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Número de mulheres em Hollywood caiu nos últimos dez anos, aponta estudo

A diretora Greta Gerwig indicada ao Oscar de melhor diretora em 2018 - Getty Images
A diretora Greta Gerwig indicada ao Oscar de melhor diretora em 2018 Imagem: Getty Images

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

31/07/2018 09h27

Mesmo com o aumento da consciência sobre a necessidade de inclusão de minorias no cinema, Hollywood continua sendo "mais conversa do que ação", segundo um estudo da Universidade do Sul da Califórnia que analisou os 1.100 filmes mais lucrativos lançados entre 2007 e 2017.

Segundo os resultados do levantamento, homens ainda tem mais do que o dobro dos papéis com falas nesses filmes, e o número de mulheres representadas nos filmes diminuiu, ao invés de aumentar, na comparação entre 2008/2009 e 2017. A "Variety" reportou os resultados do estudo nesta terça-feira (31).

"Infelizmente, esse é o status quo do cinema americano", diz a Dra. Stacy L. Smith, uma das autoras do estudo. "Não houve essencialmente nenhum movimento real das multinacionais que administram os estúdios em termos de abraçar a inclusão hora de contratar protagonistas".

Em números exatos, as mulheres contaram 30,6% do total de personagens com fala nos 1.100 filmes analisados pelo estudo. Enquanto isso, apenas 29,3% desses personagens eram de grupos étnicos minoritários (não-caucasianos), 2,5% eram pessoas com deficiências, e menos de 1% eram da comunidade LGBTQ+.

No ano passado, 43 dos filmes mais lucrativos do ano não tiveram nenhum personagem negro, 65 não tiveram nenhum personagem asiático, e 64 não tiveram nenhum personagem latino. Já em termos de personagens LGBTQ+, 94 filmes não trouxeram nenhum nenhum tipo de representatividade. Contando apenas personagens transgêneros, a situação é ainda mais precária - seria preciso voltar no tempo até 2014 para encontrar o primeiro deles.

Outro dado preocupante é a qualidade dos papéis dados a mulheres nesses filmes. Segundo o estudo, em 2017 apenas 33 dos 100 filmes mais lucrativos do ano tiveram protagonistas femininas, e dessas 33 personagens principais, apenas quatro não eram caucasianas. Por fim, personagens femininas também são mais sexualizadas, com duas vezes mais probabilidade de serem mostradas com roupas reveladoras, parcialmente nuas ou nuas.

O estudo também computou a diversidade atrás das câmeras. Dos 1.223 diretores contados na pesquisa, apenas 4,3% eram mulheres, 5,2% eram negros, e 3,1% eram asiáticas.  Apesar dos resultados desencorajadores, a Dra. Smith tem esperança para os próximos anos: "Com o movimento de denúncia de assédio sexual em Hollywood e toda essa conversa em torno de inclusão, é possível que esse seja o último ano em que vemos resultados como esses. As pessoas precisam acordar", comentou.