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Há 30 anos, safra de filmes definiu a "Sessão da Tarde" como a conhecemos

Arsenio Hall e Eddie Murphy em "Um Príncipe em Nova York", do cineasta John Landis - Reprodução
Arsenio Hall e Eddie Murphy em "Um Príncipe em Nova York", do cineasta John Landis Imagem: Reprodução

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em São Paulo

23/07/2018 04h00

Se existe um ano que simboliza de forma quase perfeita o espírito da “Sessão da Tarde”, o momento do cinema televisivo mais querido dos brasileiros, esse ano provavelmente é 1988. Faça o teste: verifique a lista das dez maiores bilheterias daqueles 12 meses nos Estados Unidos. A sensação é a de que fomos transportados para as tardes preguiçosas dos anos 1990 e 2000, quando passávamos horas e horas em frente à TV.

Entre filmes que bombaram naquele ano e viraram clássicos vespertinos no Brasil estão basicamente comédias: “Um Príncipe em Nova York”, "Irmãos Gêmeos", "Quero Ser Grande", "Os Fantasmas se Divertem", “Crocodile Dundee 2”, “Corra que a Polícia Vem Aí”, "Uma Cilada para Roger Rabbit”, além do drama "Cocktail" e do sucesso de ação “Duro de Matar”.

Há 30 anos, as franquias ainda engatinhavam, longe das cifras bilionárias do século 21, e as comédias, leves e para toda a família, eram vistas como a galinha dos ovos de ouro de Hollywood. Outra curiosidade que diz muito sobre o tamanho do humor naquela época: no top 10 dos filmes mais vistos de 1988, apenas o premiado “Rain Man” jamais foi exibido nas tardes da TV Globo.

Influentes, todos esses filmes têm grande valor na construção do cinema moderno e na formação de um novo público jovem. Definiram o gosto de muita gente e revelaram uma nova geração de atores e cineastas. A maioria dos longas envelheceu bem e continua povoando o inconsciente do brasileiro. Relembre abaixo nove das produções lançadas em 1988 que hoje são símbolos da "Sessão da Tarde".

Eddie Murphy e Arsenio Hall em cena de "Um Príncipe em Nova York" (1988) - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

“Um Príncipe em Nova York”

História: Herdeiro do trono de Zamunda, o reino africano fictício, o jovem Akeem Joffer (Eddie Murphy) ruma a Nova York para tentar encontrar uma mulher, já que ele não é a favor da ideia de casamento real arranjado. O destino só podia ser um: o inóspito bairro do Queens, que era bem mais sujo e perigoso do que hoje em dia. É uma das melhores comédias de Murphy e de toda a década de 1980.

Pontos altos: O bom roteiro, a química dos protagonistas e a memorável cena da barbearia, em que os personagens, a maioria interpretada por Murphy, discutem quem foi o maior boxeador de todos os tempos. A dublagem brasileira a cargo de Waldyr Sant'anna (1938-2018) deixa tudo ainda melhor.

Quantas vezes foi exibido na "Sessão da Tarde": 17 - 1992, 1995, 1996, 1997, 2000, 2001 (duas vezes), 2002 (duas vezes), 2003, 2004, 2005, 2006 (duas vezes), 2007, 2008, 2013.

Merece passar de novo? Hoje e sempre.

Arnold Schwarzenegger e Danny DeVito em "Irmãos Gêmeos" - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

“Irmãos Gêmeos”

História: Fruto de experiências genéticas, um "homem perfeito" (Arnold Schwarzenegger) vive isolado da sociedade em uma ilha até descobrir que possui um irmão gêmeo um tanto diferente e com muito menos predicados, Danny DeVito. O filme marcou o início da parceria entre Arnold e o diretor Ivan Reitman, que mudou a carreira do fortão com as comédias.

Ponto alto: O absurdo da premissa, o carisma inabalável dos protagonistas e a cena em que o futuro governador da Califórnia aprende a dirigir lendo o manual do carro.

Quantas vezes foi exibido: 10 - 1993, 1995, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2006 (duas vezes) e 2007.

Merece passar de novo? Ô!

Robert Loggia dança tocando piano com Tom Hanks em "Quero Ser Grande" (1988) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

“Quero Ser Grande”

História: Josh quer crescer para conquistar uma garota. Ele faz um desejo a uma máquina fantasmagórica em um parque de diversões e vira Tom Hanks. Ele precisa trabalhar e viver uma nova vida em Nova York. Premiado no Globo de Ouro, o longa foi dirigido pela cineasta Penny Marshall e é um dos grandes destaques do início da carreira de Hanks, rendendo ao ator a sua primeira indicação ao Oscar.

Pontos altos: A forma inusitada como o menino em corpo de adulto se adapta à vida adulta é deliciosa. Se você não sorrir nem sonhar em fazer o mesmo ao ver Tom Hanks e Robert Loggia tocarem “Heart and Soul” com os pés em um piano gigante, há claramente um problema aqui. 

