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A tensão de uma possessão documentada pelo diretor de "Exorcista"

Cena do documentário "O Diabo e o Padre Amorth", dirigido por William Friedkin - Reprodução
Cena do documentário "O Diabo e o Padre Amorth", dirigido por William Friedkin Imagem: Reprodução

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo

24/07/2018 04h00

William Friedkin fez o filme definitivo sobre possessão demoníaca em 1973, contando a história de uma menina atormentada por uma força oculta. "O Exorcista" virou um clássico do cinema, não apenas do gênero terror, e ajudou a popularizar o tema que vem ganhando debates há muitos e muitos anos. A última cartada do diretor foi tentar entender um pouco melhor como funciona uma cerimônia real para eliciar espíritos malignos em "O Diabo e o Padre Amorth", disponível desde segunda-feira (23) na Netflix.

"Na época em que fiz o filme 'O Exorcista', nunca tinha visto um exorcismo. Mais de quatro décadas depois, testemunhei o que você está prestes a ver", mistifica Friedkin logo no início do documentário, que tenta promover não apenas registros reais de uma possessão demoníaca, mas entender quais explicações religiosas e científicas podem ser observadas a partir de uma experiência considerada sobrenatural.

Cena do filme "O Exorcista" - Reprodução - Reprodução
Cena do filme "O Exorcista"
Imagem: Reprodução

Gabriele Amorth é um padre de 91 anos, exorcista da diocese de Roma, na Itália. A experiência dele com rituais aterrorizantes é gigantesca, e o seu novo objeto de estudo é Cristina, uma arquiteta de 46 anos que dizem estar possuída pelo diabo. Friedkin pôde gravar a 8ª tentativa do padre Amorth de liberar a força obscura que a dominou.

O clima é de tensão extrema, especialmente quando a delicada mulher começa a vociferar com uma voz gutural contra as ações do exorcista. Sua família e mais alguns padres também estão no quarto para dar força à Cristina, e a luta entre o bem e o mal é transmitida sem cortes por 15 minutos. "Esse é um exorcismo real, é diferente de todos os filmes. Isso não é ficção. Foi angustiante de testemunhar", narra o diretor, que estava munido apenas com uma câmera durante a cerimônia.

Há mais coisas entre o céu e a terra...

Mesmo com um tom por vezes exagerado, "O Diabo e o Padre Amorth" prende a atenção pelo debate científico do que realmente pode ser uma possessão. O diretor conversa com inúmeras especialistas na área de neurologia para buscar explicações cabíveis de como uma pessoa consegue ficar mais forte e até a imprimir uma voz grave que não condiz com a sua estrutura física.

O diretor William Friedkin em frente à casa onde uma experiência sobrenatural foi adaptada para "O Exorcista" - Reprodução - Reprodução
O diretor William Friedkin em frente à casa onde uma experiência sobrenatural foi adaptada para "O Exorcista"
Imagem: Reprodução

Neil Martin, chefe de neurocirurgia do instituto médico da Universidade da Califórnia, realizou mais de 5.000 cirurgias em cérebros, e, após ver as gravações do exorcismo de Cristina, admite que nunca viu algo semelhante. Itzah Fried, professor de neurocirurgia em Israel, analisa se os efeitos do suposto exorcismo seriam semelhantes em uma pessoa que não é religiosa. "A religião que essas pessoas absorvem obviamente muda seus cérebros. Só vejo isso como um fenômeno comportamental".

Friedkin não tenta apresentar provas irrefutáveis de que Cristina realmente tenha passado por uma experiência sobrenatural e nem fica ao lado dos pesquisadores para comprovar outro ponto. O documentário é equilibrado na tentativa de apresentar argumentos válidos. Independentemente de crenças, "O Diabo e o Padre Amorth" traz uma discussão profunda entre distúrbios e a capacidade humana limitada.