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Em meio a disputa, oposição realiza novas eleições na Vai-Vai

Darly Silva, presidente da Vai-Vai, que teve gestão questionada por um grupo de oposição - Alessandro Reis/UOL
Darly Silva, presidente da Vai-Vai, que teve gestão questionada por um grupo de oposição Imagem: Alessandro Reis/UOL

Natalia Engler

Do UOL, em São Paulo

31/07/2018 18h32

Envolvida em disputas políticas desde o início do ano, a Vai-Vai pode ter nova diretoria ainda esta semana. Na noite de segunda-feira (30), um grupo de oposição à atual gestão da escola de samba paulistana realizou uma assembleia geral na sede da agremiação, no bairro do Bixiga, para eleger novos dirigentes, depois de terem exigido a renúncia do presidente Darly Silva, o Neguitão.

O clima de instabilidade na escola se arrasta desde o início do ano, depois de a Vai-Vai ter ficado em décimo lugar no Carnaval 2018. Desde então, o grupo de oposição que se auto intitula "Resistência Vai-Vai" vem acusando a atual gestão de impedir a realização de eleições diretas (previstas para este ano), tentar alterar o estatuto da escola para instituir eleições indiretas em que apenas teriam direito a voto os membros do Conselho Deliberativo, e de ter acumulado dívidas de cerca de R$ 3 milhões.

A convocação para a assembleia ocorreu no último domingo, durante um evento na escola que foi marcado por confusões. Segundo relatos, houve agressões físicas e depredação de veículos depois que faixas de protesto contra a atual gestão foram retiradas da quadra por membros da diretoria.

"No domingo, houve uma conversa com o então presidente e ele, verbalmente, combinou de se fazer essa assembleia ontem. Porque no domingo a comunidade exigiu a renúncia dele, mas ele não concordou, disse que não iria renunciar e que faria uma assembleia na segunda-feira", disse o cantor Edimar Tobias da Silva, o Thobias da Vai-Vai, que já foi presidente da escola e faz parte do grupo de oposição à atual diretoria.

No entanto, ainda segundo Thobias, Silva não apareceu na segunda-feira para a assembleia. "Ele não apareceu para abrir a quadra. Aí a comunidade chamou um chaveiro, abriu a quadra, foi feita então a Assembleia Geral Extraordinária e, baseado em dois artigos do estatuto, foi destituída a diretoria e o conselho (deliberativo), e foi feita uma nova eleição, com a aprovação dessa assembleia".

O cantor relata que cerca de 300 pessoas da comunidade participaram da votação. De acordo com ele, a ata da assembleia será registrada até o fim da semana, quando deve ser divulgada a nova diretoria.

Segundo Thobias, que chegou a integrar a diretoria presidida por Silva mas se uniu à oposição no início do ano, o grupo já havia entrado com uma ação por "gestão temerária".

Uma nota publicada na página oficial da escola no Facebook na segunda-feira e assinada pelo Conselho Deliberativo do G.R.C.S.E.S Vai-Vai lamenta os fatos ocorridos no domingo e afirma: "Continuamos no trabalho em prol do nosso pavilhão". O texto prossegue: "Estamos dispostos e preparados para o diálogo e a ampla discussão nos campos jurídicos e legais. A partir de hoje, compartilharemos com o povo do Vai-Vai e a opinião pública em geral informações corretas acerca da administração da escola".

Nesta terça, uma nova publicação na página da escola informava que a diretoria continuava a ser formada por Darly Silva (presidente), Ana Murari (vice-presidente), Caio Santos (diretor financeiro) e Fátima Acre (secretária executiva).

A reportagem entrou em contato com representantes da atual gestão da Vai-Vai, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Em 2019, a Vai-Vai desfilará no sábado de Carnaval (2 de março) com o enredo "Vai-Vai, o quilombo do futuro".

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