Quantas vezes foi exibido: 9 - 1995, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2004, 2014.

Merece passar de novo? Sim, mas merece horário mais nobre.

Cena do filme "Os Fantasmas se Divertem" (1988) - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

“Os Fantasmas se Divertem”

História: Um dos grandes sucessos do cineasta Tim Burton, mistura comédia, terror e humor negro ao acompanhar um casal fantasma (Geena Davis e Alec Baldwin) que decide assombrar a própria casa para afugentar os novos moradores (Jeffrey Jones e Catherine O'Hara). Venceu Oscar de melhor maquiagem, rendeu fama a Winona Ryder e mostrou toda a versatilidade de Michael Keaton.

Pontos altos: Destacam-se o visual, as loucas aparições do personagem Beetlejuice e a clássica cena em que todos dançam hipnotizados “Banana Boat Song (Day-O)”, de Harry Belafonte. Este momento emblemático chegou a ser homenageado no Brasil em propaganda do Bubbaloo Banana.

Quantas vezes foi exibido: 6 - 1996, 1999, 2001 (duas  vezes), 2002, 2004.

Merece passar de novo? Ganhou status de filme cult e também poderia ser exibido mais tarde.

Cena de "Crocodilo Dundee 2" - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

“Crocodilo Dundee 2”

História: Paul Hogan, o australiano "caipira" mais amado do universo, e Linda Kozlowski reprisam seus papéis do primeiro filme, agora enfrentando um cartel de drogas colombiano. Assim como o predecessor, rendeu risadas e rios de dinheiro pelo mundo.

Ponto alto: A inaptidão de Crocodilo Dundee passando por grandes cidades é um prato cômico muito bem servido. O momento em que ele derrota um bandido com uma cesta de lixo e em seguida é confundido com Clint Eastwood mora no coração dos fãs.

Quantas vezes foi exibido: 6 - 1992, 1995, 1996, 1997, 1999, 2001.

Merece passar de novo? O primeiro merece mais, mas sim.

Cena de "Corra que a Polícia vem Aí" - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

“Corra que a Polícia Vem Aí”

História: Baseado na série de TV "Police Squad!", estrelada por Leslie Nielsen, mostra as trabalhadas do agente policial Frank Drebin, que empreende operações desastradas e misteriosamente bem-sucedidas. Com piadas quase 100% do tempo, tem Priscilla Presley e O. J. Simpson no elenco e o DNA do ótimo "Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu".

Pontos altos: Duas palavras. Leslie Nielsen.

Quantas vezes foi exibido: 3 - 1992, 1994, 1996

Merece passar de novo? Claro!

Tom Cruise em "Cocktail" - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

“Cocktail”

História: Dispensado do serviço militar, Brian Flanagan (Tom Cruise) arranja um trabalho de barman em uma casa noturna enquanto tenta se formar em administração durante o dia. Ao lado do amigo e mentor Doug Coughlin (Bryan Brown), ele aprende truques e vira uma sensação no lugar. A história não agradou à crítica, mas o público amou.

Pontos altos: Cruise de fato teve que aprender a fazer drinks, e as cenas em que ele trabalha em sincronia com Brown atrás do balcão são icônicas e ainda conseguem entreter. Muita gente quebrou garrafas e copos tentando imitá-los em casa.

Quantas vezes foi exibido: 2 - 1993, 1994.

Merece passar de novo? Poderia voltar no "Corujão".

Cena do filme "Uma Cilada para Roger Rabbit" - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

“Uma Cilada para Roger Rabbit”

História: Dirigido por Robert Zemeckis (“De Volta para O Futuro”, “Forrest Gump”), inovou ao combinar live-action e animação. Conta a história de Roger, um coelho acusado injustamente de assassinar o empresário Marvin Acme, proprietário da Corporação Acme.

Pontos altos: A homenagem ao cinema noir e ao universo da animação. A cena do atropelamento de Baron von Rotton (Christopher Lloyd), que provavelmente te causou sentimentos contraditórios na infância, também é inesquecível.

Quantas vezes foi exibido: 2 - 1994, 1995.

Merece passar de novo? Não, por tudo que representa, merece uma faixa de horário com mais audiência.

Bruce Willis em cena de "Duro de Matar" (1988) - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

“Duro de Matar”

História: O policial nova-iorquino John McClane (Bruce Willis) vai a Los Angeles visitar a mulher e se vê cercado por terroristas alemães que querem roubar US$ 640 milhões em ações. Willis, não poderia ser diferente, é o único capaz de enfrentar os criminosos. Poucos se lembram, mas o longa foi indicado a quatro Oscars em categorias técnicas.

Pontos altos: A história bem contata, o ritmo frenético, as explosões, o perigo, as conversas feitas com walkie-talkie e o grande vilão Hans Gruber (Alan Rickman). Tudo isso moldou o gênero de ação e fez muita gente virar fã de cinema.

Quantas vezes foi exibido: 1 - 1993.

Merece passar de novo? Sim, sim, sim.