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Sem astro acusado de assédio, Comic-Con tenta ignorar o "elefante na sala"

Chris Hardwick - Getty Images
Chris Hardwick Imagem: Getty Images

Caio Coletti

Colaboração para o UOL

19/07/2018 18h23

A San Diego Comic-Con 2018 é a primeira desde a explosão do movimento #MeToo e das denúncias de assédio em Hollywood, e não dá para dizer que o microcosmo nerd da convenção ficou de fora dos campos atingidos por essa história - mas, comparecendo ao primeiro dia do evento, alguém poderia pensar o contrário.

Eddie Ibrahim, diretor de programação da Comic-Con, abriu o evento com seu tradicional discurso preferindo um tom mais leve, dando dicas aos frequentadores sobre onde se alimentar e se hidratar, além de reforçando a proibição da filmagem de conteúdos exclusivos de filmes e séries trazidos pelas emissoras e estúdios para os painéis.

Nenhuma menção às várias ausências causadas por denúncias de assédio nos últimos meses. A principal delas é a de Chris Hardwick, que se retirou da moderação de vários painéis do evento (incluindo os badalados da franquia "The Walking Dead") após a ex-namorada Chloe Dykstra o acusar de abuso emocional e físico em um texto postado on-line. Harry Knowles, fundador do "Ain't It Cool News", um dos veículos-chave do evento por anos, também não aparecerá por lá; assim como Andy Signore, criador do "Honest Trailers", fenômeno on-line - ambos por conta de acusações semelhantes.

Em seu código de conduta oficial, oficializado há anos, a San Diego Comic-Con condena atos de assédio e orienta (de forma admitidamente vaga) visitantes sobre como denunciá-los. "Comportamento ofensivo ou abusivo não será tolerado. As pessoas que se encontrarem em situações nas quais sentem em que sua segurança está em risco, ou que perceberem algum frequentador da Comic-Con violando essas regras, devem procurar qualquer funcionário ou membro da segurança para realizar a denúncia", diz o texto.

Nos últimos anos, houve mais pressão para que termos mais claros e sistemas mais eficientes anti-assédio sejam instituídos na Comic-Con, especialmente por parte de um grupo denominado Geeks for CONsent, que relatou diversos casos em que fãs de ambos os gêneros realizando cosplay de personagens famosos foram assediados ou se sentiram desconfortáveis na convenção.