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"Precisamos falar sobre samba no teatro", diz Zeca Pagodinho sobre musical

Victoria Dannemann/Divulgação
Cena do musical "Zeca Pagodinho - Uma História de Amor ao Samba" Imagem: Victoria Dannemann/Divulgação

Felipe Branco Cruz

Do UOL, em São Paulo

11/07/2018 04h00

Falou em samba, falou em Zeca Pagodinho. Mas, para o sambista, não basta tocar e ouvir samba, é preciso levar gênero a outros públicos. "Precisamos falar sobre o samba também no teatro, senão as pessoas ficam falando por aí que samba é coisa de bandido", disse Zeca Pagodinho ao UOL. "Ainda tem muito preconceito contra o samba, só porque ele vem do morro e da favela".

A intenção de Zeca tem motivo: depois de uma temporada no Rio de Janeiro, o musical "Zeca Pagodinho - Uma História de Amor ao Samba" desembarca em São Paulo. A peça será encenada a partir de sábado (14) no Teatro Procópio Ferreira, onde fica até 5 de agosto.

A peça será encenada às quintas-feiras e sextas-feiras, às 21h; aos sábados, às 17h e 21h; e aos domingos, às 17h. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria oficial do Teatro Procópio Ferreira (rua Augusta, 2823) ou pela internet no site www.ingressorápido.com.br. Os preços são R$ 80 (inteira) ou R$ 40 (meia) em todos os setores.

A atração vai além da simples biografia e apresenta o cantor como um herói suburbano. A peça retrata a vida de Zeca em dois atos. No primeiro, ele é apresentado como um sujeito simples, de Xerém, apaixonado por samba. Na segunda parte, ele encontra a fama, porém sem se esquecer de suas origens.

A trilha sonora do musical é, claro, os clássicos da carreira do sambista, executados por quatro músicos e um regente, aliados a um elenco de 13 atores.

Macunaíma do subúrbio carioca

No musical, a primeira fase da vida do cantor é encenada por Peter Brandão. Na segunda, é a vez de Gustavo Gasparani, que também é o diretor e um dos idealizadores. "A história que o Gustavo criou é muito engraçada, cheia de poesia. Eu já vi a peça três vezes e sempre emociono quando vejo a Beth Carvalho me levando para o samba e também quando falam do meu pai, do meu tio e da minha irmã caçula", lembrou Zeca.

O jeitão de fábula moderna que o musical ganhou foi ideia de Gasparani. "Para mim, o musical é uma espécie de Macunaíma do subúrbio carioca. O Zeca não negou suas raízes depois que ficou famoso. Ele fez o contrário, levou o subúrbio para os palcos. Hoje, todo mundo já ouviu falar de Xerém, Irajá, Del Castilho, Madureira. A sua obra é de cronista", analisou o diretor.

Ao criar sua versão de Zeca, Gasparani contou que preferiu não fazer uma imitação mimética do cantor. "Peguei o estado de espírito do Zeca, com seu jeito de cantar e de andar", explicou.

Gustavo lembrou da primeira reunião que teve com Zeca para explicar o projeto. "Disse que teria a Beth, o Arlindo Cruz e o Dudu Nobre representados, que seriam chamados de madrinha, gordo e garoto, respectivamente. No início da carreira, o Zeca era chamado de magro e o Arlindo, de gordo. O Zeca amou a ideia".

Padrinho

Zeca Pagodinho fala dos amigos com muito carinho. "Assim como a Beth me apadrinhou, eu sinto a responsabilidade de apadrinhar os novos sambistas também. Lancei Dudu Nobre e a Dorina. Eu vi eles crescerem. Agora, tem o filho do Arlindo Cruz, que tem um berço bom. É filho e neto dos melhores sambistas", afirmou.

Sobre Arlindo Cruz, Zeca disse estar muito feliz com a saída do sambista (e um de seus melhores amigos) do hospital, mas contou que ainda não teve coragem para visitá-lo. "Quero que o Arlindo fique bom pra gente se falar. Não quero ver ele do jeito que ele está. Quero fazer samba. Mas o caminho dele está muito bom, peço a Deus que nos ajude".

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