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Novo filme de roteirista de "Tropa de Elite", "Intervenção" deve ser rebatizado

Bianca Comparato é a policial militar Larissa no filme "Intervenção" - Reprodução/Instagram
Bianca Comparato é a policial militar Larissa no filme "Intervenção" Imagem: Reprodução/Instagram

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

18/07/2018 04h00

Um impasse ronda a produção de "Intervenção", filme rodado no Rio de Janeiro sob a assinatura do mesmo roteirista dos dois "Tropa de Elite", o ex-policial militar Rodrigo Pimentel.

O longa-metragem concentra a história na conflitante rotina de policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) e moradores de uma fictícia comunidade carioca ocupada por essas unidades. Mas, para parte do elenco e produção, o título deve ser revisto porque remete à atual situação do Estado do Rio de Janeiro, que está há cinco meses sob intervenção das Forças Armadas.

"O título não me agrada nem um pouco, tem um cunho político imediato e uma rápida associação à intervenção militar. Sou atriz e torço para que isso mude, que a gente tenha um nome mais humano até dia 15 de novembro, mas isso está fora do meu poder", disse Bianca Comparato durante encontro com jornalistas, na terça-feira (17), no Rio. Ela interpreta Larissa, policial protagonista do filme.

O lançamento oficial do filme será no dia em que se comemora a Proclamação da República. Cosimo Valerio, um dos produtores, admitiu que o nome ainda pode mudar. "Teremos uma reunião com nosso distribuidor [Paris Filmes]. Este é o nome de trabalho que o projeto tem. Faremos pesquisas qualitativas e quantitativas para decidir, porque nome de filme muda até o momento de imprimir o cartaz. Faremos o que é melhor para o resultado. Porque também decidimos fazer o filme porque acreditamos que possa dar bilheteria e faturamento para todos nós", declarou o produtor.

O diretor Caio Cobra sinaliza que a mudança deve mesmo acontecer. "É filme de ação sem deixar de lado o mais íntimo de cada personagem. O nome pode mudar, sim. Neste filme, as coisas acontecem tão rápido, que o nome pode mudar até uma semana antes [da estreia]", afirmou.

Rodrigo Pimentel contextualizou a ideia do nome "Intervenção" com o momento atual em que o Estado e a cidade do Rio vivem, apesar de a história se passar um pouco antes do início da intervenção militar, em fevereiro deste ano.

"Ninguém mexe nas UPPs, por mais que esteja falhando, policiais e moradores morrendo. A esperança de salvação dos policiais era alguém assumir e rever essa política equivocada. Quem mantém a UPP é equivocado ou tem rabo muito preso com a questão política. A primeira ação da intervenção foi essa. Duas UPPs já foram extintas. Acho que [a intervenção] é política. O Exército é vítima desse equívoco", afirmou o roteirista.

Marcos Palmeira é o Major Douglas em "Intervenção" - Carolina Farias/UOL - Carolina Farias/UOL
Imagem: Carolina Farias/UOL

Filmado na comunidade

O filme foi rodado na comunidade de Tavares Bastos, no Catete, zona sul do Rio, única comunidade da cidade apontada como segura para trabalhar com qualquer tipo de produção artística. As demais, tomadas por conflitos armados, impossibilitam a segurança de uma equipe de filmagem, por exemplo.

O cenário para o filme é a própria favela com suas ruas, vielas repletas de grafites pelas paredes, casas e predinhos espremidos. Somente um container foi instalado no lugar para simular uma UPP --boa parte das unidades pacificadores funcionam em contêineres porque o Estado não conseguiu construir todas as sedes de alvenaria.

"Os contêineres têm ratazanas, são imundos, furados de bala. Só servem hoje para tomar tiro. O policial não consegue caminhar na comunidade porque ele é assassinado. Falhou. Alguém tem que fazer alguma coisa para tentar recuperar a segurança pública do Estado, não de forma atabalhoada como o governo federal está fazendo", disse Pimentel sobre o contexto atual real e que também será visto no filme, que além de Bianca, tem Marcos Palmeira como o Major Douglas, comandante da UPP.