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"Sharp Objects" deixa "quem matou?" de lado em favor do drama psicológico

Amy Adams em cena de "Sharp Objects", da HBO - Divulgação
Amy Adams em cena de "Sharp Objects", da HBO
Imagem: Divulgação

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

10/07/2018 12h00

Um dos grandes lançamentos da HBO para 2018, "Sharp Objects" recebeu, antes mesmo de estrear no último domingo (8), uma alcunha incômoda: a de "nova Big Little Lies", em referência à minissérie de 2017 que trouxe muitos prêmios para a emissora.

Assim como sua predecessora, "Sharp Objects" tem uma estrela hollywoodiana (Amy Adams), traz mulheres como protagonistas e é dirigida por Jean-Marc Vallée. Mas a comparação não é totalmente justa, já que a nova minissérie tem méritos suficientes para se sustentar por si própria.

Amy Adams é Camille, uma jornalista que viaja a Wind Gap, uma cidadezinha esquecida do sul dos Estados Unidos, para investigar o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Acontece que Wind Gap é a cidade natal da protagonista, cheia de recordações traumáticas que ela deixou para trás há muitos anos.

Por conta disso, "Sharp Obejcts" não é um suspense convencional: importa menos o "quem matou?" do que a exploração profunda e detalhada da psicologia de Camille. Assombrada pelas feridas do passado, ela tem pequenas garrafinhas de vodca como companheiras inseparáveis, e mantém o hábito de se cortar --daí o título da minissérie e do livro do qual é baseada, "Objetos Cortantes", de Gillian Flynn (a mesma autora de "Garota Exemplar").

Cena de "Sharp Objects", da HBO, com Amy Adams (direita) e Patricia Clarkson - Divulgação - Divulgação
A família de Camille é cheia de dramas em "Sharp Objects"
Imagem: Divulgação

A trama lembra, de certa forma, o que a mesma HBO fez na primeira temporada de "True Detective", também mais interessada na bagagem psicológica de seus personagens. Mas, em "Sharp Objects", isso acontece a partir de uma perspectiva feminina, potencializada pelo fato de Camille conviver intimamente com duas personagens tão interessantes quanto ela: sua neurótica mãe Adora (Patricia Clarkson), que não está exatamente feliz com seu retorno, e sua meia-irmã Amma (Eliza Scanlen), que dentro de casa é uma garota inocente, e fora mostra seu lado mais rebelde.

Cuidadosamente construída, a história tem um ritmo mais lento, a ser digerido aos poucos --como pede sua grande carga dramática. E isso está longe de ser um demérito: nos dois episódios aos quais o UOL assistiu a convite da HBO, o espectador se sente instigado a continuar o mergulho na vida de Camille, em uma atuação fascinante de Amy Adams, mesmo quando ela se torna muito sombria. Clarkson e Scanlen também mostram grande competência em seus papéis, o que é essencial para a história.

A direção de Jean-Marc Vallée traz uma aura onírica à série, com belas sequências em que passado, imaginação e realidade confluem. E fora da luxuosa mansão da família de Camille, o mundo construído pelo diretor passa longe do luxo de "Big Little Lies": Wind Gap é uma cidade decadente, que não esconde que há algo de muito errado por lá. O pacote é arrematado por uma trilha sonora que se torna parte indissociável da jornada da protagonista.

Em um ano que já teve tantas séries, "Sharp Objects" é uma que definitivamente merece atenção.