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Filmes e séries

Três detalhes dos filmes de Hitchcock que poucos fãs conseguiram notar

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

12/07/2018 17h00

O diretor britânico Alfred Hitchcock se preocupava com os mínimos detalhes de todos os processos de seus filmes, desde o roteiro, passando pelo storyboard, iluminação, posicionamento das câmeras e efeitos sonoros.

Para entender na prática o pleno domínio que ele tinha de cinema, listamos três detalhes que poucos fãs notaram em seus filmes e que podem ser conferidos na exposição "Hitchcock - Bastidores do Suspense", que estreia nesta sexta-feira (13) no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, e vai até o dia 21 de outubro.

Copo de leite

Gabo Morales/UOL
Lâmpada dentro de um copo de leite ilustra a seção dedicada ao filme "Suspeita" na exposição do Hitchcock no MIS-SP Imagem: Gabo Morales/UOL

O filme "Suspeita", de 1941, conta a história do charmoso playboy Johnny Aysgarth, interpretado por Cary Grant, que se casa com Linda McLaidlaw (Joan Fontaine), uma rica herdeira. Após o casamento, ela suspeita de que ele quer matá-la. O ápice do filme ocorre quando Johnny decide levar um copo de leite para a mulher. O objetivo de Hitchcock era ampliar a tensão nos espectadores. Para criar essa sensação, ele colocou uma lâmpada dentro do copo do leite. Como o filme era em preto e branco, o copo se destaca na imagem enquanto é levado em uma bandeja por Johnny, obrigando o espectador a prestar atenção no objeto e não no personagem.

Falso plano sequência

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Baú que ilustra a seção sobre o filme "Festim Diabólico", na exposição do Hitchcock no MIS-SP Imagem: Gabo Morales/UOL

O filme "Festim Diabólico", de 1948, foi o primeiro filme colorido de Alfred Hitchcock e ele inovou ao fazê-lo todo em plano sequência. O que poucos sabem, no entanto, é que o filme tem, sim, cortes. Ao todo, foram feitos 10 planos sequências e o corte entre um take e outro ocorre quando o diretor aproxima a câmera dos ternos dos dois atores principais, dando o efeito de continuidade. A decisão em fazer um filme em plano sequência não foi gratuita. O objetivo do diretor era não prejudicar a narrativa e manter a tensão entre os dois assassinos que matam um amigo, escondem o corpo em um baú embaixo da mesa e convidam outras pessoas para jantarem, sem saberem que há uma pessoa morta ali.

Psicose em preto e branco

Gabo Morales/UOL
Entrada da Bates Motel, onde ocorre o famoso assassinato a facadas no banheiro, é recriado na exposição sobre Hitchcock no MIS-SP Imagem: Gabo Morales/UOL

"Psicose", um dos filmes mais famosos de Alfred Hitchcock, foi lançado em 1960, quando já existia a tecnologia para fazer filmes coloridos. O diretor, no entanto, fez questão que seu filme fosse feito em preto e branco. O objetivo, segundo ele, era evitar que o clímax do filme, o famoso assassinato a facadas no banheiro, não desviasse a atenção da história principal. Como a cena teria muito sangue, o diretor não queria que a cor vermelha distraísse o espectador, quando o objetivo era manter a tensão em alta. O sangue, aliás, foi feito de calda de chocolate.

Como é a exposição?

Não vá esperando encontrar objetos originais dos filmes do britânico, ou qualquer coisa do tipo, na exposição "Hitchcock - Bastidores do Suspense". O objetivo da mostra, aberta nesta sexta-feira (13), no MIS-SP, é fazer uma imersão na obra do diretor por meio de fotos, manuscritos, cartazes e materiais de divulgação de seus filmes.

Os fãs encontrarão muitas curiosidades sobre Hitchcock e seus filmes, além de algumas recriações de cenários icônicos. "Esta é a primeira exposição internacional que fazemos aqui no MIS, criada inteiramente por nossa equipe. Não trouxemos nada de fora, toda a ideia e a concepção do projeto foi feita aqui", disse o curador André Sturm. "No futuro, nossa ideia é levar essa exposição para outros estados", completou.

"Hitchcock buscava sempre elementos cinematográficos que colaborassem para a narrativa. Nada é de graça. Há uma razão para 'Psicose' ser em preto e branco ou do porque 'Festim Diabólico' ter sido todo feito em plano sequência", conta Sturm.

O ponto alto da exposição é a área dedicada ao filme "Psicose". O visitante entra no clima de suspense aos poucos, quando um letreiro em neon avisa que chegamos ao Bates Motel, dando um vislumbre da casa do famoso psicopata.

Há duas opções para se ver esta área. A primeira e mais assustadora (não indicada para cardíacos) é um "escape game" em que o visitante entra no quarto de Norman Bates e tem que descobrir como escapar de lá antes que ele chegue. A segunda parte é uma reprodução fiel do segundo andar e do térreo da casa dos Bates. Ao sair do local, a grande surpresa: uma fachada, em tamanho real, da assustadora casa foi reproduzida dentro do museu. Um deleite para os fãs de Hitchcock.

Serviço:

"Hitchcock - Bastidores do Suspense"
Datas: De 13 de julho a 21 de outubro de 2018
Abertura especial 13 de julho das 10h de sexta-feira até as 21h de sábado (funcionará durante toda a madrugada)
Horários: Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingo e feriados, das 11h às 19h.
Endereço: Museu da Imagem e do Som. Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo.
Telefone: (11) 2117-4777
www.mis-sp.org.br
Ingressos: R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 na recepção do MIS. Terças-feiras entradas gratuitas. Menores de 5 anos não pagam.
Ingressos antecipados podem ser comprados para os dias 13, 14, 18, 19, 20 e 21/07 por R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com hora marcada, no site da Ingresso Rápido.