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Minha profissão não é sobrevivente de acidente aéreo, diz Rafael Henzel

Rafael Henzel, sobrevivente do acidente com o avião da Chapecoense - Iwi Onodera/UOL
Rafael Henzel, sobrevivente do acidente com o avião da Chapecoense Imagem: Iwi Onodera/UOL

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

04/08/2018 18h27

Rafael Henzel, jornalista da Rádio Oeste Capital FM, participou na Bienal Internacional do Livro neste sábado (04) do debate "Grandes Reportagens sobre Tragédia Recentes", e contou um pouco mais sobre sua experiência no acidente aéreo da Chapecoense, em 2016. A queda do avião na Colômbia deixou mais de 70 pessoas mortas.

"Nunca pensei em escrever um livro, mas depois de tudo o que aconteceu com a gente, e eu jamais me coloco como vítima, resolvi escrever um", disse o autor de "Viva Como Se Estivesse de Partida", lançado em 2017.

"(Resolvi escrever) Para explicar aos familiares que ninguém sofreu naquele acidente. A história do time era que nem a do brasileiro que vai crescendo e então não consegue realizar o ápice. Minha profissão não é sobrevivente de acidente aéreo, é jornalista", disse Henzel.

O jornalista estava acompanhado de Daniela Arbex ("Todo Dia a Mesma Noite") e Rogério Pagnan ("O Pior dos Crimes"), que publicaram livros sobre a tragédia da boate Kiss, que deixou mais de 240 mortos em Santa Maria (RS), e o caso do assassinato de Isabela Nardoni, respectivamente.

Mesmo com o tema pesado sendo discutido no Salão de Ideias, o trio tinha como intenção mostrar a necessidade de contar histórias, principalmente para encontrar respostas. "A indiferença também é uma barbárie", disse Daniela. "E mostra que o Brasil tem essa falta de justiça. Eu acho que esse é o papel do livro".

Rogério concordou. "Não conheço outro caso com uma cobertura tão intensa quanto o da Isabela Nardoni. E faltava um livro para contar essa história como deveria ser contada. Eu tinha obrigação moral de contar isso". 

Daniela ainda reiterou que muitos pais dos jovens que morreram na boate Kiss levaram a culpa do que aconteceu. "Era uma situação difícil, delicada, porque os pais viveram na pele a exploração dessa história. Fiquei preocupada que os eles pensassem que eu fosse ganhar dinheiro com a dor. Eu precisei construir um relacionamento com eles".

"Desde o o que aconteceu, todos os dias eu falo sobre o acidente. A diferença entre eu e quem se foi é que eu acordei. As pessoas tinham ideia de que houve sofrimento, mas não houve sofrimento. Por isso queria fazer um livro barato, para que as pessoas pudessem ler", completou Henzel.