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Peter Weller, o RoboCop, volta a Detroit como doutor em história da arte

Frederick M. Brown/Getty Images
Peter Weller em foto de 2013 e como RoboCop no filme de 1987 Imagem: Frederick M. Brown/Getty Images

Osmar Portilho

Colaboração para o UOL

21/08/2018 04h00

No lugar do capacete, armadura brilhante e arma em punho, óculos estiloso, gola levantada e um lenço cuidadosamente colocado no entorno do pescoço. Peter Weller ficou mundialmente conhecido no fim dos anos 80 por viver o policial robótico do futuro, o RoboCop, protagonista do filme de Paul Verhoeven de 1987, mas agora seu foco é a arte renascentista.

Em outubro, Weller será visto novamente em Detroit, cidade onde o oficial Alex Murphy foi transformado em uma máquina de combater o crime, mas o motivo é bem diferente: ele apresentará a primeira noite de uma conferência no Culture Lab como historiador de arte.

David Livingston/Getty Images
Em 2018, Peter Weller estará em Detroit novamente, mas agora como especialista em arte Imagem: David Livingston/Getty Images

Em 2004, então aos 57 anos, sem abandonar o seu trabalho como ator no cinema e na TV, Weller focou em sua graduação em arte romana e renascentista na Universidade de Syracuse, em Florença, na Itália. Na sequência emendou um doutorado em história da arte renascentista na conceituada UCLA.

Em 2014, o ator conversou com o site Vulture e falou sobre sua conquista acadêmica. "Eu me sinto muito orgulhoso. Essa foi a coisa mais difícil que fiz e a melhor recompensa que já ganhei. Quando você termina um doutorado em filosofia em história da arte em renascença italiana...p***. E eu fiz tudo isso enquanto criava um filho e dirigia filmes. Eu simplesmente não sei como consegui", explicou.

A dedicação de Weller é motivo de elogios por parte de Randall Korman, professor de arquitetura na universidade italiana. "Peter fez um seminário sobre crucificação e como a pintura renascentista fez diferentes representações da prática. A palestra começou com uma descrição minuciosa que durou vários minutos. Você poderia ouvir um alfinete caindo no chão da sala quando ele terminou. Ele nunca decepcionava", afirmou.

Frazer Harrison/Getty Images
Além de atuar, dirigir e ser acadêmico de arte, Peter também toca jazz Imagem: Frazer Harrison/Getty Images

Jazz, teatro e depois a arte

A primeira paixão de Weller foi a música e o jazz, quando começou a estudar trompete na North Texas State. "Quando percebi que não conseguiria ser igual Miles Davis, mudei minha graduação para inglês e teatro", afirmou. O ator não cita o ícone do trompete à toa. Miles foi apresentado a ele quando ainda era pequeno pela mãe, que foi pianista, e se tornou alvo de uma fixação até que o conheceu pessoalmente.

"Mas não é bom conhecer seus heróis. A humanidade neles ou se eles forem c*** podem te deixar abalado. E você não quer isso. Depois de um show no Hermosa Beach Magic Club, eu conversei com ele. Depois disso, todos os shows eu ficava por uma hora e meia conversando com ele. Eu estava no último show no Hollywood Bowl. Acompanhei ele até o seu carro. Dezoito dias depois ele se foi", afirmou.

Tendo a música como hobby e dedicado ao teatro, televisão e cinema, Weller foi desenvolver sua carreira acadêmica nas artes com quase 60 anos de idade, e não é nada modesto com sua conquista.

"Eu sou um doutor. Eu preciso calar minha boca sobre isso. Minha mulher me deu cinco anos para me gabar e só. Esse é um título que ninguém pode tirar de você", disse ao Vulture.

Quando dirigiu alguns episódios de "Under The Dome", foi até estimulado pelo ator Dwight Yoakam para usar seu título Ph.D. como diretor de TV. "Ninguém mais na indústria tem um Ph.D., até se eles acharem você um c***, deixe-os saber que você é um c*** com um Ph.D.", brincou.

E quem sabe Weller não volta ao papel que o deixou famoso (fora do meio acadêmico)? Na semana passada, o diretor de "Robocop Returns", Neil Blomkamp, afirmou que gostaria de ver o ator de novo com o uniforme -e as peças de metal- do policial do futuro.