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Fafá de Belém opina sobre aborto: "Tem que descriminalizar"

Fafá de Belém no programa de Pedro Bial - Divulgação/TV Globo
Fafá de Belém no programa de Pedro Bial Imagem: Divulgação/TV Globo

Jonathan Pereira

Colaboração para o UOL

08/08/2018 06h27

Fafá de Belém disse o que pensa sobre drogas e descriminalização do aborto no "Conversa com Bial" de terça-feira (7). A cantora de 62 anos acredita que o debate sobre o tema precisa evoluir para que as mulheres não precisem recorrer a clínicas clandestinas quando surge uma gravidez indesejada.

"A gente tem que descriminalizar. Nenhuma mulher faz um aborto porque quer. É doloroso quando é necessário por problemas de saúde. Logo após Mariana nascer, eu não tinha condições físicas de ter outro filho. Engravidei, perdi a criança e fiquei um mês muito mal. Imagina uma menina estuprada ou que não tem condição de ter um filho", disse.

"Temos que conscientizar a prevenção e cuidar dessas meninas que fazem o aborto com agulha de tricô, com lavagem de pimenta. É preciso descriminalizar e ter um atendimento a elas. O atendimento hoje pós-aborto é muito maior do que se tivesse um preventivo", analisa.

Drogas

Fafá compartilhou sua relação com a cocaína. "Tive experiências, sempre fui muito curiosa. Um dia tinha um povo em casa, me olhei no espelho e me vi sendo tragada pelo que eu não queria. Falei 'não quero mais'. Você não consegue parar. A decisão de parar tem que ser sua e da sua alma".

E as drogas devem ser descriminalizadas? "É um grande comércio e um poder paralelo muito grande. Cigarro e álcool em excesso matam tanto quanto. A ilegalidade cria uma curiosidade entre os jovens. A gente tem que ter políticas públicas, fazendo como Amsterdam, que se tem uma cota para comprar", opina.

Amor, religião e política

A paraense revela também que usou canções como "Foi Assim”, "Vermelho" e "Abandonada" para dizer o que queria. "Todas as minhas músicas eram um recado pra alguém. Um namorado meu já me fez vender 3 milhões de cópias. Teve um que briguei com ele para fazer uma música de dor de cotovelo", diverte-se.

Falando em amores, raramente a vida íntima de Fafá foi exposta. "Sou de uma outra época. O privado é privado, o público é público". E o que o homem não deve fazer na cama? "Detesto dormir de conchinha. Dá vontade de você ir ao banheiro, quanto mais se mexe, mais o parceiro te aperta".

O lado religioso não ficou de fora - ela já cantou para três Papas: João Paulo II, Bento XVI e Francisco. "Sou fã de João Paulo II. Acho que ele causou uma revolução, foi o primeiro Papa que a gente viu correndo de jogging. Fiquei encantada com as portas que ele fechou e as que ele abriu. Falava de assuntos que antes não se falavam".

A eterna Musa das Diretas de 1984 opina também sobre política. "O que vejo hoje é uma guerra de foice e uma roubalheira que nunca tinha visto. Por que não tira a Previdência de quem tem muito? Essa gente toda precisa de saúde, trabalho, segurança, educação. Acredito que, quando essas lideranças todas se unirem pensando um novo caminho para o povo, vamos ter uma solução para esse país".