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Vitor Kley conta como nasceu "O Sol": Carta após manhã de surfe

Instagram/Reprodução
Vitor Kley, compositor de "O Sol" Imagem: Instagram/Reprodução

Osmar Portilho

Colaboração para o UOL

27/07/2018 04h00

Vitor Kley é um cara solar. E essa colocação não é um mero trocadilho com o fato de sua música "O Sol" ser uma das canções mais tocadas nas rádios e nas plataformas digitais. Só no YouTube, o clipe já foi reproduzido mais de 56 milhões de vezes.

É verdade que a fase é boa, mas Vitor Kley, aos 23 anos, parece inabalável com seu alto astral. Com dois discos lançados e um EP - o primeiro saiu em 2009, quando ainda era adolescente -, o gaúcho flertou com as paradas com "Farol" e "Dois Amores", mas foi "O Sol" que lhe trouxe o grande público.

"Desde o momento que escrevi a música, eu vi que ela era diferente, mas confesso que não esperava tanto", disse ele ao UOL, por telefone. A canção se espalhou nas rádios e ganhou impulso com covers em shows de artistas de outros gêneros. "O Sol" foi remixada por vários DJs e chegou a virar parte do repertório da dupla Jorge e Mateus. 

Carta em manhã de surfe

"O Sol" nasceu em julho de 2016, quando Vitor Kley estava na casa dos pais em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina, depois de uma manhã de surfe. "Lembro que comecei a me inspirar em coisas simples. A música é simples, peguei ali três acordes e comecei a tocar", afirmou, cantarolando a introdução ao telefone.

"Quando fiz esse riff eu pensei: 'Cara, isso aqui é bom demais. Preciso fazer uma letra para isso'. Peguei uma folha daquelas de impressora e comecei a escrever como se fosse uma carta mesmo", explicou.

A letra simples de "O Sol" casou com a melodia grudenta feito música-chiclete. "Eu estava amarradão. Inspirado. Ela é muito eu. É uma música que me decifra muito bem. Eu me identifico muito com ela e acho que é por isso que está indo tão longe".

Sobre a letra, disse que é sempre questionado se compôs para alguém em especial ou se foi literalmente para o sol. "Cara, gosto que a galera interprete como quiser. A música tem essa possibilidade ser uma metáfora ou ser o sol ao pé da letra".

Além das visualizações milionárias no YouTube, Kley tem números que impressionam em outras plataformas. No Spotify, são 3,2 milhões de ouvintes mensais, por exemplo. Nas rádios, segundo relatório gerado pela Playax, são poucos dias que sua música tem menos de mil execuções nas estações brasileiras.

Instagram/Reprodução
"O Sol", segundo Vitor, nasceu após dia de surfe na praia Imagem: Instagram/Reprodução

"Não esperava que fosse ser assim. Ela entrou parada das 50 mais virais de Portugal, tocando na rádio de lá e o remix nas baladas em Miami. Eu estava de boa em casa, pegava um Uber e tocava. Ia comer um sushi e tocava um remix lá. Todo canto tava tocando. Aí começou a me dar o estalo", disse.

"O Sol" chegou a ser trilha de uma reportagem de encerramento da Copa do Mundo da Rússia na TV Globo. "Teve um dia que eu voltei para o camarim e falei para os moleques da banda: 'Cara, agora a parada pegou de vez'".

"Deixa fluir"

E depois de "O Sol"? Vitor Kley responde categoricamente que não tem nenhuma pretensão de se cobrar para ter um hit igual ou ainda maior.

"Eu não tenho nenhuma pressão. Levo a carreira musical como uma coisa muito tranquila. Amo fazer, escrever e me amarro. Meu maior prazer é fazer as pessoas felizes. Seja a música um baita de um hit ou não tão grandioso. Fazer as pessoas felizes é o caminho certo do sucesso", disse. "Gosto de ver que 'O Sol' levou alegria para as pessoas".

As parcerias de remixes e covers de outros artistas também já entraram em estúdio. Vitor Kley lançou "Morena" com Bruno Martini, que também tem parcerias com Zeeba em "With Me" e Alok com "Hear Me Now".

Um pouco mais "longe da praia" com batidas mais eletrônicas e urbanas, "Morena" ainda tem o clima solar inseparável de Vitor. "Brunão é meu irmão. Ele acrescentou muito pro meu trabalho e foi legal conhecer o lado de produtor dele", contou. A conexão entre o DJ e o músico foi via Rick Bonadio, produtor de Kley.

Vários sóis

"O Sol" viralizou não só na redes, mas também em outros palcos. Questionado sobre qual versão de sua canção achou mais interessante, Vitor foi para o lado do sertanejo de Jorge e Mateus.

"Tem uma parte que o Mateus fica tocando guitarra. A banda deles fez um swing animal, bem funk americano. Uma sonzeira. Sou muito fã deles", contou.

Para o futuro, a pauta de Kley é invadir outros gêneros, quem sabe com parcerias como Anitta, Projota e Jota Quest. "Gosto bastante dela, ela flutua em todos os gêneros".

Fica a dica.