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Sia se abre sobre tentativas de suicídio e relembra encontro com Trump

17.abr.2016 - A cantora Sia convidou sua fiel escudeira, a pequena dançarina Maddie Ziegler, de clipes como "Chandelier" e "Elastic Heart", para o terceiro dia do Coachella, em Indio, Califórnia - Getty Images
17.abr.2016 - A cantora Sia convidou sua fiel escudeira, a pequena dançarina Maddie Ziegler, de clipes como "Chandelier" e "Elastic Heart", para o terceiro dia do Coachella, em Indio, Califórnia Imagem: Getty Images

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

24/08/2018 11h28

A sempre misteriosa cantora e compositora Sia conversou com a revista "Rolling Stone" sobre sua vida e carreira, se abrindo, entre diversos temas, sobre os seus problemas com o vício e suas tentativas de suicídio.

Na matéria, Sia relembra que conseguiu o seu primeiro emprego como cantora aos 17 anos de idade, para a banda de jazz/funk Crisp, na cidade de Adelaide, Austrália. Na primeira noite em que se apresentou, alguém lhe deu uma taça de vinho para acalmar os seus nervos - foi a primeira vez que ela consumiu álcool na vida.

Em 1997, Sia perdeu o seu primeiro namorado, um garçom chamado Dan Pontifex, para um acidente de carro. "Foi minha primeira grande perda", comenta a cantora. "Então o que eu fiz foi beber muito, e usar muitas drogas, com os amigos dele, que também estavam de luto".

Após primeiros discos que não venderam bem, Sia encontrou um pouco de sucesso quando sua canção "Breathe Me" foi usada no episódio final da série "Six Feet Under", da HBO. "Chega a ser irônico, porque eu escrevi 'Breathe Me' em uma noite na qual tentei me matar engolindo comprimidos de Valium e uma garrafa de vodka. Infelizmente, ou felizmente, a única coisa que Valium faz é te colocar para dormir", descreve ela.

Em 2010, seu quadro de depressão piorou, e ela vivia em quase total isolamento do mundo. Ela estava escrevendo notas de suicídio, planejando ir até um hotel para completar o ato, quando um amigo a ligou. "Tinha que haver uma parte de mim que queria muito viver. Naquele momento, eu pensei: 'Há um mundo lá fora e, no momento, eu não sou parte dele. Mas talvez gostasse de ser'", diz Sia.

Ao invés de seguir com o plano e ir até o hotel, Sia telefonou para um amigo que passeava com os seus cachorros, um alcoólatra em recuperação. No dia seguinte, ela foi a sua primeira reunião dos Alcoólicos Anônimos.

Nova vida

Sia não cultiva muitas amizades conseguidas após o sucesso meteórico de "Titanium" (parceria com David Guetta) e "Chandelier". Segundo ela, a cantora Katy Perry se tornou sua "guru popstar": "Ela me deu o contato do médico e do nutricionista que vão até sua casa. Ela me ensinou como ser uma celebridade", brinca.

A cantora garante, no entanto, que os anos de terapia e de reuniões do AA não calaram completamente o "monólogo interno" que fez com que ela chegasse à época mais sombria de sua vida. Sia ainda tem problemas, por exemplo, em aceitar o seu corpo.

"Eu tenho feito dietas doidas nos últimos dez anos",conta. "Eu fico tentando me encaixar no estereótipo de uma 'popstar gostosa'. Alguém sempre me diz: 'Você não precisa ser uma modelo. Você é uma artista. Não importa a sua aparência'".

A fama como vocalista nunca foi algo que Sia almejou. De fato, ela ficou furiosa quando soube que o DJ David Guetta usaria os seus vocais para "Titanium", uma música que foi oferecida para Katy Perry e Mary J. Blige, mas rejeitada por ambas.

"Eu trabalhei muito duro, na minha carreira solo, para ser uma artista cool e crível", brinca Sia. "Então, finalmente, quando me aposento para só trabalhar como compositora, minha voz aparece em uma música pop brega".

A artista fez as pazes com o estrelato, especialmente depois do sucesso de "Chandelier", e hoje separa o seu trabalho como compositora da carreira como vocalista. "Normalmente, eu escrevo da perspectiva de uma personagem. Quando, por acaso, sai algo que eu realmente amo, guardo a música para mim", conta.

Encontro presidencial

Uma das anedotas colecionadas pela artista em sua nova fase da carreira foi o encontro com Donald Trump, então candidato à presidência, nos bastidores do "Saturday Night Live". Sia cantou em um episódio apresentado por Trump, que ficou impressionado com a performance da cantora.

"Temos que tirar uma foto!", disse o futuro presidente ao encontrar Sia após o show. Embora se descreva como "co-dependente, em constante medo de decepcionar as pessoas", a cantora sabia que uma foto com Trump não cairia bem com seus fãs.

"Eu murmurei como resposta: 'Na verdade, tudo bem se não tirarmos foto? Eu tenho muitos fãs LGBTQ+, e muitos fãs mexicanos, e não quero que eles achem que eu apoio as suas opiniões sobre eles'. Ele não pareceu ofendido de forma nenhuma. Ele deve ter pensado que eu estava apenas protegendo a minha reputação", relembra.

Projeto ambicioso

No momento, Sia está focada no projeto mais ambicioso de sua carreira: seu primeiro filme como diretora, "Music", que deve sair em 2019. Com a dançarina Maddie Ziegler, a mesma do vídeo de "Chandelier", no papel principal, o musical contará a história de uma criança autista que passa a morar com sua irmã mais velha, uma traficante de drogas e viciada em recuperação, interpretada por Kate Hudson.

"Muitas pessoas no meu ramo de trabalho fazem sempre a mesma coisa, porque é isso que o público quer delas. Eu tento encontrar formas de sempre me divertir e fazer algo novo. Sempre quero descobrir onde está o limite", diz a diretora de primeira viagem.

O filme, atualmente em processo de pós-produção, é um desafio e tanto. "Eu acho que ele está bom. Não acho que está excepcional ainda. Estou meio envergonhada que não consegui fazer com que ele fosse excepcional. Mas o que eu posso fazer? Sou só humana", reflete Sia.