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Sertanejo confirma pausa de Victor & Leo para se dedicar à carreira de autor

Iwi Onodera/UOL
Leo Chaves atendeu fãs e a imprensa na Bienal de SP Imagem: Iwi Onodera/UOL

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

03/08/2018 19h06

O cantor Leo Chaves confirmou nesta sexta-feira (3), em entrevista exclusiva ao UOL, que a dupla Victor e Leo vai dar uma pausa por tempo indeterminado a partir de setembro. Após 26 anos de carreira, Leo pretende se dedicar agora à sua própria marca como empresário, palestrante e autor.

“Essa história da pausa, das férias prolongadas é apenas um capítulo da dupla Victor e Leo que está longe de terminar. É um livro que ainda está sendo escrito”, explicou o cantor sobre a decisão. A metáfora tem relação com uma das novas apostas dele. Leo Chaves participou nesta sexta do primeiro dia da Bienal do Livro de São Paulo, onde veio divulgar sua primeira obra como autor: “No Colo dos Anjos”.

“Nós temos uma história muito intensa, que pouca gente conhece. É uma construção longa, de 26 anos de carreira. De muitas quedas e crises, de muito boteco e barzinho. De um legado ligado às pessoas e à sociedade. Fortes emoções, pessoas que transformaram suas vidas com nossas músicas, nossos shows. Sempre levamos isso muito a sério”, pontuou. Para ele, essa pausa será benéfica para ambos. “A gente precisa de um oxigênio para que a gente possa criar bem mais”, completou.

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Leo Chaves posa com seus livros na Bienal Imagem: Iwi Onodera/UOL

Victor e Leo seguem na estrada cumprindo agenda até o final de setembro. No próximo dia 10, eles lançam o DVD “O Cantor no Sertão”, projeto que resgata as raízes da dupla.

"Nós precisamos de umas férias, de um sabático. Tanto meu irmão quanto eu. 'O Cantor do Sertão' é um DVD que preza os traços mais essenciais da dupla, que são os traços bucólicos. Mas é apenas uma coincidência sair agora. Gravamos em um evento beneficente que faço onde reverto a renda para o hospital do câncer de Uberlândia e pro Instituto Hortense (que pertence a ele). Nessa ocasião [a gravação] a gente ainda não pensava em tirar essas férias. Mas é uma boa coincidência. Pois mostramos um trabalho onde a gente resgata tudo o que nós construímos de uma forma muito essencial, visceral e verdadeira. E de repente isso reverbera numa pausa.”

Após terminar a agenda com o irmão, Leo seguirá dedicado às palestras que vem ministrando desde 2016, a divulgação de seu livro e também a shows solos no formato acústico que ele apresenta em eventos corporativos. “Esse meu show solo não é nenhuma novidade. Já faço há pelo menos 1 ano. A diferença é que são shows fechados e vai continuar assim.”

Filho fez cantor mudar

Um alerta que partiu de seu filho fez que Leo Chaves percebesse que precisava mudar o seu estilo de vida. Ele então passou a se dedicar aos temas de gestão da emoção que são abordados em seu livro, com prefácio de Augusto Cury e Roberto Shinyashiki, dois dos principais gurus da autoajuda nacional.

“No auge da carreira meu filho chegou pra mim e disse que eu era sensacional, que eu tinha conquistado sucesso, fama, tudo na vida. Que eu era um exemplo de profissional, um cara dedicado, vencedor, que as pessoas gostavam de mim porque eu dava atenção pra todo mundo, mas que eu não era tão amigo quanto deveria ser dele. Que ele se sentia muitas vezes no fim da fila”, desabafou sobre o gatilho para a mudança.

“Isso pra mim foi um tapa, um sinal da vida. Quando você não muda, a vida te muda. E ela não pergunta o que você quer. Ela simplesmente se posiciona. E foi um ponto de revolução para mim”, explica o cantor. Ao começar a estudar sobre gestão da emoção, filosofia e educação familiar e escolar, Leo diz ter percebido que estava “estacionado” por já ter atingido o patamar de sucesso que almejava com a carreira artística.

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Fãs de Leo Chaves tietaram cantor na Bienal Imagem: Iwi Onodera/UOL

Capivaras inspiradoras

Já a inspiração para o livro foi bastante inusitada. Leo estava praticando stand-up paddle em sua fazenda quando avistou um casal de capivaras. “Foram as capivaras que me apresentaram a história do Bruce Vilanova e Martin Blomer. A ficção que envolve os dois personagens principais. Eu estava solitário e percebi que Deus às vezes conversa com a gente através da natureza. São pequenos sinais. As capivaras são animais selvagens que foram super dóceis e receptivos. Cheguei pertinho deles e me inspirei. Quando retomei a remada veio a história.”

No livro, Bruce é um artista que foi internado inconsciente por suspeita de uso de drogas e Martin um artista exemplar que vai ao hospital dar apoio aos pais de Bruce enquanto ele está entre a vida e a morte.

Os nomes internacionais dos protagonistas têm inspiração no filósofo alemão Martin Heidegger, que Leo estudou muito enquanto escrevia o livro. E Bruce por causa de Bruce Wayne, o Batman. “O Martin sempre diz que a simplicidade é o resgate do ser humano. Ele era um homem do campo. O Bruce é link memorial porque sempre gostei do Batman desde novo. É um personagem aventureiro. Outro Bruce que acho sensacional é o [cantor norte-americano] Bruce Springsteen. Gosto do nome, acho forte.”

Leo Chaves aproveitou a passagem pela Bienal para autografar seu livro, lançado no final do ano passado, para centenas de fãs que foram prestigiá-lo. Com seus 1,94 metro de altura o cantor chamou a atenção nos corredores do Pavilhão do Anhembi, onde atendeu vários pedidos de selfie. Já no estande da editora ele assinou os exemplares de “No Colo dos Anjos” - vendidos a R$ 40 - por quase duas horas.

Serviço:

Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Endereço: Pavilhão do Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209. São Paulo
Datas: De 3 a 12 de agosto
Horário: das 9h às 22h
Ingressos: R$ 12,50 (meia) R$ 25 (inteira)
Site oficial: http://www.bienaldolivrosp.com.br/

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