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Filmes e séries

O medo está dentro de casa: Hollywood abraça os filmes de terror psicológico

Do UOL, em São Paulo

25/06/2018 04h00

"Hereditário" chegou aos cinemas na última quinta-feira (21) como o melhor filme de terror do ano, fugindo de temas comuns do gênero para explorar a psiquê humana. O projeto do diretor e roteirista Ari Aster deixa o terror "raiz" de escanteio para rasgar o conceito de família e explorar a luta psicológica em uma cena tão perturbadora que é inevitável não se compadecer com a figura materna interpretada por Toni Collete.

O curioso é que neste mesmo ano, Hollywood, a crítica e o público aplaudiram de pé "Um Lugar Silencioso", produção orquestrada por John Krasinski (o Jim, de "The Office") que traz um mundo desesperador onde apenas quem fica quieto sobrevive. Com um orçamento de US$ 17 milhões, o filme arrecadou mais de US$ 320 milhões e teve 82% de aprovação pela crítica especializada.

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Toni Collette em cena do filme "Hereditário" Imagem: Reprodução

A proposta vista em ambos os filmes é semelhante: o medo dentro de sua cabeça é muito pior que do que um susto barato. "Hereditário" coloca o público na mente perturbada da família de Annie, enquanto "Um Lugar Silencioso" insere a tensão de como seria viver em pânico o tempo todo.

O diretor Roman Polanski mostrou em "O Bebê de Rosemary" (1968) como fazer uma obra-prima de terror psicológico com a história de um casal que se muda para uma nova residência. Aos poucos, a atmosfera alegre da casa vai perdendo espaço para a paranoia constante, ainda mais quando a mulher engravida de forma misteriosa e seus vizinhos estranhos deixam o público desconfiado.

É curioso ver como o filme é relevante até hoje, sendo pinçado em projetos recentes, assim como "O Iluminado" e "Louca Obsessão". Ari Aster, em "coletiva" no Reddit, confirmou que foi muito influenciado por outro clássico do cinema: "Mensageiro do Diabo" (1955), um drama noir que mostra um criminoso tentando encontrar uma pequena fortuna deixada pelo seu ex-colega de cela. Mais uma prova de que o medo pode ser ampliado para além do que é preconcebido.

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Mia Farrow em cena do filme "O Bebê de Rosemary" Imagem: Reprodução

"Corra!" chegou quebrando diversas estruturas de Hollywood e da Academia do Oscar. Se no Globo de Ouro o projeto foi definido como filme de comédia, a premiação máxima do cinema consagrou o gênero ao entregar a estatueta de melhor roteiro original pelo filme que debate racismo em uma trama aparentemente típica de terror: uma casa com vilões e uma luta para tentar sair vivo do local.

A indústria cinematográfica vive um "boom" de filmes de terror de qualidade que não se deixam levar por sustos aqui e clichês acolá. "Ao Cair da Noite" passando por "O Babadook", "A Bruxa" e "Boa noite, Mamãe" são títulos que exploram o bicho-papão que vive dentro de nossas próprias famílias, e que o observa de perto enquanto você tem uma noite de sono tranquila.

A nova leva de filmes de qualidade que está ampliando o cinema de gênero não quer mais falar de demônios que buscam vingança ou de fantasmas que ficam à espreita. Os temas agora debatidos foram colocados nas sombras por muitas vezes, alguns viraram até tabus, e saem para a luz com a proposta de fugir do medo tradicional.

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