Goodman (esq.) e a filha do casal, Molly (dir.) Imagem: Alberto E. Rodriguez/Getty Images

"Eu fui um pai alcoólatra. Se eu via uma garrafa de vodca eu precisava tê-la. Era minha compulsão. Minha mulher chegou a desistir de mim. Eu ficava imaginando se ela só estava esperando eu morrer. Ela teve mais do que suficiente", explicou Goodman, que faz visitas frequentes às reuniões do Alcoólatras Anônimos. "Você nunca vence. É algo diário. É necessária uma força interior muito forte", continuou.

Nesta luta contra a compulsão, Goodman prefere não creditar sua força de vontade. "Eu não tive nada a ver com isso. Eu só envelheci. Era algo que me fazia mal, estava machucando as pessoas e eu fiquei cansado de tudo isso", completou".

A rotina mudou também. O ator começou a fazer mais exercícios e a comer menos. O resultado foi uma perda de 50kg. "Eu faço 40 minutos de exercícios todos os dias e não como tanto como antes. Eu comia com as duas mãos", explicou.

Frazer Harrison e Dimitrios Kambouris/Getty Images
John Goodman em foto de 2013 (esq.) e em retrato de 2018 Imagem: Frazer Harrison e Dimitrios Kambouris/Getty Images

Fã da estrada e quase irreconhecível

John Goodman é uma figura extremamente familiar para filmes e programas de TV, mas ele cultiva hábitos para se manter anônimo por onde vai.

Um de seus papéis mais conhecidos é o de Walter Sobchak, em "O Grande Lebowski". "Era um personagem bom e eu tenho orgulho. Outro dia fui assistir em um cinema e me sentei bem no meio da plateia. Ninguém me incomodou", disse.

Morando em Nova Orleans e com uma casa em Los Angeles, Goodman habitualmente faz viagens de carro neste trajeto de quase 3 mil quilômetros. "Eu amo dirigir longas distâncias. Eu geralmente vou até o Texas e durmo por seis horas. De lá até Los Angeles é só um deserto", continuou.

Neste caminho, geralmente faz descansos em hotéis de beira de estrada e não faz nenhuma reserva. "Eu só vejo o que tem na estrada e fico lá". As paradas são tão inusitadas que ele diz que quase sempre passa despercebido.

Quando o reconhecem, ele ri: "Eu digo: 'Como ousa? Isso é algo que se diga para um ser humano?'".

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